Mais de 430 obras que recebem recursos federais estão paradas no Amazonas

Published 3 hours ago
Source: g1.globo.com
Mais de 430 obras que recebem recursos federais estão paradas no Amazonas

Obras do Parque Encontro das Águas em Manaus Antonio Pereira/Semcom O Amazonas tem 438 obras públicas paralisadas que recebem recursos federais, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). Ao todo, o estado soma 734 projetos financiados com verbas da União, entre obras concluídas, em andamento e interrompidas. Os dados fazem parte de um painel nacional que monitora empreendimentos públicos e mostram que intervenções de diferentes áreas seguem sem conclusão no estado, incluindo obras de saneamento básico, mobilidade urbana, saúde e equipamentos públicos. De acordo com o painel do TCU, o Amazonas reduziu o número de obras paralisadas de 452, em 2024, para 438, em 2025. Apesar da pequena queda, os valores envolvidos chamam atenção. Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O investimento total previsto chega a R$ 4,2 bilhões, dos quais R$ 1,3 bilhão correspondem a obras que estão paradas. O levantamento aponta ainda que R$ 439,5 milhões já foram gastos em projetos que seguem sem conclusão. Em Manaus e em outros municípios, a paralisação afeta diretamente a rotina de moradores, que convivem com estruturas inacabadas e serviços que não chegam a funcionar. Passarela derrubada aumenta risco na Torquato Tapajós Em uma das avenidas mais movimentadas de Manaus, a situação também preocupa. Na Avenida Torquato Tapajós, a passarela que existia no local foi derrubada em julho de 2024 após ser atingida por uma carreta. Um ano após o acidente, a Prefeitura de Manaus informou que vai arcar com as obras de reconstrução da estrutura, uma vez que a seguradora acionada não reconheceu a responsabilidade pelo ressarcimento, e o caso foi judicializado. As obras, no entanto, não avançaram. Desde então, pedestres precisam atravessar a via utilizando um semáforo, disputando espaço com o intenso fluxo de veículos. Moradores e trabalhadores da região relatam medo e insegurança ao atravessar a avenida diariamente. Passarela foi derrubada em julho de 2024 e obras não avançaram desde então. Márcio Melo/Seminf Parques prometidos seguem sem entrega Outras obras aguardadas há anos também seguem sem conclusão. O Parque Encontro das Águas Rosa Almeida, anunciado como um importante espaço de lazer e turismo, continua sem ser entregue, mesmo após o início dos trabalhos. Na Zona Centro-Sul, a construção da nova sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, dentro do Parque Ponte dos Bilhares, também está parada. O projeto, anunciado em 2023, foi alvo de questionamentos por ocupar uma área de preservação ambiental. Atualmente, o local apresenta vigas suspensas e sinais de abandono. Hospital do Sangue segue fechado Entre as obras com recursos federais está o Hospital do Sangue, do Hemoam. A unidade é uma promessa antiga e, em outubro de 2022, o governador Wilson Lima afirmou, em entrevista à Rede Amazônica, que a estrutura estava pronta e aguardava apenas a instalação de móveis e equipamentos. Mesmo assim, o hospital segue sem funcionamento, o que afeta diretamente pacientes que dependem do serviço. A dona de casa Greice Medeiros relata que o filho faz tratamento há muitos anos e enfrenta dificuldades devido à falta de atendimento adequado. "O meu filho já está há sete anos nessa luta, porque ele foi diagnosticado aos três aninhos de idade. E aí fizemos todo o tratamento e ele passou uns cinco anos, seis ano. Entrou na remissão, mas infelizmente nós tivemos a notícia que teve a recaída.Tivemos essa surpresa de novamente voltarmos e vermos as mesmas situações, até pior, na verdade. Eu tenho conhecido outras mães que perderam as suas crianças por falta de recursos", contou. Veja como está o andamento das obras do Hospital do Sangue em Manaus Casa da Mulher Brasileira está parada desde 2023 No bairro Petrópolis, Zona Sul da capital, a Casa da Mulher Brasileira, que deveria funcionar como espaço de acolhimento e atendimento humanizado para mulheres em situação de violência, também está com as obras paralisadas desde 2023, apesar de contar com recursos federais. Saneamento parado afeta moradores na Zona Leste No bairro Parque Mauá, na Zona Leste de Manaus, moradores relatam dificuldades causadas por uma obra de saneamento básico que, segundo a comunidade, está paralisada desde outubro de 2024. Buracos, lama, acúmulo de sujeira e risco de acidentes fazem parte da rotina de quem vive na área. A dona de casa Maria Eduarda Chaves contou que os problemas vão além do desconforto. Segundo ela, o pai, que faleceu há poucos meses, enfrentava dificuldades para se locomover na região, e ambulâncias tinham dificuldade para acessar o local por causa das condições da via. "Vai fazer dois meses que meu pai faleceu. Está com esse período de chuva, a situação fica feia. Meu esposo teve que levar carregado meu pai porque ele era cadeirante. Levou carregado porque nem o Samu entrou", contou. Falta de planejamento e fiscalização, aponta especialista Para o especialista em gestão pública Lúcio Carril, a demora na conclusão das obras no Amazonas está ligada a uma série de fatores, como falta de planejamento, falhas na fiscalização e descumprimento da legislação orçamentária por parte dos gestores públicos. "Obra inacabada, obra que demora muito para ser concluída, se não for por nenhum interfério, é por falta de planejamento do poder público. Nós temos a Lei Orçamentária, você planeja os valores a serem gastos no ano seguinte. Tem a Lei de Diretrizes Orçamentárias que diz como vai ser aplicado esses recursos. Isso são dois elementos fundamentais para se fazer um planejamento. Gestão pública é planejar, executar para poder apresentar o serviço", explicou Carril. O que dizem os órgãos públicos A Rede Amazônica solicitou entrevistas com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e com a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra). A Seinfra informou, por meio de nota, que entre 2019 e 2025 foram concluídas 734 obras em todo o estado e que outras 148 estão em andamento. No entanto, não houve manifestação específica sobre a Casa da Mulher Brasileira nem sobre o Hospital do Sangue. A Secretaria Municipal de Infraestrutura não respondeu até a publicação desta reportagem.

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