
Brasil condena intervenção armada na Venezuela O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com a atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no último sábado (3) pela manhã, informou o Palácio do Planalto. A conversa foi classificada por integrantes do Planalto como "super rápida" e partiu de Lula para confirmar as informações divulgadas pelo governo dos EUA de captura de Nicolás Maduro. Na ligação, Delcy Rodríguez confirmou a captura e, no momento, ainda não tinha informações detalhadas sobre o paradeiro do ditador venezuelano. Apenas após a ligação, o governo brasileiro divulgou nota condenando a ação norte-americana. Lula e Delcy em uma reuniao em Bruxelas, na Bélgica, em 2023 Ricardo Stuckert/PR Diálogos Os canais diplomáticos entre Venezuela e Brasil estão abalados desde a reeleição de Maduro, em julho de 2024. O Brasil questionou o resultado anunciado por Caracas e pediu a apresentação das atas eleitorais, o que o regime de Maduro não fez. O governo brasileiro também atuou contra a entrada da Venezuela no Brics – bloco econômico que reúne Brasil, Índia, China, Rússia e outros sete países. Posição do Brasil na ONU O Brasil condenou nesta segunda-feira (5) no Conselho de Segurança da ONU a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível "aceitar o argumento de que os fins justificam os meios". Danese afirmou que esse raciocínio "carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos." "O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência", pontou. A declaração está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz. "O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", afirmou o embaixador. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", prosseguiu. De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela. Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um "cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo".
