
Juiz é sequestrado na Av. Rebouças, em SP, e libertado após mais de 30 horas em Osasco O juiz e auditor fiscal que havia sido feito refém e libertado do cativeiro nesta terça-feira (20) foi escolhido aleatoriamente pelos criminosos, que o abordaram na Avenida Rebouças, na Zona Oeste de São Paulo, como alvo de um sequestro-relâmpago. Segundo o delegado Fábio Nelson, chefe da Divisão Antissequestro (DAS) de São Paulo, os cinco criminosos presos pegaram o juiz Samuel de Oliveira Magro na noite de domingo (18) sem nenhum estudo de sua rotina. Esse auditor fiscal [juiz] foi vítima de um sequestro-relâmpago por oportunidade. A rotina dele não foi estudada. Ele estava na Rebouças quando parou um pouco o veículo e foi abordado por dois homens armados, que estavam acompanhados por outros homens, que levaram o veículo dele. Então, ele é deslocado para um cativeiro na cidade de Osasco. As informações foram apresentadas durante uma entrevista coletiva na manhã desta terça-feira. Posteriormente, a Polícia Civil passou a suspeitar que o juiz tenha sido vítima do chamado "golpe do amor", em que criminosos criam perfis falsos em aplicativos de relacionamento. O delegado Fábio Nelson explicou que a vítima já havia sofrido o mesmo golpe em 2021. Por essa razão, como medida de segurança, teria combinado uma palavra-chave para avisar o companheiro caso estivesse em perigo. Durante o sequestro, no domingo, o companheiro conseguiu fazer uma ligação para o juiz, que atendeu e conseguiu transmitir o alerta, mesmo sob ameaça. “Ele [a vítima] lançou uma palavra-chave que apontou que ele estava em risco. Esse indivíduo acionou o 78° DP, que nos acionou. Nós fizemos uma séria de investigações e prendemos esses cinco sequestradores com a vítima”, completou. Conforme o g1 publicou, Samuel Magro ficou mais de 30 horas em poder dos sequestradores e foi libertado do cativeiro pelos agentes da 2ª Delegacia Antissequestro (DAS/DOPE) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Cúpula da Secretaria de Segurança Pública de SP realiza coletiva de imprensa nesta terça-feira (20), em São Paulo. Reprodução/Youtube Segundo o delegado-geral de polícia de São Paulo, Arthur Dian, os cinco criminosos presos em flagrante com o juiz no cativeiro de Osasco já tinham passagem pela polícia e faziam parte de uma quadrilha especializada em sequestro-relâmpago. “É uma quadrilha e alguns têm passagens pela polícia, inclusive, com menor de idade também nessa quadrilha. As pessoas não conseguiram adentrar [no apartamento] por causa do código, a palavra-chave que o companheiro entendeu e conseguiu acionar a polícia”, afirmou Dian. O delegado da DAS afirmou que os criminosos chegaram a tentar fazer transferências bancárias com o celular da vítima, mas não conseguiram. Fábio Nelson afirmou que o juiz estava muito abalado ao ser libertado e teve que ser levado a um hospital, onde depois se reencontrou com a família. “A vítima estava um pouco abatida porque é um crime muito grave. É uma situação que atinge não só aquela pessoa, mas todo o núcleo familiar. Ele estava muito traumatizado e esse trauma vai seguir com ele por ser um crime muito grave. Ele passou pelo hospital e depois, na delegacia, se reencontrou com a família, o que é sempre uma cena muito emocionante”, contou. O delegado da DAS também afirmou que, em 2021, o juiz já tinha sido alvo do chamado ‘golpe do amor’, onde criminosos marcam encontros com as vítimas em aplicativos de relacionamento. “Em 2021, essa vítima foi vítima de golpe do amor. Em 2022, tivemos fenômeno associado ao encontro afetivo por app, vítimas marcavam e eram sequestradas. No ano de 2021 iniciou esse fenômeno criminal em São Paulo, decorrente dos avanços tecnológicos e do pix. Houve uma diminuição grande desse tipo de crime. Em 2022 a DAS atendeu 115 casos e ano passado 3 casos. Foi uma diminuição muito grande. Mais recentemente ele foi vítima de um sequestro relâmpago mais tradicional. Ocasionalmente ele deu oportunidade pra ser sequestrado”, declarou. Delegado diz que sequestro de juiz na Av. Rebouças, em SP, foi escolha aleatória dos criminosos Palavra-chave O uso de uma palavra-chave previamente combinada fez o companheiro de um juiz que tinha sido sequestrado perceber que ele estava em apuros e chamar a polícia. O refém foi solto do cativeiro na manhã desta terça-feira (20) em São Paulo. Cinco criminosos foram presos. A vítima é Samuel de Oliveira Magro, auditor fiscal e juiz do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT), vinculado à Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz). O TIT julga processos administrativos tributários e é composto por juízes representantes da Fazenda e juízes representantes dos contribuintes. O refém havia sido levado pelos bandidos na noite de domingo (18), quando estava na Avenida Rebouças, perto da Rua Oscar Freire, área nobre da Zona Oeste, e colocado em um cativeiro localizado em Osasco, na Grande SP. A palavra de segurança não foi divulgada. O companheiro dele, Paulo, também contou à polícia que o síndico do prédio onde Samuel mora recebeu mensagem do juiz autorizando a entrada de pessoas no apartamento para uma vistoria, o que não era comum e suspeita-se que tenha sido enviada sob coação. Não havia sinais de invasão no imóvel. A ação de resgate foi conduzida por agentes da 2ª Delegacia Antissequestro (DAS/DOPE) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Os presos serão levados para a DAS, que fica no prédio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no Centro de São Paulo.
