Abandono do Parque Ary Barroso, na Penha, vira alvo de ação na Justiça

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
Abandono do Parque Ary Barroso, na Penha, vira alvo de ação na Justiça

Abandono do Parque Ary Barroso, na Penha, vira alvo de ação na Justiça O abandono do Parque Ary Barroso, na Penha, Zona Norte do Rio, foi parar na Justiça. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com uma ação civil pública contra o estado e o município e pede uma indenização de R$ 10 milhões por causa da degradação da área. O local tem grades quebradas, mato alto em alguns trechos e ausência de grama em outros pontos. O portão principal está lacrado e onde antes existia uma cascata, há apenas água parada da chuva. O cenário está distante do que já foi o parque, criado na década de 1960 para ser a maior área de lazer da região da Penha. A degradação, que avança há anos, virou caso de Justiça. Segundo o MPRJ, a área sofre com descaracterização, abandono, ocupação irregular e péssimo estado de conservação. Entre os principais problemas apontados está a ocupação de grande parte do parque por estruturas que não respeitam o tombamento da área. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Parque Ary Barroso, na Penha Reprodução/TV Globo A Promotoria cobra a transferência e a demolição das instalações da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e de uma unidade da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. De acordo com a ação, essas estruturas foram autorizadas de forma provisória e emergencial, com a promessa de que seriam removidas em curto prazo. Quinze anos se passaram, e tudo continua no mesmo lugar. “De 20 anos pra cá tiraram cascatas, 2008 botaram a UPA no lugar do parquinho infantil e a UPP o lugar das quadras em 2010. A gente não quer que não tenha segurança no Parque Ary Barroso, queremos segurança. Queremos a Guarda Municipal com a Polícia Militar, mas essas estruturas são totalmente inviáveis”, diz o fundador do Movimento Parque Ary Barroso Livre, Arthur Lucena. Moradores tentam, por conta própria, promover atividades de arte, esporte e educação ambiental dentro do parque, mas reconhecem que uma revitalização efetiva depende de uma ação do poder público. “A gente só gostaria de ver a corrente sendo aberta, a porta sendo aberta, aqui tendo atividade livre pra criançada, adolescente”, diz uma moradora. Parque Ary Barroso, na Penha Reprodução/TV Globo Os promotores afirmam que os problemas ambientais no parque impactam a regulação do microclima, causam poluição, dificultam a renovação do ar e prejudicam a drenagem do solo. Além da indenização de R$ 10 milhões por danos ao patrimônio histórico, o MPRJ pede que estado e prefeitura sejam obrigados a implementar um plano de recuperação da área. Para os moradores, a preocupação é com a única área verde de lazer do bairro. “Ele já foi referência para construção de outros parques na cidade, já foi ponto de convergência de famílias, ponto de alegria e reunião. Ele tenta se manter assim, mas é muito difícil. Faltam políticas públicas pra manter a importância e relevância desse parque na história da cidade”, diz Hugo Costa. Parque Ary Barroso antes do abandono Reprodução/TV Globo O que dizem as autoridades O governo do estado afirmou que o Parque Municipal Ary Barroso é de responsabilidade do município. O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) informou que notificou a prefeitura em 2023, 2024 e 2025 para realizar a manutenção do espaço. Sobre as instalações estaduais dentro do parque, o governo disse que a UPA da Penha é fundamental para garantir o atendimento à população, mas não informou se pretende transferir a unidade de saúde para outro local. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora afirmou que parte da estrutura da UPP foi desmobilizada e retirada, e que atualmente funciona no parque apenas uma base administrativa. Já a Prefeitura do Rio disse que ainda não foi notificada e contestou que o Parque Ary Barroso esteja abandonado. Segundo a prefeitura, a Comlurb realiza manutenção e limpeza constantes no local. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima informou que há uma reforma programada para começar em março, que está em fase de licitação. A prefeitura também afirmou que o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) que funciona no parque não tem estrutura provisória e realiza quase dois mil atendimentos por mês, mas não informou se pretende transferir a unidade para outro endereço.

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