Israel derruba edifícios de agência para refugiados palestinos; ONU considera o ato 'inaceitável'

Published 3 hours ago
Source: g1.globo.com
Israel derruba edifícios de agência para refugiados palestinos; ONU considera o ato 'inaceitável'

Trator derruba sede da agência da ONU para refugiados palestinos. ILIA YEFIMOVICH/AFP Tratores israelenses começaram a demolir estruturas na sede da Agência das Nações Unidas (ONU) para Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental nesta terça-feira (20). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que Israel interrompa a demolição do complexo da agência da ONU para refugiados palestinos em Jerusalém Oriental e restaure o local, assim como outras instalações da UNRWA, à organização “sem demora”, disse um porta-voz da ONU nesta terça-feira. “Para o secretário-geral, é totalmente inaceitável a continuidade de ações que aumentam a tensão contra a UNRWA. Essas ações não estão de acordo com as obrigações claras de Israel pelo direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades da ONU”, afirmou o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, a jornalistas. Israel acusou repetidamente a UNRWA de ser uma fachada para milicianos do Hamas e alega que alguns de seus funcionários participaram do ataque surpresa do grupo terrorista palestino contra Israel em 7 de outubro de 2023. "A UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações no local e não tinha mais pessoal da ONU nem realizava quaisquer atividades das Nações Unidas ali. O complexo não goza de qualquer tipo de imunidade, e sua confiscação pelas autoridades israelenses foi realizada de acordo com o direito israelense e internacional", afirmou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A agência da ONU para refugiados palestinos denunciou o ataque como "sem precedentes", segundo Roland Friedrich, diretor da UNRWA para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. A demolição "é uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas", condenou ele. "Assim como todos os Estados-membros da ONU, Israel deve proteger e respeitar as instalações da ONU", acrescentou Jonathan Fowler, porta-voz da agência. Segundo ele, as forças israelenses "invadiram" o complexo pouco depois das 5h (2h no horário de Brasília) e expulsaram os seguranças antes que tratores entrassem e começassem a demolir os prédios. "Isso deveria servir de alerta", acrescentou Fowler. "O que está acontecendo com a UNRWA hoje pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática ao redor do mundo", afirmou. O ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, fez uma breve visita ao local, conforme observou um fotógrafo da AFP. Dia histórico "Este é um dia histórico, um dia de celebração e um dia muito importante para a governança de Jerusalém", disse Ben Gvir, conforme citado em um comunicado. "Durante anos, esses apoiadores do terrorismo estiveram aqui, e hoje estão sendo expulsos daqui, juntamente com tudo o que construíram neste local. Isso é o que acontecerá com todos os apoiadores do terrorismo", acrescentou o ministro. O complexo em Jerusalém Oriental, a parte predominantemente árabe anexada por Israel, estava sem funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei que proibia suas operações, após meses de disputa sobre seu trabalho na Faixa de Gaza. A proibição se aplica a Jerusalém Oriental, mas a agência ainda opera na Cisjordânia ocupada e em Gaza. No início de dezembro, o diretor-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, denunciou a apreensão de bens no complexo pelas autoridades israelenses. A polícia informou à AFP que se tratava de uma operação de cobrança de dívidas. Em uma publicação no X, Lazzarini relatou que as autoridades haviam apreendido "móveis, equipamentos de informática e outros bens" e que a bandeira da ONU havia sido substituída por uma bandeira israelense. Na época, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a "entrada não autorizada" nas "instalações das Nações Unidas". Meses após o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, as autoridades israelenses declararam Guterres e Lazzarini personas non gratas.

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