
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o lançamento do 'Conselho da Paz', em 22 de janeiro de 2026 REUTERS/Denis Balibouse Após estados norte-americanos decretarem estado de emergência para o potencial destrutivo de uma forte tempestade de inverno que se aproxima dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump questionou mais uma vez a existência do aquecimento global. "Uma onda de frio recorde deve atingir 40 estados. Raramente vimos algo assim antes. Será que os ambientalistas radicais poderiam explicar — O QUE ACONTECEU COM O AQUECIMENTO GLOBAL???", escreveu na Truth Social. Essa não é a primeira vez que o líder norte-americano dá declarações negacionistas com relação ao aquecimento global. ➡️Em 2025, por exemplo, em eu discurso na Assembleia Geral da ONU, ele chamou a mudança climática de “a maior farsa já perpetrada contra o mundo”. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Mas, diferentemente do que afirma Trump, especialistas reiteram que as mudanças climáticas são reais e inclusive contribuem para eventos extremos como esse que se aproxima dos EUA (entenda mais abaixo). O observatório climático da União Europeia, o Copernicus Climate Change Service, confirmou por exemplo que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado, com uma temperatura média global de 14,97 °C, valor 1,47 °C acima do nível pré-industrial (1850–1900). O resultado ficou apenas 0,01 °C abaixo de 2023 e 0,13 °C inferior a 2024, que segue como o ano mais quente da série histórica. A Nasa, a agência espacial norte-americana, também aponta que a Terra esteve cerca de 1,47 °C mais quente em 2024 em relação ao final do século XIX. ENTENDA MAIS ASSISTINDO AOS VÍDEOS ABAIXO: Qual o documento mais relevante que a ciência tem sobre a mudança climática? COP30 - Qual o documento mais relevante que a ciência tem sobre a mudança climática? Qual é o papel dos EUA na crise climática? Qual é o papel dos EUA na crise climática? O mundo pode abandonar os combustíveis fósseis? Entenda os argumentos Combustíveis fósseis: quais os argumentos para abandonar o uso? Pesquisas científicas mostram ainda que mais de 99% dos especialistas em clima concordam que o aquecimento global é provocado pela ação humana. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), esse processo é “inequívoco” e não tem precedentes em milhares de anos. Entre as evidências estão o derretimento acelerado de geleiras, a redução histórica do gelo no Ártico e a elevação do nível do mar em ritmo cada vez mais rápido. Além disso, as concentrações de dióxido de carbono (CO₂) chegaram a 422,5 partes por milhão em 2024 — 52% acima dos níveis da era pré-industrial. As emissões globais de combustíveis fósseis também bateram recorde, alcançando 37,4 bilhões de toneladas no último ano. Aliado a isso, especialistas também alertam que os impactos da crise já são visíveis em diversas partes do mundo. Mais de 3 bilhões de pessoas vivem em áreas altamente vulneráveis às mudanças climáticas, segundo a ONU, e metade da população mundial enfrenta escassez severa de água por ao menos um mês por ano. Eventos extremos, como ondas de calor, tempestades e secas, também vêm se tornando mais frequentes e intensos. Trump discursa na 80ª Assembleia Geral da ONU ENTENDA MAIS ASSISTINDO AOS VÍDEOS ABAIXO: Como os cientistas medem o aquecimento global? COP30 - Como os cientistas medem o aquecimento global? O que é o “novo normal” do clima? O que é o “novo normal” do clima? Se faz frio, não existe aquecimento global? g1 explica COP30 - Por que faz frio se o planeta está aquecendo? A crise climática é reversível? De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), alguns efeitos da crise já não têm volta. Mesmo que o mundo zerasse todas as emissões de gases de efeito estufa hoje, o nível do mar continuaria subindo por séculos, e muitas geleiras já estão condenadas a desaparecer. Isso, no entanto, não significa que tudo está perdido. O IPCC, o principal órgão científico internacional sobre mudanças climáticas, afirma que ainda é possível estabilizar o aquecimento global em 1,5 ºC ou 2 ºC. Para isso, as emissões precisam seguir uma trajetória muito clara: atingir o pico imediatamente, cair pela metade até 2030 e chegar a zero líquido em 2050. Algumas medidas podem trazer resultados mais rápidos. Reduzir o metano — um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono — em até 50% pode baixar a temperatura global em até 0,2 ºC já nas próximas décadas. A cientista Thelma Krug, que foi vice-presidente do IPCC, alerta que cortes graduais não serão suficientes: as reduções precisam ser rápidas e profundas, caso contrário até a meta de limitar o aquecimento a 2 ºC pode ficar fora de alcance. Essa meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C ou 2 ºC acima dos níveis pré-industriais surgiu como um consenso científico e diplomático em 2015, com o Acordo de Paris. Ela foi definida após uma série de estudos mostrarem que esse valor representava um “limite seguro” para evitar os efeitos mais devastadores das mudanças climáticas – como secas intensas, colapso de ecossistemas, aumento extremo do nível do mar e impactos graves à saúde humana. LEIA TAMBÉM: Fumaça das queimadas pode causar 1,4 milhão de mortes por ano até 2100, diz estudo Da seca ao dilúvio: ONU alerta para quebra do padrão de chuvas e estiagens no mundo Como a mudança climática está fazendo um país desaparecer? COP30 - O que é e como funciona o mercado de carbono?
