
Incêndio no Shopping Tijuca: brigadistas dizem à polícia que hidrante e alarmes não funcionaram Depoimentos prestados à Polícia Civil por brigadistas que atuaram no incêndio do Shopping Tijuca indicam que equipamentos de segurança não funcionaram durante o primeiro combate às chamas, incluindo o hidrante, o detector de fumaça e a iluminação de emergência da loja onde o fogo começou. As informações fazem parte do inquérito que investiga as causas e a dinâmica do incêndio que deixou dois mortos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Catorze dias após a tragédia, o shopping começou a reabrir parcialmente nesta sexta-feira (16). A Polícia Civil segue colhendo depoimentos para apurar se os protocolos de emergência foram cumpridos corretamente e porque sistemas essenciais de combate a incêndio não funcionaram no momento inicial. Veja como ficou o subsolo do Shopping Tijuca três dias após incêndio que matou duas pessoas Divulgação Corpo de Bombeiros Segundo os relatos, brigadistas tentaram conter o fogo com extintores e, em seguida, recorreram ao hidrante da loja Bell Art, onde o incêndio teve início, mas não havia água. Apenas um segundo hidrante, localizado fora da loja, funcionou. Falha no procedimento De acordo com o depoimento de Michael Oberdan Ramos Ribeiro, líder da equipe de brigadistas, ele ouviu pelo rádio, às 17h57, um relato de fumaça na loja Bell Art e decidiu ir ao local por se tratar de um ponto considerado crítico. Ele afirmou que já sabia, por vistorias anteriores, que o estoque era inadequado, com produtos e líquidos inflamáveis. Segundo Oberdan, após o uso dos extintores até o fim, o chefe da segurança, Anderson Aguiar do Prado, tentou acoplar a mangueira ao hidrante da loja, mas a água não saiu. O brigadista afirmou que ele próprio tentou fazer a ligação e constatou que o equipamento não funcionava. Anderson é resgatado do Shopping Tijuca por bombeiros na noite do dia do incêndio Reprodução O depoimento relata ainda que havia produtos estocados na casa de máquinas, caixas de papelão acumuladas nos corredores, sprinklers obstruídos, além de falhas no detector de fumaça e nas luzes de emergência. Imagens de câmeras de segurança mostram que três brigadistas precisaram se revezar no uso da mangueira devido à forte pressão da água e ao calor intenso no local. Gerardo Portela, especialistas em prevenção de acidente, analisou a cronologia do incêndio e apontou que o tempo para o acionamento do Corpo de Bombeiros foi decisivo. "Eu considero um tempo elevado, porque como é um princípio de incêndio num local que pode tomar proporções de grandes perdas, tem que ser anunciado isso pro corpo de bombeiros, a chamada tem que ser feita imediatamente”, orientou o especialista. Reabertura do shopping A reabertura do Shopping Tijuca começou nesta sexta e acontece de forma parcial. Cada lojista decide se retoma ou não as atividades. O subsolo, onde o incêndio começou, segue interditado. No primeiro dia de reabertura, clientes relataram sentimentos mistos. A aposentada Maria Simões afirmou. “O cheiro ainda é muito forte. É muito triste de ver, são muitas lojas fechadas, pessoas desempregadas. A vida tem que continuar”, disse Maria. Funcionários do shopping usaram broches e fitas pretas em homenagem às vítimas: o supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e a bombeira civil Emellyn Silvia Aguiar Menezes, que morreram durante o combate ao fogo. Fiscalização em outros shoppings O Corpo de Bombeiros do Rio anunciou que vai fiscalizar todos os shoppings da cidade. Segundo a corporação, serão verificadas as condições de segurança contra incêndio e pânico nesses espaços. Imagens mostram atos de heroísmo de segurança do Shopping Tijuca que morreu ao tentar salvar brigadista A medida foi anunciada após a divulgação dos depoimentos e das falhas apontadas na investigação sobre o incêndio no Shopping Tijuca. O que diz o shopping Em nota, o Shopping Tijuca informou que os protocolos de emergência foram cumpridos e que 7 mil pessoas foram retiradas em segurança. Segundo a administração, a loja onde o fogo começou foi esvaziada em cinco minutos pela brigada, e o subsolo foi evacuado em 12 minutos, antes da chegada dos bombeiros. Sobre o hidrante, o shopping declarou que a manutenção e a verificação dos equipamentos são de responsabilidade dos lojistas. A defesa da loja Bell Art não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
