Fotógrafa encontra na profissão o caminho para lidar com a depressão no interior de SP: 'Recomeçar minha história'

Published 2 hours ago
Source: g1.globo.com
Fotógrafa encontra na profissão o caminho para lidar com a depressão no interior de SP: 'Recomeçar minha história'

Fotógrafa encontra na profissão o caminho para lidar com depressão no interior de SP O registro eternizado pela fotografia impressa ganhou ainda mais significado ao se tornar o caminho encontrado por uma fotógrafa de Presidente Prudente (SP) para enfrentar a depressão e cuidar da saúde mental. Ao g1, Michelle Rodrigues, de 42 anos, relembra a trajetória após a ideia surgir a partir da filha mais velha. A motivação veio após a família precisar fechar a papelaria que mantinha havia 18 anos, em razão de problemas de saúde da mãe. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp "Me vi recém-formada em gestão empresarial, com três filhas para criar sozinha, pois havia me separado recentemente, minha mãe que necessitava de cuidados e meus avós, que também passei a cuidar", contou. Além dos fatores externos citados por Michelle, ela também teve que lidar com os problemas internos desencadeados a partir disso. "Era muita demanda para uma só pessoa, achei que as portas não iriam se abrir para mim", afirmou. "Foi então que tudo aconteceu: as primeiras crises de ansiedade e depressão. Isso me paralisou completamente! Parecia que eu nunca mais iria ser eu mesma e que essa tristeza e medo nunca me deixariam", continuou Michelle. Michelle Pola, fotógrafa que encontrou na profissão o caminho para lidar com a depressão Michelle Pola/Arquivo pessoal Período desafiador A fotógrafa passou seis meses em crises de choro, dores físicas e psicológicas, sem conseguir trabalhar. As despesas passaram a ser custeadas com o valor obtido na venda da empresa. "Comecei o tratamento psicológico e psiquiátrico, medicações e seus efeitos colaterais, até que fui estabilizando, e, com isso, comecei a reagir. E, como previsto, não conseguia nada." Foi nesse momento que Lara, a filha mais velha, hoje com 22 anos, sugeriu que a mãe começasse a vender fotos no estilo Polaroid (impressas no modelo vintage, com moldura branca) em eventos ou para clientes de bares e restaurantes da região. A ideia surgiu após ela ver, na internet, um casal que atuava nesse nicho no nordeste. A mãe e a filha pensaram no nome, identidade visual e estratégias de vendas e abordagem, enquanto a câmera utilizada para os registros foi emprestada pela irmã de Michelle. Para ter ainda mais personalidade no negócio, a empreendedora decidiu oferecer o serviço aos comércios às vezes vestida de mágica. "No primeiro evento, fui de roqueira mesmo, só com uma unidade de filme e um sonho. Em menos de duas horas, eu vendi as 10 fotos que havia no filme. E, se eu tivesse mais, teria vendido. O sucesso foi instantâneo, tal qual minha fotografia", afirmou Michelle. Com a divulgação feita pelos próprios clientes, a fotógrafa passou a ganhar mais visibilidade e a contar com o apoio das duas filhas mais novas, Maria Clara e Valentina, de 17 e 15 anos, principalmente na produção de conteúdos e publicações nas redes sociais. Michelle Rodrigues, conhecida como Michelle Pola, recebeu apoio da família e amigos para seguir carreira Michelle Pola/Arquivo pessoal Apoio da família "Minha mãe, com embolia pulmonar, vendo meu progresso, também ficou melhor de saúde e me ajudava com meus avós. Tudo estava entrando nos eixos. Comecei a fazer festas particulares, tais como casamentos, aniversários, formaturas e eventos corporativos, chegando a atender um público de mais de 300 pessoas em um único evento." Após um ano atuando na área, Michelle decidiu fazer um mochilão por outras cidades em 2023. "Criei o Polaclick na Estrada. Peguei meu sonho, minha câmera e uma mochila e caí na estrada. Isso também se motivou por uma recaída na depressão", afirmou a fotógrafa. Michelle viajou de ônibus por 20 dias, passando por cidades de Santa Catarina e da capital paulista. "Quando eu voltei [a Prudente], as vendas dobraram e comecei a faturar por noite em média R$ 400." Com o sucesso do serviço, Michelle conseguiu comprar uma câmera própria e devolveu o equipamento da irmã. "Em um mês, eu já havia recuperado o valor investido. Fiz o tão sonhado curso de fotografia para melhorar minhas fotos e entender mais sobre essa paixão, que sempre foi latente