
'Alívio', diz irmão de Fernanda Orli após prisão de Sérgio Nagas por assassinato da esposa Após mais de duas décadas de espera, a prisão de Sérgio Nahas trouxe um sentimento de alívio à família de Fernanda Orli, assassinada em setembro de 2002. O empresário foi preso no último fim de semana, na Bahia, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, em junho de 2025, a condenação pelo homicídio da esposa. “Eu estou sentindo alívio por mim e pela minha família, principalmente pelos meus irmãos e pela minha mãe. Isso vai trazer uma tranquilidade para eles. O fato de a Justiça ter sido feita é muito importante. Não só para mim, mas para todo brasileiro e toda brasileira” , afirmou Alexandre Orli, irmão de Fernanda. O irmão contou que o impacto da morte foi ainda maior por causa da coincidência com uma data pessoal. "Muito traumático para mim. Fui enterrar [a Fernanda] no dia do meu aniversário", contou. 'Tremia dos pés à cabeça' Fernanda foi morta com um tiro no coração na noite de 14 de setembro de 2002, na véspera do aniversário de um dos irmãos. Segundo a família, horas antes do crime, ela havia manifestado angústia e a intenção de deixar o relacionamento. “Era véspera do meu aniversário. Ela falou rapidamente comigo, disse que estava angustiada e que ia embora”, relembrou o irmão. De acordo com os familiares, durante uma discussão, Fernanda ligou pedindo ajuda para sair de casa. A mala já estava pronta e escondida no closet. A ligação foi feita para o irmão mais velho, que acionou outro irmão que morava mais perto. “Eu ouvi barulho de porta, ouvi coisas quebrando. Fiquei muito preocupado”, relatou. Quando Alexandre chegou ao local Fernanda já estava morta. “Ao chegar, a polícia já estava lá. Eu tive uma descarga de adrenalina tão forte que tremia dos pés à cabeça”, disse. Versão de suicídio foi contestada Na época, Sérgio Nahas alegou que Fernanda havia cometido suicídio, versão contestada pelas investigações. O laudo da Polícia Técnico-Científica concluiu que os disparos não poderiam ter sido feitos pela própria vítima, já que não havia vestígios de pólvora em suas mãos. A arma usada no crime pertencia a Nahas e não tinha registro, assim como outras encontradas no apartamento. Processo se arrastou por mais de duas décadas O empresário chegou a ser preso por porte ilegal de arma, mas foi solto após 37 dias e respondeu ao processo em liberdade. Durante esse período, se casou novamente e teve dois filhos. A defesa apresentou sucessivos recursos, o que adiou o julgamento por anos. “Foram recursos para ir atrasando. Uma estratégia que, muitas vezes, busca a prescrição”, avaliou a defesa da família de Fernanda. O julgamento só ocorreu em 2018, 16 anos após o crime. Sérgio Nahas foi condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto. Posteriormente, a pena foi aumentada para oito anos e dois meses pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Como o crime ocorreu antes da aprovação da Lei do Feminicídio, em 2015, o caso foi julgado com base na legislação vigente à época. Prisão após condenação definitiva Todos os recursos se esgotaram apenas em junho de 2025, quando o STF manteve a condenação. A Justiça de São Paulo expediu então o mandado de prisão, mas Nahas não foi localizado e passou a ser considerado foragido. Ele foi preso no sábado passado após ser identificado por uma câmera de reconhecimento facial na Praia do Forte, no litoral da Bahia, onde estava hospedado em um condomínio de luxo. Com ele, a polícia encontrou cocaína e três celulares Em nota, a defesa afirmou que Nahas já morava na Bahia havia alguns anos e alegou que ele é idoso e tem graves problemas de saúde. Para a família de Fernanda, a prisão representa o fim de um longo ciclo de sofrimento. “A família ficou presa enquanto ele vivia livre, sorridente. Demorar 23 anos para que a Justiça fosse efetivada é injusto”, disse XX, advogado da família. “Espero que ele cumpra a pena em regime fechado, sem benefícios. Que pague pelo que fez”, afirma o irmão, Fernando Orli. 'Alívio', diz irmão de Fernanda Orli após prisão de Sérgio Nagas por assassinato da esposa Reprodução/TV Globo Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Sérgio Nahas é preso 24 anos após assassinar esposa Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.
