
Polícia prende PM suspeito de envolvimento na execução de comerciante apontado como lobista na Zona Leste de SP A Polícia Civil encontrou dois rastreadores no batalhão dos policiais militares suspeitos de envolvimento na execução do lobista Luis Francisco Caselli, assassinado a tiros em novembro passado na Vila Formosa, Zona Leste de São Paulo. Os equipamentos estavam guardados em armários na sede do 6° Batalhão de Ações Especiais (Baesp) de São Bernardo do Campo, na região metropolitana, onde atuam os seis agentes presos na última sexta-feira (16). Ao determinar a prisão temporária dos PMs, a juíza Isadora Botti Beraldo Moro afirmou que existem indícios de que eles sejam "integrantes funcionais de uma engrenagem de monitoramento, vigilância e execução". A polícia chegou aos suspeitos depois de encontrar um rastreador instalado no carro da vítima. O equipamento foi usado para monitorar os deslocamentos de Caselli antes do crime, de acordo com a investigação. O primeiro PM a ser preso foi Hélio Passos, apontado como responsável pela compra de quatro rastreadores em maio de 2024. Os aparelhos foram fornecidos por Clévio Queiroz dos Santos, que também está preso. Em depoimento, ele negou participação no crime e disse que o comprador entrou em contato solicitando o desligamento de um rastreador no dia da execução. Luis Francisco Caselli foi morto por volta das 18h30 do dia 24 de novembro, quando chegava em casa de carro. Reprodução No celular de Passos, a equipe de investigação encontrou conversas em que ele falava sobre a prisão de Clévio com outro PM suspeito e mensagens em que associava os equipamentos de monitoração aos outros membros do grupo. O g1 apurou que, em depoimento, Hélio Passos disse que buscou os rastreadores a pedido do segundo sargento Israel Venicios Loss, que também está preso e, segundo a investigação, locava o equipamento para terceiros. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), as prisões foram resultado de investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) com apoio da Corregedoria da PM, que apontou participação dos agentes no crime. O DHPP segue com as investigações para esclarecer todas as circunstâncias do crime. Os policiais presos foram levados ao presídio Romão Gomes, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A prisão temporária tem prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30. A Justiça também determinou a quebra do sigilo telemático de aparelhos apreendidos. A defesa dos suspeitos não foi localizada pela reportagem do g1. Execução registrada por câmeras Luis Francisco Caselli foi morto por volta das 18h30 de 24 de novembro, quando chegava em casa de carro. Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens em uma moto se aproximando do veículo. O garupa desce, saca uma arma e dispara ao menos três vezes à queima-roupa contra a vítima. Após os disparos, o atirador vai até a parte traseira do carro e tenta retirar um objeto. Para os investigadores, ele tentava recuperar o rastreador instalado no veículo. Antes de conseguir retirar o equipamento, o carro ainda se movimenta por alguns metros e colide com outro veículo. Em seguida, os criminosos fogem. Caselli chegou a ser socorrido e levado ao Hospital do Tatuapé, mas não resistiu aos ferimentos. Histórico criminal da vítima Segundo a Polícia Civil, Luis Francisco Caselli atuava como lobista de empresas no poder público e tinha diversas passagens pela polícia por estelionato. De acordo com o Ministério Público Federal, ele chegou a se passar por delegado da Polícia Federal em alguns golpes, contando com a ajuda de policiais. A principal linha de investigação é a de que o comerciante tenha sido alvo de uma execução planejada.
