Família acusa hospital particular de negligência após morte de professora aposentada no Acre

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
Família acusa hospital particular de negligência após morte de professora aposentada no Acre

Nadir Nazaré de Souza, de 84 anos, morreu nessa quinta-feira (22), na capital; família acusa hospital de negligência Arquivo pessoal Após a morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, na manhã dessa quinta-feira (22), em Rio Branco, a família acusa a empresa Unimed de negligência médica devido a um suposto excesso na dosagem da medicação aplicada. Um laudo médico recebido pela família apontou a causa como insuficiência cardíaca, segundo um filho da idosa. Ao g1, a Unimed Rio Branco disse que não vai comentar sobre o caso. O filho de Nadir, Sérgio Roberto Gomes de Souza, também professor universitário, contou que a mãe foi internada no dia 11 de janeiro para tratar um problema de artrose. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp “Fomos ao Pronto Atendimento e ela estava muito bem. Após os exames da artrose, foi detectado que tinha uma certa deficiência de sódio, visto que tinha uma concentração de 115mEq/L [miliequivalente por litro, medida médica] , abaixo da média indicada de 136, como comprovado nos exames”, relatou. ‘Faz Bem’: especialista alerta sobre artrite e artrose em qualquer idade Nadir foi enterrada na manhã desta sexta-feira (23) no Cemitério Morada da Paz, em Rio Branco. Em nota, a Associação dos Docentes da Ufac (Adufac) prestou homenagem a ela, já que Sérgio Roberto atua na universidade. O texto classificou o procedimento como 'mal conduzido'. (Confira mais abaixo). O filho de Nadir disse ainda que uma avaliação médica recomendou que a idosa fizesse a reposição de sódio usando soluções salinas intravenosas. Contudo, ele alega que a falta de monitoramento adequado contribuiu para a morte da mãe. LEIA MAIS: Adolescente dá entrada em hospital do AC com ferida na perna, morre por infecção generalizada e família alega negligência; Saúde nega Mãe acusa hospital de negligência em morte de gêmeos prematuros no AC: 'a gente não sabe a quem recorrer' Servidora filma adolescente de 14 anos antes do parto e polícia investiga o caso no interior do Acre “Ela começou a fazer, a primeira parte da reposição, que durou cerca de 8h, e deu tudo certo. Entretanto, na segunda parte, a infusão que era para durar mais oito horas foi aplicada em 1h30. Todos os laudos médicos apontam que minha mãe faleceu por excesso de sódio no organismo”, argumentou. O professor alegou ainda que exames atestaram que o coração da idosa chegou a marcar 178 batimentos por minuto, enquanto a medida considerada normal para um adulto em repouso varia entre 60 e 100 batimentos. Ainda segundo Souza, o tempo da bomba de infusão foi cronometrado com o período que restava para a conclusão do procedimento, o que não teria sido observado pelos profissionais que faziam o atendimento. “Foi meu filho que percebeu, assim que entramos para vê-la, que o tempo era incompatível com a quantidade de sódio que tinha no frasco. Mas quando vimos, o frasco já estava acabando e minha mãe entrou em taquicardia”, narrou. Duas paradas cardíacas Com os batimentos acelerados, Nadir teve a primeira parada cardíaca e foi enviada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde chegou a ser intubada. Ainda no local, foi solicitado um cateterismo, contudo, o filho dela afirmou que outro médico contou não haver necessidade deste procedimento. “Ele reuniu a família e disse que não tinha nenhum motivo para fazer o cateterismo. Ainda mostrou a imagem do coração saudável, mas que a carga de sódio que havia entrado no corpo dela já tinha invadido as células, gerando problemas cardíacos intensos”, acrescentou. Com a piora, a família decidiu tirá-la do hospital e ela chegou a ser transferida para outras duas unidades. No segundo local aonde foi levada após a Unimed, sofreu a segunda parada cardíaca e faleceu. "Entrou para fazer uma infusão de sódio que não teve nenhum monitoramento e terminou dentro de um caixão”, lamentou. Nota da Adufac Com profundo pesar, a ADufac comunica o falecimento da professora aposentada do Estado do Acre, Nadir Nazaré Gomes de Souza, aos 84 anos, ocorrida na manhã desta quinta-feira, 22/1, em Rio Branco (AC).
 Ela era mãe do professor Sérgio Roberto Gomes de Souza, professor do Curso de História, do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História (ProfHistória), da Universidade Federal do Acre (UFAC). A senhora Nadir Souza, ao que tudo indica, foi vítima de um procedimento mal conduzido no Pronto Atendimento da empresa médica Unimed, fato grave, que interpela a consciência pública e exige respostas imediatas e responsáveis. Dona Nadir deu entrada na unidade para correção de um quadro de hiponatremia, que consiste na reposição de sódio, o que deveria ter sido administrado de modo intravenoso e lento, ao longo de 8 horas, para evitar danos neurológicos irreversíveis. Contudo, segundo relato da família, a administração da solução foi realizada em apenas 1h30min, em razão de falhas técnicas na bomba de infusão e da ausência de monitoramento adequado. As consequências foram devastadoras. O excesso abrupto de sódio desencadeou taquicardia, duas paradas cardíacas e, posteriormente, uma lesão neurológica irreversível. Após 11 dias internada em Unidade de Terapia Intensiva, a professora Nadir não resistiu. Diante de fatos dessa gravidade, não cabe à sociedade aceitar explicações vagas, nem à empresa envolvida recolher-se ao silêncio. A ADufac manifesta solidariedade irrestrita ao professor Sérgio Roberto, seus familiares e amigos, mas vai além: exige que a Unimed venha a público prestar esclarecimentos objetivos, técnicos e transparentes sobre as circunstâncias que levaram à morte da professora. Do mesmo modo, espera-se atuação rigorosa e célere dos órgãos de controle e fiscalização — Ministério Público, Polícia Civil, Conselho Regional de Medicina e Conselho Regional de Enfermagem do Estado do Acre — para que sejam apuradas todas as responsabilidades, sem corporativismo, omissões ou complacência. Não se trata apenas de um luto familiar ou institucional. Trata-se da defesa do direito à vida, à boa prática médica e à responsabilidade dos serviços de saúde perante a sociedade. A memória de Nadir Nazaré Gomes de Souza, educadora que dedicou sua vida ao serviço público, exige verdade, justiça e respeito. O velório ocorre na Capela Central do Cemitério Morada da Paz. O sepultamento está marcado para esta sexta-feira, às 9 horas, no mesmo local.À família, amigos e colegas, nossas condolências. À sociedade acreana, a obrigação de não esquecer. Rio Branco (AC), 22 de janeiro de 2026. Diretoria da ADufac VÍDEOS: g1

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