
Norte Energia é multada em 92 milhões de reais por impactos na Usina de Belo Monte O Ibama informou nesta sexta-feira (16) que a Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, recorreu do pedido para apresentar um novo esquema de vazão de água no rio Xingu. A empresa defende o atual modelo, conhecido como Hidrograma de Consenso. Em setembro de 2025, o Ibama cobrou da Norte Energia a apresentação de um novo hidrograma. Questionado pelo g1, o órgão federal não revelou o que motivou a medida naquela data, mas afirmou que o recurso está em análise no "processo administrativo do empreendimento". Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Em paralelo, uma ação que tramita na Justiça Federal também trata do volume de água liberado por Belo Monte para a Volta Grande do Xingu, no sudoeste do Pará. Em decisão de dezembro de 2025, a Justiça acolheu pedido do MPF e determinou a revisão urgente do modelo de liberação de água, ao reconhecer danos ambientais severos na Volta Grande do Xingu. Em nota, o Ministério Público Federal informou nesta sexta-feira (16) que aguarda um posicionamento definitivo do Ibama, já que o prazo estabelecido para a apresentação de uma nova proposta de hidrograma por parte da Norte Energia expirou na segunda-feira (12). Segundo a Norte Energia, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de agosto de 2022, determinou que qualquer alteração no hidrograma deveria ser feita apenas após o trânsito em julgado, ou seja, quando todos os recursos do processo fossem esgotados - o que ainda não ocorreu. O hidrograma define a quantidade de água do rio Xingu é desviada para a geração de energia e quanto permanece no rio, especialmente na região da Volta Grande do Xingu, onde vivem comunidades indígenas e ribeirinhas, e ecossistemas considerados sensíveis. A Usina Belo Monte Divulgação Modelo compromete vida indígena e ribeirinha De acordo com órgãos ambientais, pesquisadores defendem que a vazão de água atual não é suficiente para manter o equilíbrio ambiental da Volta Grande do Xingu, trecho do rio que serve de lar de povos indígenas e ribeirinhos. Estudos apontam que a redução do fluxo de água compromete a reprodução dos peixes, provoca a seca de áreas alagáveis, dificulta a navegação e afeta diretamente o modo de vida de comunidades locais. Além dos impactos ambientais, o questionamento também envolve o cumprimento de outros condicionamentos do licenciamento ambiental da usina. O modelo aprovado no licenciamento ambiental da usina previa a alternância entre dois volumes de vazões, chamados de A e B ou Hidrograma de Consenso. Mas, segundo o MPF, o uso desses dois modelos não ocorreu de forma adequada desde o início da operação plena de Belo Monte, em 2019. A empresa informou ao g1 que, por determinação do Ibama, adota desde 2019 "apenas o hidrograma B" e que qualquer decisão sobre revisão no regime de vazão do rio Xingu deve passar pelos "principais atores do setor elétrico". A Norte Energia defende que, além das questões ambientais, deve-se levar em conta a segurança energética e a contribuição da usina para uma matriz elétrica mais limpa e renovável. A concessionária da usina disse ainda que "a hidrelétrica já chegou a gerar sozinha até 19% da energia demandada pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), gerido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no dia 8 de março de 2020". "A companhia segue executando um robusto pacote de mitigação, que faz parte do seu processo de licenciamento. Foram investidos R$ 8 bilhões no Projeto Básico Ambiental, sendo R$ 1,4 bilhão somente para o Plano Básico Ambiental do Componente Indígena", informou a empresa. Vídeos com as principais notícias do Pará
