Líderes europeus reagem à ameaça de Trump; entenda como países podem frear presidente americano com ‘bazuca comercial’

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
Líderes europeus reagem à ameaça de Trump; entenda como países podem frear presidente americano com ‘bazuca comercial’

Líderes mundiais condenam uso da força por Donald Trump A ameaça de Donald Trump de avançar sobre a Groenlândia provocou fortes reações de líderes europeus, reunidos nesta terça-feira (20) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O bloco europeu condenou as novas tarifas de Trump. E defendeu que o continente não pode se curvar à lei do mais forte. Um dia de discursos cuidadosos, palavras escolhidas a dedo. Os europeus queriam passar uma imagem de firmeza, mas sem bater de frente com o presidente americano, Donald Trump. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu que a Europa vai continuar ao lado da Groenlândia e da Dinamarca. Disse que a segurança no Ártico só pode ser alcançada de forma conjunta e por isso as novas tarifas de Trump são um erro. Von der Leyen disse que considera os Estados Unidos mais do que aliados, amigos, que entrar numa espiral descendente só iria dar mais força aos adversários. E que por isso a resposta europeia será inabalável, unida e proporcional. E acrescentou: "a nostalgia não vai trazer a velha ordem de volta. Essa mudança é permanente, e precisamos construir uma nova Europa independente". O presidente francês discursou de óculos escuros, por causa de um derrame no olho. Declarou que não é momento para imperialismos e colonialismos. E que a União Europeia não deve se curvar à lei do mais forte. Sem citar Donald Trump, Emmanuel Macron afirmou: Preferimos o respeito, e não os valentões. Preferimos a ciência, não as teorias da conspiração. E preferimos o Estado de Direito, não a brutalidade." A correspondente Bianca Rothier perguntou a Macron se ele discutiria o assunto com Trump em Davos. Ele respondeu que não, porque iria embora antes do presidente americano chegar. Macron explicou que convidou Trump para debater a questão da Groenlândia, em Paris, numa reunião do G7. Disse ainda que é preciso manter a calma, defender os interesses europeus quando as regras não forem respeitadas e apoiar a Dinamarca. “É o que se espera de um aliado”, concluiu. Apesar dos discursos cheios de recados a Donald Trump, o mundo se pergunta: o que os europeus vão fazer, na prática, para frear o presidente americano? Como o bloco pode dissuadir a maior potência econômica e militar do planeta e salvar uma aliança de oito décadas? O presidente francês voltou a dizer que uma das opções seria acionar pela primeira vez o instrumento anticoerção econômica - a chamada bazuca comercial - que poderia impor uma série de restrições para produtos, empresas e serviços americanos na Europa. Outra opção que ganhou força foi a retaliação tarifária sobre as importações americanas. Nesta terça-feira (20), grupos políticos do Parlamento Europeu revelaram que já tem maioria para barrar um acordo fechado com os Estados Unidos no ano passado, para manter tarifas mais baixas. Se o acordo for suspenso, o pacote de tarifas retaliatórias de 93 bilhões de euros pode entrar em vigor já em fevereiro. Em Davos, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, pediu calma aos europeus. "Respirem fundo. Não retaliem. Não retaliem”. Na direção oposta, o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, me disse que os europeus e o resto do mundo precisam se unir, para resistir com firmeza. Outro país sob ameaça de tarifas americanas é o vizinho Canadá. O primeiro-ministro declarou apoio à soberania da Dinamarca e da Groenlândia. Sem mencionar Trump diretamente, Mark Carney disse que o planeta atravessa uma ruptura, quando os poderosos usam as tarifas e a integração econômica como forma de subordinação. O vice-primeiro-ministro da China fez uma defesa do multilateralismo. E declarou: "As regras devem ser aplicadas igualmente a todos. Alguns países não devem desfrutar de privilégios com base na força. E o mundo não deve retornar à "lei da selva”. Em Moscou, o chanceler Sergei Lavrov negou as acusações de Trump de que a Rússia tenha interesse em anexar a Groenlândia. Na Groenlândia, o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen disse que o presidente americano deixou claro que não descarta o uso da força, e que a população da Groenlândia precisa se preparar. E alertou que se houver um agravamento da situação, haverá consequências para o mundo todo. A ameaça de Donald Trump de avançar sobre a Groenlândia provocou fortes reações de líderes europeus Reprodução/TV Globo

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