Espanhol com suspeita de superfungo mora em Pipa e passou 15 dias em unidade de saúde de Tibau do Sul

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
Espanhol com suspeita de superfungo mora em Pipa e passou 15 dias em unidade de saúde de Tibau do Sul

Especialista explica resistência do superfungo O paciente de 58 anos com suspeita de estar com o superfungo Candida auris, no Rio Grande do Norte, é um espanhol que mora na praia da Pipa e que passou 15 dias internado em uma unidade de saúde de Tibau do Sul, no litoral potiguar, antes de ser transferido para Natal. Ele segue em um leito de isolamento no Hospital da Polícia Militar, enquanto as autoridades de saúde do estado aguardam o resultado do teste que poderá confirmar a presença do fungo. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Segundo a prefeitura de Tibau do Sul, cidade onde fica o distrito de Pipa, o paciente tem doença cardíaca crônica e deu entrada na Unidade Mista de Saúde de Tibau do Sul no dia 1º de janeiro, inicialmente para tratamento de problemas cardíacos. Ele permaneceu internado por 15 dias na unidade e foi transferido no dia 16 de janeiro para o Hospital da Polícia Militar, em Natal. Unidade Mista de Saúde de Tibau do Sul Google maps Após apresentar um quadro de febre, exames laboratoriais foram realizados e, no dia 20 de janeiro, o Laboratório Central do Rio Grande do Norte (Lacen) apontou a possível presença do Candida auris, um fungo considerado ultrarresistente a medicamentos e que exige protocolos rigorosos de controle hospitalar. Em nota, a Prefeitura de Tibau do Sul informou que, durante o período de internação do paciente na Unidade Mista, não houve identificação da presença do fungo, nem detecção do microrganismo no ambiente hospitalar ou em outros pacientes. Ainda segundo o município, de forma preventiva, todos os profissionais de saúde que tiveram contato com o paciente estão sendo monitorados, seguindo protocolos técnicos e sanitários, até que novas orientações sejam emitidas pelos órgãos competentes de vigilância em saúde. A nota também destaca que, até o momento, não é possível determinar a origem da contaminação pelo fungo, nem estabelecer o local ou as circunstâncias em que o paciente teve contato com o fungo. RN tem caso suspeito de superfungo No Hospital da Polícia Militar, apenas equipes de saúde mantêm contato direto com o paciente, já que ele não tem parentes morando no estado. Todos os profissionais seguem protocolos de segurança e utilizam equipamentos de proteção individual. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que realiza o rastreamento do caso para identificar onde e quando o paciente pode ter sido contaminado. As amostras foram enviadas para um laboratório de referência em São Paulo, conforme protocolo do Ministério da Saúde, mas ainda não há previsão para a divulgação dos resultados. O fungo gera preocupação das autoridades de saúde por ser resistente aos medicamentos usados neste tipo de tratamento. Ele se instala principalmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido no ambiente hospitalar. Paciente está 'colonizado' Hospital da Polícia Militar do Rio Grande do Norte Stephany Souza/Inter TV Cabugi Segundo o médico infectologista Eduardo Teodoro, que atua no Hospital da PM, o paciente não apresenta infecção causada pelo fungo, mas uma colonização. “A infecção acontece quando o micro-organismo está causando doença no paciente. Já a colonização ocorre quando o fungo está presente na pele ou em algum local do corpo, mas sem provocar doença”, explicou. “Quando há infecção, fazemos o tratamento antifúngico. Quando é colonização, a principal medida é a prevenção, para evitar a disseminação dentro do ambiente hospitalar. É exatamente o que está sendo feito”, afirmou. O que é o superfungo e por que ele é considerado uma ameaça à saúde pública Segundo o médico, o paciente apresenta evolução clínica favorável. “Ele está em curva de melhora. Vai permanecer internado por mais alguns dias para tratamento clínico, antibióticos e realização de exames laboratoriais e de imagem”, disse. A infecção pelo Candida auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal (Arquivo) Reuters Fungo raro e resistente A Candida auris é considerada um fungo emergente e raro no Brasil, com registros em poucos estados. Já houve casos registrados em estados como Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. A infecção pode ser fatal. Caso a suspeita seja confirmada, este será o primeiro registro no Rio Grande do Norte. "A preocupação em relação a esse fungo é que ele tem uma capacidade biológica de produzir uma coisa chamada biofilme, que é como se fosse uma película que faz com que os antifúngicos não consigam penetrar nele. E ele fica naquele ambiente onde ele está contaminante. Até os antifúngicos excepcionais têm pouquíssimo efeito", explicou o secretário de Saúde do RN, Alexandre Motta. Por outro lado, ele afirmou que o superfungo tem baixa capacidade de infecção. Secretário de saúde fala sobre caso suspeito de superfungo no RN Anvisa foi notificada e acompanha o caso O Candida auris foi identificado pela primeira vez em 2009, no ouvido de uma paciente internada no Japão. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi notificada sobre o possível primeiro caso positivo de Candida auris no Brasil em dezembro de 2020, em um paciente internado na Bahia. O superfungo foi identificado após análises laboratoriais. Desde então, o país registrou diversos surtos. A agência confirmou que foi notificada sobre o caso no Rio Grande do Norte e entrou em contato com a coordenação de prevenção e controle de infecções do estado para saber quais ações já foram tomadas. "A Coordenação estadual informou que está em contato direto com o Hospital e que as medidas preconizadas pela Anvisa já foram iniciadas", informou. Ainda de acordo com a Anvisa, um único caso confirmado já considerado surto pelas autoridades brasileiras, visto que o microrganismo não é endêmico no país. Em 2026, até o momento, foram registrados dois casos de colonização em hospital de Pernambuco. O surto no hospital de Pernambuco teve início em 2025. Ao longo do ano passado, foram registrados 45 casos, somando os surtos em hospitais de São Paulo e Pernambuco. Veja os vídeos mais assistidos no g1 RN

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