Investidor do Will Bank a partir de 2024 que já resgatou limite de R$ 250 mil do Master perde direito ao FGC

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
Investidor do Will Bank a partir de 2024 que já resgatou limite de R$ 250 mil do Master perde direito ao FGC

Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção Clientes do Will Bank, que teve liquidação decretada pelo Banco Central na manhã desta quarta-feira (21), serão ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas só se ainda não tiverem atingido o teto de R$ 250 mil por causa da liquidação do Banco Master, que é o limite do Fundo. O limite se aplica aos dois bancos por eles fazerem parte do mesmo conglomerado. LEIA MAIS: BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, que integra conglomerado do banco Master "Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro", diz a nota do fundo sobre a liquidação do banco. A instituição financeira tem cerca de R$ 6 bilhões investidos. A quantia é elegível para o ressarcimento via FGC. Desde terça-feira (20), os clientes que tinham CDBs no Banco Master começaram a receber os pedidos. A nota esclarece que clientes que adquiriram produtos elegíveis a garantia do FGC antes da aquisição pelo Banco Master, em 21/08/2024, têm a garantia preservada. "A partir de 22/08/2024, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil", diz nota do Fundo. O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores. Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade. Will Bank: liquidado pelo BC, banco digital cresceu com foco em clientes de baixa renda Divulgação LEIA TAMBÉM: Will Bank: FGC estima R$ 6,3 bilhões em pagamentos O que é FGC? Fundo vai garantir que parte dos investidores do Master tenham recursos de volta Segundo o FGC, os ressarcimentos do Banco Master começaram nesta segunda-feira (19). Cerca de 600 mil credores já fizeram o pedido, de acordo com o balanço divulgado na noite desta segunda. Desses, 400 mil concluíram o pedido (fizeram o trâmite completo). O FGC estima que 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento. Em nota, o FGC afirmou que os pagamentos serão realizados segundo o Regulamento do FGC, com base nos dados e valores que serão determinados pelo Liquidante, nomeado pelo Banco Central. A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações. Ainda segundo o Fundo, não existe prazo legal para o início dos pagamentos. Aplicativo do Will Bank Will Bank/Divulgação Veja o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC Segundo o FGC, o pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do fundo, disponível no Google Play e na Apple Store. "No aplicativo do FGC, você pode conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido", informou o fundo. Veja o passo a passo: Baixe o aplicativo do FGC e complete o cadastro, informando nome completo, CPF e data de nascimento; Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo. Depois, basta informar uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos, realizar a validação biométrica e enviar eventuais documentos solicitados. Clientes do Will Bank não conseguem realizar operações financeiras após liquidação Reprodução Para pessoas jurídicas, o FGC informa que o representante legal da empresa deve solicitar a garantia por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia um e-mail com o passo a passo necessário. "O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa", informa o FGC. Nos casos em que o pagamento precisar ser feito a inventariantes ou ao espólio, o FGC tratará diretamente com os beneficiários, não sendo possível fazer a solicitação pelo aplicativo. ⚠️ATENÇÃO: Valores que ultrapassarem o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master. Nessa situação, o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento dos valores. O que aconteceu com o Banco Master? O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado. 🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional. O Banco Master já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. O caso mais conhecido era a emissão títulos de renda fixa, os CDBs, que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado. (veja aqui o que acontece com investidores) O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master. Na última semana, a Polícia Federal realizou uma segunda fase da operação, que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele. O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estavam entre os alvos. Aplicativo e cartão do Will Bank Will Bank/Divulgação Segundo as investigações: O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro. Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno. O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master. Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF. Além disso, o Master era conhecido por comprar precatórios e investir em empresas em dificuldade. Para evitar a quebra, foram realizadas tentativas de venda do banco, o que inclui uma proposta do BRB. Todas acabaram canceladas, envoltas em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada para conduzir a administração especial. Com a liquidação, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida. Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master Arte/g1 Sede do Banco Master Divulgação/Banco Master

Categories

G1