Sem açúcar, glúten e lactose: ele criou doces para diabéticos — hoje fatura R$ 45 mil por mês

Published 5 hours ago
Source: g1.globo.com
Sem açúcar, glúten e lactose: ele criou doces para diabéticos — hoje fatura R$ 45 mil por mês

Confeiteiro fatura 45 mil reais por mês com doces sem glúten, açúcar e lactose 🍬🚫Se você nunca ouviu falar em "doces inclusivos", provavelmente já esbarrou em alguém que não pode comer glúten, lactose ou açúcar e que vive em busca de sobremesas que não causem mal-estar. É exatamente esse público, cada vez maior, que movimenta um tipo de confeitaria criada para incluir quem, por muito tempo, precisou ficar de fora do momento do docinho. E é nesse nicho que o chef pernambucano Ywri Rafael construiu um negócio que hoje fatura cerca de R$ 45 mil por mês. A história dele começa em Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, onde uma barraca de feira virou ponto de encontro nos fins de semana. Ali, tortinhas coloridas, bolos altos e doces com cara de confeitaria francesa chamam a atenção pela beleza — mas principalmente pelo que não têm: trigo, leite e açúcar. São produtos feitos para pessoas com restrições alimentares, mas que priorizam sabor, textura e apresentação. Embora cada confeiteiro tenha sua linha de trabalho, a lógica é a mesma: adaptar receitas para que pessoas com alergias, intolerâncias ou doenças como diabetes possam comer sem medo. No caso de Ywri, a transformação da receita parte da substituição dos ingredientes que formam a base da confeitaria tradicional. No lugar da farinha de trigo, entra a farinha de mandioca. A doçura vem da fibra isolada da mandioca, um subproduto que se comporta como açúcar nas preparações, mas sem elevar a glicose no sangue. O chef explica que essa fibra age de forma parecida com o açúcar na estrutura e na textura das massas. O resultado são bolos, tortas e doces que entregam a experiência completa — sabor, equilíbrio, maciez — mas sem ingredientes restritivos. É essa combinação de técnica com ingredientes acessíveis que transforma o doce inclusivo em um produto que agrada tanto quem precisa evitar certos componentes quanto quem simplesmente busca uma alimentação mais cuidadosa. Ywri Rafael não usa trigo, leite e ovos nas receitas Globo/ Reprodução Como esse tipo de produto virou negócio lucrativo? A resposta passa por uma mistura de necessidade, estudo e oportunidade. A virada na vida do chef aconteceu quando ele descobriu que a mãe havia se tornado diabética, justamente enquanto ele estudava gastronomia no Paraná. Foi nesse momento que ele decidiu voltar para Pernambuco para pesquisar alternativas que permitissem que ela voltasse a comer doces de forma segura. O que começou como um gesto familiar virou empreendimento. Com apenas R$ 70, Ywri assava bolo de macaxeira no forno de casa e vendia nas praias de Recife. Depois, migrou para as feiras, onde encontrou o público certo — pessoas que buscavam doces seguros, saborosos e que oferecessem confiança. A mudança de ambiente foi decisiva. Nas feiras, o produto encontrava quem realmente precisava dele, e as vendas cresciam com a recomendação boca a boca. Com o tempo, a produção deixou de ser artesanal e passou a ser estruturada: hoje são cerca de 140 kg de massa por semana, além de cerca de 200 doces prontos. O negócio ganhou forno profissional, máquinas e uma equipe para acompanhar a demanda. O crescimento acelerado exigiu organização. Foi aí que o irmão do chef, Kauan Thiago, estudante de contabilidade, entrou como sócio. Ele assumiu a parte administrativa: planilhas, estoque, compras e controle financeiro. Segundo ele, a regra é simples: toda compra, seja de ingredientes ou de equipamentos, precisa ser alinhada para evitar desperdício. A chegada de Kauan trouxe estabilidade, planejamento e controle. Com essa divisão clara entre criação e administração, o negócio viu o faturamento estabilizar em torno de R$ 45 mil mensais. O impacto do que Ywri produz aparece no rosto dos clientes. Muitos voltam depois de anos evitando doces, inseguros sobre o que podiam comer. Outros encontram na confeitaria uma alternativa para manter a alimentação equilibrada sem abrir mão do prazer do sabor. Doces de confeitaria inclusiva não têm glúten, lactose e açúcar Manuê Confeitaria Inclusiva Uma nova fase: a loja própria Com o negócio consolidado nas feiras e no delivery, a confeitaria chegou ao próximo passo: a abertura da primeira loja física. O espaço foi planejado para ser acolhedor, com inspiração em casa de vó, e com uma cozinha de vidro para que os clientes vejam tudo sendo produzido — transparência que o chef considera fundamental para quem depende de confiança ao consumir. A ideia é manter a proposta original: incluir, acolher e entregar doces bonitos, saborosos e seguros. E provar que, com técnica e propósito, é possível transformar desafios em oportunidade e transformar doces inclusivos em um negócio lucrativo.

Categories

G1