Delegado desmente boato de que irmãos desaparecidos tenham sido vendidos pela mãe e padrasto: ‘Estão colocando a família em risco’

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
Delegado desmente boato de que irmãos desaparecidos tenham sido vendidos pela mãe e padrasto: ‘Estão colocando a família em risco’

Crianças vistas em hotel em São Paulo não são os irmãos desaparecidos no MA O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa que atua no caso dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, que estão desaparecidos em Bacabal, informou que não procede a informação que circula nas redes sociais de que a mãe e o padrasto teriam vendido as crianças por R$ 35 mil. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp O delegado destacou ao g1, nesta terça-feira (27), que há muitas informações falsas sobre o caso e que esses boatos estão colocando em risco a vida da família das crianças. “Essa informação (que as crianças foram vendidas) não procede, infelizmente com tanta informação falsa, estão colocando a família das crianças em constante risco. Todas as informações que chegam estão sendo checadas, e nenhuma linha de investigação é descartada”, afirmou o Ederson Martins. Ainda de acordo com o delegado, a mãe e o padrasto das crianças não são foco da investigação, pois não há, até o momento, nada que indique que eles praticaram crimes contra os meninos. Em uma postagem nas redes sociais havia o boato de que um valor de R$ 35 mil teria sido localizado em uma conta bancária ligada à mãe das crianças e que a mulher e o companheiro haviam sido indiciados como suspeitos no inquérito do desaparecimento, o que não procede. O delegado destacou ao g1 que nenhuma linha de investigação é descartada, porém, a principal delas é a de que os meninos, de fato, se perderam na mata. “A principal (linha de investigação) desde o início é das crianças realmente terem se perdido na mata”, afirmou. Sobre o fato de nenhum vestígio das crianças ter sido encontrado até agora nas áreas de busca na mata e no Rio Mearim, Ederson Martins destacou que “enquanto não tiver localização de mais indícios, tudo pode ter acontecido”. Todas as pessoas foram ouvidas como testemunhas Essa não é a primeira vez que a força de segurança do estado desmente boatos sobre o caso. No dia 24 de janeiro, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou que todas as pessoas ouvidas até momento, durante a investigação do desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, foram na condição de testemunhas e que “qualquer informação diferente disso é falsa”. “É inaceitável e irresponsável a disseminação de notícias falsas sobre o desaparecimento das crianças no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Boatos apenas ampliam a dor da família e prejudicam diretamente os trabalhos de busca”, afirmou Maurício Martins. O secretário destacou, ainda, que espalhar boatos ou repassar informações falsas às forças de segurança é crime e que o cidadão que insistir nessa prática poderá ser responsabilizado. Além disso, todas as informações oficiais sobre o caso do desaparecimento são divulgadas, exclusivamente, por meio de porta-vozes autorizados ou de notas oficiais. Ainda de acordo com Maurício Martins, as buscas pelas crianças continuam e a Polícia Civil do Maranhão conduz as investigações com rigor técnico e os detalhes não estão sendo divulgados para não comprometer o trabalho policial. Buscas continuam em mata e na margem oposta do Rio Mearim Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidas desde o dia 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Reprodução/Redes sociais As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael completam 24 dias nesta terça e continuam intensas em Bacabal. As equipes de segurança seguem concentradas na mata e na outra margem do Rio Mearim, onde cães farejadores sentiram o cheiro das crianças. Enquanto a investigação segue, as equipes de resgate, com o auxílio de cães farejadores, intensificam os esforços. As operações buscam rastrear os sinais das crianças em regiões de difícil acesso. As crianças estão desaparecidas desde o dia 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Menino encontrado volta pra casa No último sábado (24), o menino de 8 anos, que havia se perdido junto com Ágatha e Allan, foi levado de volta ao povoado São Sebastião dos Pretos. Ele foi encontrado quatro dias após o desaparecimento, debilitado e internado até a última quarta-feira (21). Agora, com o auxílio de Pandora, uma das cadelas farejadoras, o menino está sendo reintegrado à comunidade e recebe apoio psicoterapêutico especializado para lidar com a ansiedade e o medo causados pela experiência de ter ficado perdido. Atividades com Pandora, uma das cadelas farejadoras, ajudam uma das três crianças achada a se reintegrar à comunidade Reprodução/TV Mirante Além disso, o Núcleo Especializado de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais, a pedido do presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Froy Sobrinho, e da presidente do Núcleo, desembargadora Graça Amorim, está em Bacabal para acompanhar de perto o caso. A equipe visitará a comunidade São Sebastião dos Pretos ainda nesta semana para ouvir os moradores e avaliar a situação. Crianças encontradas em SP não são irmãos desaparecidos Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, continuam desaparecidos Reprodução/TV Globo A Polícia Civil de São Paulo descartou a hipótese de que Ágatha e Allan teriam sido vistos em um hotel no Centro da capital paulista. De acordo com a polícia, equipes foram até o endereço apontado na denúncia e constataram que as crianças encontradas não são as mesmas que estão desaparecidas. Leia a nota na íntegra da SSP-SP "A Polícia Civil, por meio da Divisão Antissequestro do DOPE, esclarece que não procede o fato das crianças citadas terem sido encontradas em São Paulo. Os policiais da divisão, cientes da denúncia, foram aos endereços informados e constataram que as crianças ali presentes não são as mesmas que estão desaparecidas". Protocolo Amber Alert A força-tarefa adotou também o protocolo Amber Alert, alerta internacional em caso de desaparecimento de crianças. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o uso do Amber Alert é essencial para ampliar o alcance das buscas pelos irmãos. ➡️ O sistema Amber Alert emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento. ⚠️ O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece ativo no feed de usuários da região. As notificações incluem dados como nome, características físicas e contato para envio de informações (veja na imagem mais abaixo). Segundo o MJSP, o protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou de lesão corporal grave. Informações divulgadas de Ágatha Isabelly e Allan Michael no sistema Amber Alert do Ministério da Justiça Reprodução Sem pistas Depois de varreduras minuciosas em diversas áreas, sem pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas foram reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam. “O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade”, afirmou Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão. Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso. 🔍 Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações. Desde o desaparecimento, buscas em áreas de mata e no rio Mearim ocorreram paralelamente à investigação, conduzida por uma comissão especial de segurança. Uma comissão especial de segurança, composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas. Buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal Reprodução/CBMMA LEIA TAMBÉM: Crianças desaparecidas no MA: Forças de segurança intensificam buscas no rio Mearim com uso de sonar e restringem acesso à área Uma das três crianças que estavam desaparecidas é encontrada com vida no Maranhão Como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram no MA Crianças desaparecidas no Maranhão: veja cronologia do caso Menino ajuda nas busca Após 14 dias internado, o menino de 8 anos que ficou cerca de três dias desaparecido na mata recebeu alta hospitalar no dia 20 de janeiro. A Justiça do Maranhão também autorizou que ele participasse das buscas pelos primos. Um dos locais citados por ele foi a chamado de "casa caída", onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças. Segundo os bombeiros, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, de onde as crianças desapareceram. Mas considerando obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km. Como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram Corpo de Bombeiros do Maranhão ➡️ Pistas dadas por ele ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado. O menino contou que a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa de seu pai. Para evitar serem vistos por um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata. A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. O menino afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar. No sábado (24), ele retornou ao quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, onde vive com a família. Eles, que antes viviam em uma casa simples feita de barro e madeira, ganharam uma nova casa no povoado.

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