Redação nota mil no Enem: estudantes do Recife conseguem pontuação máxima e relatam rotinas diferentes de estudo

Published 4 hours ago
Source: g1.globo.com
Redação nota mil no Enem: estudantes do Recife conseguem pontuação máxima e relatam rotinas diferentes de estudo

Estudantes pernambucanos que tiraram mil na redação do Enem comentam rotina de estudos Ao menos dois dos alunos que atingiram mil pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) são pernambucanos e moram no Recife. Caio Silva Braga, de 18 anos, e Wellington Ribeiro, de 19, que obtiveram a pontuação máxima, conversaram com o g1 e falaram sobre a rotina de estudos e a grata surpresa na hora de conferir o resultado, liberado nesta sexta-feira (16). Em 2025, o tema da redação do Enem foi "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira". Para ambos os jovens, o assunto foi recebido com conforto e trouxe possibilidades variadas de abordagem (veja vídeo acima). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp “Gostei bastante do tema, me senti bem feliz com a ideia que tive na hora. Sempre parei bastante para pensar antes de escrever as minhas redações. Gostei dos textos de apoio, acho que entendi bem a ideia deles”, disse Caio Braga. Para Wellington Ribeiro, o assunto da redação foi mais fácil de ser trabalhado que o das últimas edições, que abordaram desafios para a valorização da herança africana; o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher; e a valorização de comunidades e povos tradicionais. “Fiquei muito tranquilo. Primeiro, pela preparação, pelo esforço que tive. Quando eu olhei, de cara, já realmente gostei. Não foi um tema que me trouxe medo. Acho que até é comentado por profissionais da área que foi um tema tranquilo em comparação aos outros anos”, apontou. Apesar de ambos os estudantes terem atingido a nota máxima, os objetivos de Caio e Wellington foram bem diferentes, assim como a metodologia de estudo, provando que não há “receita de bolo” para se dar bem na redação do Enem. Tranquilidade e equilíbrio na rotina Caio Silva Braga, de 18 anos, estuda ciência da computação tirou mil na redação no Enem Acervo pessoal/Reprodução Aos 18 anos, Caio Braga já é aluno do terceiro período do curso de Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ele orienta estudantes das áreas de matemática e de linguagens e ainda ministra uma disciplina eletiva na escola onde estudou desde o 9º ano. Sem interesse em mudar de área ou cursar uma nova faculdade, Caio conta que não seguiu nenhum cronograma de estudos durante 2025 e optou por fazer o Enem como uma forma de trazer visibilidade para o próprio trabalho — além de acompanhar o que vem sendo abordado na prova, já que a ideia é continuar realizando mentorias. “Acho que faz parte da experiência do professor entrar em contato com a prova. Eu não estudei nesse ano. A única redação que fiz foi a do Enem, não fiz nenhuma outra. Orientei e corrigi outras redações na minha mentoria, mas eu não tinha feito nenhuma redação”, comentou. Com o ensino médio concluído em 2024 e na faculdade desde o início de 2025, o jovem tutor acredita que estar livre da pressão para ingressar no ensino superior facilitou a concentração na hora de escrever. Para o universitário, o caminho para um bom desempenho na hora da prova precisa contemplar estudos com profundidade, equilíbrio mental e emocional e uma rotina equilibrada, com tempo adequado para momentos de lazer. “Nunca me privei de nada. Eu digo para todo mundo que saí todos ou quase todos os fins de semana do meu terceiro ano. Sempre fui de jogar bola, do time do colégio, de fazer academia… Nunca me privei de namorar, sair com meus amigos, de ter tempo de lazer. Sempre prezei por ter pelo menos uma hora de lazer no meu dia”, relembrou. Em relação ao tema da redação do último ano, o jovem acredita que o principal diferencial foi se ater realmente às perspectivas sobre o envelhecimento, evitando ponderar apenas sobre os desafios, como havia sido proposto nas edições anteriores. “Muita gente espera um tema que venha com desafios, muito do que é ‘engessado’ de ser praticado na redação. [...] Eu coloquei em cada parágrafo uma perspectiva diferente acerca do envelhecimento do Brasil. No primeiro parágrafo, coloquei uma perspectiva dos povos originários e indígenas. Segundo parágrafo, uma perspectiva histórica. No terceiro, uma perspectiva atual, mais detalhada na abordagem”, disse. Foco no cronograma de estudos Wellington Ribeiro, de 19 anos, espera ingressar no curso de direito Wellington Ribeiro/Divulgação Wellington Ribeiro, assim como Caio, concluiu o ensino médio em 2024. Mas, aspirando uma vaga no curso de direito, dedicou o ano de 2025 aos estudos, com atenção especial à prática de redação. Para isso, fez aulas online e presencialmente. “Foi um processo. Eu entrei no presencial, inicialmente, e depois fui para o online. Sempre me dediquei muito ao processo. A redação é um aprendizado, você erra e acerta, erra e acerta. Então, conseguir isso é com esforço e dedicação”, comentou. Na hora da prova, para ele, a atenção redobrada à gramática foi essencial para não perder pontos preciosos na hora da correção. “Todo o conhecimento, principalmente gramatical, é uma coisa que fez muita diferença na nota. A questão gramatical, que a pessoa só pode errar duas vezes, tira muito ponto em cima dos alunos. Acho que o meu forte foi esse, a questão gramatical e a argumentação”, apontou. Tão importante quanto a gramática impecável, o estudante apontou que um bom repertório textual é essencial para trazer robustez ao conteúdo. Em sua redação, Wellington escolheu citar um poema da consagrada escritora Clarice Lispector. “Eu abordei uma visão histórica e depois trouxe uma visão mais crítica ao governo mesmo. Citei a Lei dos Sexagenários e o poema Feliz Aniversário de Clarice Lispector, que fala exatamente sobre essa questão da exclusão dos idosos”, relembrou. Além das aulas de redação, o cronograma de estudos de Wellington contemplou uma rotina semanal de simulados para todas as áreas do conhecimento. Com o bom desempenho, o jovem agora administra a ansiedade e espera conseguir a tão sonhada vaga no curso de direito. “Eu abri [a nota] logo assim que saiu, tipo uns 10 minutos depois. Não consegui dormir. Estou bastante nervoso, porque é uma coisa que não acontece qualquer dia. Significa muito para mim, porque eu treinei muito para isso”, contou. Caio Braga e Wellington Ribeiro tiraram mil na redação do Enem Montagem/g1 VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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