Mortes no Hospital Anchieta: veja as datas dos crimes e da investigação em curso no DF

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
Mortes no Hospital Anchieta: veja as datas dos crimes e da investigação em curso no DF

Polícia investiga três homicídios na UTI de um hospital particular, em Taguatinga A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de três pacientes internados Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três ex-técnicos de enfermagem da unidade são suspeitos de cometerem os assassinatos. Os casos foram registrados inicialmente como "mortes naturais", mas chamaram a atenção da direção do hospital. Agora, a investigação mostrou que os pacientes podem ter morrido em razão da aplicação irregular de medicamentos e até de desinfetante. Um dos técnicos, um homem de 24 anos, teria usado a senha de um médico para prescrever um medicamento sem autorização, buscá-lo na farmácia e aplicá-lo em pacientes internados na UTI. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. De acordo com a PCDF, as aplicações aconteceram sem conhecimento ou aval da equipe médica. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), os três pacientes tinham quadros clínicos diferentes, mas todos apresentaram agravamento repentino do estado de saúde pouco antes das mortes. Polícia prende técnicos de enfermagem suspeitos de matar 3 pacientes de hospital no DF Entenda a ordem cronológica dos crimes 🗓️ 17 de novembro de 2025: Segundo a Polícia Civil, duas das aplicações irregulares de medicamentos ocorreram no dia 17 de novembro. Entre as vítimas está uma professora aposentada de 75 anos, moradora de Taguatinga. Segundo a polícia, além do medicamento irregular, o técnico teria aplicado desinfetante nela dez vezes, com uma seringa No mesmo dia, a paciente sofreu diversas paradas cardíacas e morreu. A outra vítima foi um servidor público de 63 anos, morador do Riacho Fundo I. Os dois estavam internados em quartos vizinhos. 🗓️ 1º de dezembro de 2025 Uma terceira aplicação suspeita foi registrada em 1º de dezembro, ainda segundo a Polícia Civil. A vítima foi um servidor público de 33 anos, de Brazlândia, que tinha sido internado no mesmo leito um dos pacientes assassinados em novembro. 🗓️ Dezembro de 2025 Após identificar “circunstâncias atípicas” nos óbitos ocorridos na UTI, o Hospital Anchieta instaurou um comitê interno de investigação. A apuração interna reuniu indícios que apontavam para a atuação irregular de técnicos de enfermagem. Com base nesses elementos, o hospital demitiu os suspeitos. A denúncia foi feita à Polícia Civil em 24 de dezembro. 🗓️ 11 de janeiro de 2026 De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos ex-técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. No mesmo dia, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. 🗓️ 15 e 16 de janeiro de 2026 Na segunda fase da operação, deflagrada em 15 de janeiro, policiais apreenderam dispositivos eletrônicos em endereços localizados em Ceilândia e Samambaia. Com o fim da operação, as famílias das vítimas foram notificadas e chamadas à delegacia entre quinta (15) e sexta-feira (16). Investigação segue em andamento Hospital Anchieta em Taguatinga no DF. TV Globo/Reprodução A Polícia Civil apura agora se há outros casos semelhantes no Hospital Anchieta ou em outras unidades de saúde onde o técnico de 24 anos tenha trabalhado. A investigação segue sob sigilo, e os nomes dos suspeitos não foram divulgados. O g1 tenta contato com a defesa dos investigados. O que diz o Hospital Anchieta "O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição. Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes. Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026. Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas. O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial. O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça." O que diz o CRM "O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados e adotará as providências cabíveis para a apuração, com o objetivo de verificar eventual responsabilidade médica. O CRM-DF esclarece que todas as notícias de fato e denúncias recebidas são analisadas por meio da instauração de sindicância, com o objetivo de apurar a existência ou não de infração ética. Durante todo o procedimento, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, em conformidade com o ordenamento jurídico aplicável. Os trâmites seguem rigorosamente as normas estabelecidas, especialmente no que se refere ao sigilo previsto no Código de Ética Médica. Tal sigilo abrange todas as informações relativas às sindicâncias e aos processos ético-profissionais, incluindo documentos, depoimentos e demais elementos de prova, permanecendo resguardado inclusive após o encerramento do feito. O sigilo tem por finalidade preservar a intimidade das partes envolvidas e garantir a lisura, a imparcialidade e a integridade do devido processo legal. O CRM-DF ressalta, ainda, que as esferas criminal, civil e administrativa são independentes entre si, de modo que as decisões proferidas em uma delas não necessariamente coincidem com as adotadas nas demais." O que diz a família do servidor de 63 anos "A família da vítima, por intermédio de seus advogados, manifesta profundo pesar e indignação pelos fatos graves ocorridos no interior da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta de Taguatinga, ambiente que deveria garantir cuidado máximo e proteção à vida. Até então, a família acreditava que o falecimento havia ocorrido por causas naturais, em razão do quadro clínico apresentado. Contudo, no dia 16 de janeiro, tomou conhecimento de informações que indicam circunstâncias graves e incompatíveis com uma morte natural, bem como da existência de outras duas possíveis vítimas, passando a compartilhar a dor e o sofrimento de suas famílias. O crime, supostamente praticado por técnico de enfermagem atualmente investigado, bem como por outros possíveis envolvidos, reveste-se de extrema gravidade. As apurações encontram-se em trâmite sob sigilo, e a família ainda não teve acesso aos autos do inquérito policial, razão pela qual se abstém de comentar detalhes do caso neste momento. A família confia na atuação da Polícia Civil do Distrito Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, e adotará todas as medidas legais cabíveis para a responsabilização criminal dos envolvidos, bem como para a responsabilização civil do hospital, diante de eventuais falhas no dever de cuidado, vigilância e segurança, visando à apuração integral dos fatos e à devida reparação." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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