Trump ameaça impor tarifaço contra países que forem contra anexação da Groenlândia pelos EUA
E a tensa negociação sobre o futuro da Groenlândia ganhou um novo capítulo, hoje: O presidente Donald Trump ameaçou impor um tarifaço a países que forem contra a anexação. Essa chantagem gerou críticas até de senadores do partido dele.
Para conseguir o que quer, o presidente americano joga com a intimidação. Trump dobrou a aposta e nesta sexta-feira (16) ameaçou aplicar tarifas comerciais a países contrários aos seus planos de anexar a Groenlândia.
Um recado aos europeus que se uniram em defesa da Dinamarca. Soldados da França, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega chegaram esta semana à Groenlândia. O comandante das tropas dinamarquesas no Ártico disse que o foco é neutralizar "possíveis ações russas" -- e não se defender de uma possível ação militar americana.
A pressão do presidente americano encontra resistência inclusive dentro do partido dele. 11 parlamentares - republicanos e democratas - desembarcaram nesta sexta-feira (16) em Copenhague para demonstrar apoio à Dinamarca.
Depois de reuniões com lideranças do país, a senadora republicana, Lisa Murkowski, afirmou:
“A Groenlândia precisa ser vista como nossa aliada, não como um produto”.
Trump vê a Groenlândia -- a maior ilha do mundo -- como um grande negócio para os Estados Unidos. A Groenlândia é de fato, enorme, mas não tão grande quanto parece. No classico mapa mundi, ela até dá a impressão de ser do tamanho do Brasil.
Isso acontece porque esse tipo de mapa distorce a dimensão das regiões perto dos polos. Mas em um modelo 3D, fica clara a diferença. O tamanho da ilha é próximo à soma das regiões sul e centro-oeste do Brasil. Mas tem apenas 57 mil habitantes.
Só que não é o tamanho do território que chamou a atenção de Trump. Ele está interessado nos minerais e na posição estratégica da ilha. Debaixo desse gelo todo, tem muito petróleo e gás. E uma das maiores reservas não exploradas de terras raras – essenciais para fabricação de smartphones, baterias de carros elétricos e turbinas eólicas, por exemplo.
Sabe quem domina esse mercado hoje? A China, principal rival dos Estados Unidos. Por falar em China, no mapa, a localização da Groenlândia é estratégica, fundamental para chineses e russos. Ela liga o Ártico - onde os dois países mantêm uma presença militar - ao Atlântico Norte. Posição que ganhou ainda mais importância com o aquecimento global. É que o derretimento do gelo está abrindo rotas comerciais e militares mais rápidas entre a Ásia e a Europa.
Trump diz que é uma questão de segurança nacional. Mas a Groenlândia não está nas mãos de um inimigo. Pelo contrário, a Dinamarca está ao lado dos Estados Unidos na OTAN, a Aliança Militar do Ocidente. O grupo tem um artigo que diz: se um país for atacado, todos os outros vão responder juntos. Mas o que acontece se o ataque vier de um integrante do próprio grupo? Ninguém está preparado para isso.
A Europa e a Groenlândia estão ligadas há mais de mil anos. Muito antes de Cristovão Colombo chegar à América ou de Pedro Álvares Cabral avistar o Brasil, foi um viking acusado de assassinato e banido da Islândia que cruzou o oceano. Eric, o vermelho, chegou à Groenlândia , no ano 1982.
A história atribui a ele a criação do nome usado até hoje, que na tradução do inglês significa terra verde. Uma estratégia de marketing pra atrair mais gente pra terra que, na verdade, era coberta de gelo. Mas no século quinze, os vikings abandonaram a ilha. Só no século dezoito, o interesse europeu voltou. Em 1721, a Dinamarca enviou uma expedição e estabeleceu um monopólio comercial na ilha.
A Groenlândia foi uma colônia da Dinamarca até 1953. No fim dos anos 1970, a ilha ganhou autonomia e pôde eleger os próprios governantes. Mas os dinamarqueses ainda são responsáveis pela defesa, política externa e suporte financeiro.
O interesse americano pela ilha não é de agora. A primeira oferta foi em 1867, mesmo ano em que os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia. A Dinamarca recusou. Então veio a segunda guerra mundial. A Alemanha ocupou a Dinamarca e foram os americanos que assumiram a defesa da Groenlândia para evitar o controle nazista.
Depois da guerra, os Estados Unidos fizeram uma nova oferta para comprar a Groenlândia por 100 milhões de dólares em ouro. Copenhague recusou pela segunda vez. Mas isso não atrapalhou a cooperação, Estados Unidos e Dinamarca assinaram um acordo de defesa da Groenlândia - que há mais de 70 anos permite a presença militar americana na ilha.
Mas Donald Trump quer mais do que isso. A Dinamarca, não. De quem será a palavra final?
Trump ameaça tarifaço contra países que forem contra a tomada da Groenlândia; entenda por que ilha é um ‘grande negócio’
Published 4 hours ago
Source: g1.globo.com
Categories
G1
Related Articles from g1.globo.com
1 hour ago
Disputa pela Groenlândia: EUA já compraram ilhas da Dinamarca; conheça a história
1 hour ago
Chefe do PCC namorado de delegada ensinava técnicas de tortura para jovens da facção em Roraima; VÍDEO
1 hour ago
Haja fome! Parmegiana gigante de 182 metros e mais de uma tonelada é servida de graça em cidade do RS
1 hour ago
VÍDEO: Veja como estão as buscas pelas crianças desaparecidas após 14 dias em Bacabal, no MA
1 hour ago
'Estou toda machucada', diz jovem que precisou se agarrar a árvore ao ser surpreendida por tornado no Paraná
1 hour ago