em mim." "A fotografia sempre esteve muito presente na minha vida, através do meu avô paterno, que amava tirar fotos de absolutamente tudo", relembrou Michelle. "Nesse tempo todo, pude presenciar e registrar muitas histórias lindas, de encontros e reencontros. Pedidos de perdão, casamentos e comemorações diversas. Mas o mais importante disso tudo é trazer para esses dias tão digitais a nostalgia e importância de uma foto revelada. Essa o tempo não apaga." Importância do tema Janeiro é considerado o mês de conscientização sobre saúde mental. Ao g1, a psicóloga e especialista em neuropsicologia Joselene Lopes Alvim destaca a importância de falar sobre o tema. "Atualmente, vivemos em uma sociedade com muitas demandas e prazos cada vez mais curtos. Com isso, o indivíduo deixa de reconhecer a linha divisória entre o que é saudável e aquilo que se transforma em desiquilíbrio emocional e físico, impactando na saúde mental e desencadeando quadros de estresse, ansiedade e depressão." A especialista esclarece que saúde mental não é sinônimo de doença, mas da capacidade humana de lidar com as pressões do dia a dia, especialmente quando dificuldades de concentração, irritação e cansaço se tornam frequentes, sinais que reforçam a necessidade de buscar ajuda. "Geralmente os sinais são sutis no início, dificultando a identificação dos sintomas. Há pessoas que passam a aumentar consumo de álcool ou uso de medicamentos por conta própria, como forma de atenuar ou eliminar os sintomas", alertou a psicóloga. Esses fatores podem desencadear diferentes transtornos ou doenças mais graves, como a depressão, que, sem tratamento e acompanhamento adequados, pode se tornar crônica. Joselene destaca as doenças mentais mais comuns: Transtorno de ansiedade: desencadeada principalmente por sobrecarga de tarefas, com menosprezo para a necessidade de descanso, a pressão interna por executar as tarefas de maneira perfeita e os pensamentos negativos; Depressão: surge principalmente através de níveis de estresse elevados e prolongados, com sinais de apatia, tristeza e isolamento; Burnout: consequência de pressões excessivas no trabalho e falta de reconhecimento, desencadeando exaustão física e emocional; Transtorno do sono: consequência da ansiedade e estresse. O tratamento para lidar com os fatores acima requer alteração da rotina, com períodos de descanso e autocuidado, segundo a especialista. "No caso do Burnout, o afastamento do trabalho ou mudança de função. Além da psicoterapia e, se necessário, uso de medicação, porém sempre indicada por um médico." Joselene também sugere exercícios físicos ou outras formas de atividades que promovam a sensação de bem-estar para ajudar no tratamento. Nos casos de pacientes que não consigam investir em terapias, a profissional relembra dos atendimentos gratuitos oferecidos em clínicas-escola nas faculdades que têm curso de psicologia ou atendimento nas Unidades Básicas de Saúde. "É importante também que as pessoas revejam sua rotina e busquem incluir nela atividades que deem prazer, uma vez que tais atividades regulam as emoções, ajudando a reduzir a ansiedade e estresse", reforçou. Joselene Lopes Alvim, psicóloga em Presidente Prudente (SP) Joselene Lopes Alvim/Arquivo pessoal Uso excessivo de celular Já na prática de uso excessivo do celular, a psicóloga alerta que há efeitos colaterais preocupantes. "O uso excessivo pode ser uma forma também de sublimar as dificuldades pessoais ou outro problema que esteja causando sofrimento." "Para mudar a situação, é preciso reconhecer a quantidade de tempo que passa no celular e em quais momentos usa. Quando sente tédio? Solidão? Daí é preciso propor uma redução, porém não abruptamente, pois pode gerar mais ansiedade", continuou. Uma das orientações da psicóloga para reduzir o uso de telas é estabelecer períodos específicos do dia para utilizar o celular e outros aparelhos eletrônicos, equilibrando esse tempo com atividades como exercícios físicos, leitura e contato social. "Negligenciar a saúde mental pode trazer danos muitas vezes irreversíveis se não cuidarmos a tempo, quando surgem os primeiros sinais. É preciso também nos conscientizarmos sobre nossos limites, reorganizar nossa rotina e abrirmos espaço para o que realmente nos faz bem", completou a psicóloga. Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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