Jiboia considerada uma das mais raras do mundo é encontrada no interior de SP

Published 6 hours ago
Source: g1.globo.com
Jiboia considerada uma das mais raras do mundo é encontrada no interior de SP

Jiboia considerada uma das mais raras do planeta é encontrada em Juquiá Uma jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii), considerada pelo Instituto Butantan uma das espécies mais raras do mundo, foi resgatada viva em Juquiá, no interior de São Paulo. O animal, uma fêmea adulta de 1,70 m, está sob supervisão do Projeto Jiboia do Ribeira (PJR) e permanece em quarentena no Instituto Rio Itariri (IRI), em Pedro de Toledo, até ser reintroduzido na natureza. Segundo a pesquisadora Daniela Gennari, do Museu de Zoologia da USP e integrante do PJR, a espécie deve ser transferida para um viveiro semi-intensivo no próximo fim de semana, ambientado pelo especialista em bem-estar animal Lucas do Valle, que prepara o espaço com condições naturais de chuva, umidade e variação de temperatura. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. A serpente permanecerá nesse ambiente por alguns meses antes da soltura definitiva. Além disso, passará por avaliação clínica para implantação de microchip, procedimento que depende de exames e cirurgia em clínica especializada. Por isso, ainda não há previsão para a reintrodução na natureza. Este é o primeiro exemplar vivo capturado em Juquiá. Pesquisadores buscam identificar se ele pertence a uma nova população da espécie no Vale do Ribeira. Até hoje, apenas três cobras haviam sido monitoradas na região, em Sete Barras e Eldorado. Jiboia-do-Ribeira foi encontrada e capturada em Juquiá (SP) Daniela Gennari “É um monte de perguntas em aberto que a gente tem sobre essa espécie, que a gente atua com a comunidade do Vale do Ribeira para obter essas respostas”, disse Daniela. 🗳️ Votação para a escolha do nome: Na próxima semana, o PJR deve lançar uma votação nas redes sociais para escolher o nome da jiboia. A iniciativa busca aproximar a comunidade da conservação da espécie e já mobiliza moradores da região. Como ela foi encontrada? Butantan desenvolve diversas pesquisas no Vale do Ribeira por conta da ocorrência da jiboia-do-Ribeira (Corallus cropanii), espécie criticamente ameaçada e que habita somente essa região harisson/iNaturalist De acordo com o pesquisador Bruno Rocha, coordenador do PJR, a localização da jiboia ocorreu após o avistamento de outro exemplar em abril de 2025, que não pôde ser capturado. Segundo a pesquisadora Daniela Gennari, as ações de educação ambiental realizadas na cidade após aquele registro ajudaram moradores a reconhecer a espécie quando este exemplar foi flagrado em 22 de novembro. “Apesar de não ser o animal visto em abril, ele é fruto daquele primeiro registro feito pelo morador Evandro de Ponte Santos”, explicou ela. A cobra foi localizada por funcionários do vereador Thiago Barbosa (PP) em uma estrada rural. Eles acionaram Rafael Guimarães, da empresa PreserValle, que apoiou no resgate e encaminhamento do animal ao Projeto Jiboia do Ribeira. Projeto O Projeto Jiboia do Ribeira (PJR) completa 10 anos de atuação em 2026. Nesse período, três exemplares já foram monitorados e reintroduzidos à natureza: “Esperança”, “Ribeiro” e “Dona Crô” — esta última a primeira acompanhada diretamente em ambiente natural. Após 60 anos sem registros, o primeiro exemplar vivo da espécie foi encontrado em 2017 por moradores do bairro Guapiruvu e monitorado em parceria com pesquisadores do Museu de Zoologia da USP e do Instituto Butantan. Outros dois exemplares surgiram em 2020 e 2022. Com os registros mais recentes em Juquiá (SP), o avistado em abril e o capturado em novembro, o município passa a ser considerado uma área estratégica para a ocorrência da jiboia-do-ribeira, espécie rara e ainda pouco conhecida. Espécie Características das jiboias do ribeira (Corallus cropanii). Arte TG Descrita em 1953 pelo herpetólogo Alphonse Richard Hoge, do Instituto Butantan, a jiboia-do-ribeira ficou mais de seis décadas sem registros de exemplares vivos. O primeiro reaparecimento ocorreu em 2017, quando moradores de Sete Barras encontraram um animal após 64 anos. Em 2020, outro exemplar foi resgatado no Parque Estadual Intervales (PEI). Ele permaneceu seis meses em cativeiro para garantir saúde e bem-estar, além de passar por análises clínicas e coleta de dados científicos. A cobra recebeu um radiotransmissor antes de ser solta novamente na natureza, em ação apoiada pelo Instituto Butantan. Esses estudos são considerados fundamentais para ampliar o conhecimento sobre a espécie e orientar estratégias de conservação. A última aparição registrada ocorreu em 2022, quando um macho foi encontrado no bairro Guapiruvu, também em Sete Barras, e solto no núcleo Guapiruvu do PEI, o mesmo local onde havia sido visto dois anos antes.

Categories

G1