
Capivara vocalizando reisab / iNaturalist Quem vê as capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) paradas e calmas à beira de um lago não imagina a complexa "conversa" que existe dentro dos grupos. Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP), revelou que o maior roedor do mundo possui um sistema de comunicação muito mais sofisticado do que a ciência imaginava. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no WhatsApp O estudo descobriu que esses animais conseguem combinar sons para formar significados diferentes — como se montassem frases — e até emitem ultrassom, ondas sonoras tão agudas que o ouvido humano não é capaz de captar. Conduzida pela bióloga Cintia Tomoe Suzuki, a pesquisa identificou que as capivaras emitem dez tipos diferentes de chamados, um repertório maior do que os sete descritos anteriormente na literatura científica. O trabalho acompanhou grupos de vida livre no campus da universidade e animais no Bosque Zoológico Municipal Fábio Barreto, em Ribeirão Preto. Veja mais notícias do Terra da Gente: CURIOSIDADE: Conheça o melro-d'água, pássaro que mergulha até dois metros de profundidade VÍDEO: Bacurau encara teiú para defender filhotes de predação em Itajaí BATALHA NO AR: Pesquisadores flagram pela primeira vez caninana atacando ninho de gavião A conversa 'invisível' Grupo de capivaras em área alagada donmarsille / iNaturalist Uma das descobertas mais curiosas do trabalho é a capacidade vocal das capivaras em momentos de estresse extremo. Durante o manejo veterinário, foi registrado que elas emitem um "grito" que atinge frequências acima de 20 kHz (quilohertz), caracterizando o ultrassom. Isso significa que, em situações de agonia ou perigo intenso, as capivaras podem estar "gritando" em uma frequência inaudível para nós, humanos, mas que é perfeitamente percebida por outros animais e integrantes do bando. Veja o que é destaque no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O 'dicionário' da Capivara O estudo detalhou o "vocabulário" da espécie, mostrando que cada som tem uma função específica na sociedade das capivaras. Entre os principais sons identificados, estão: Latido (Bark): Sim, capivaras latem. É um som de alarme, usado para avisar o grupo sobre perigos (como a presença de um predador ou humano) ou para orientar o bando durante uma fuga na água. Cacarejo: Um som que lembra o de galinhas. É emitido exclusivamente quando há disputa por comida ou intolerância entre indivíduos que estão comendo muito próximos. Bater de dentes: É um sinal de ameaça agressiva. O animal bate os dentes incisivos rapidamente para dizer "fique longe". Assobio: Usado principalmente quando um animal (geralmente jovem) se perde ou se isola, servindo para restabelecer o contato com o grupo. Chamado de cópula: Um som específico emitido pelas fêmeas quando estão sendo cortejadas ou perseguidas pelos machos dominantes. A pesquisa ainda cita outros sons e combinações novas que podem ser utilizadas na formação de "frases" para comunicação entre o grupo. 'Frases' complexas Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) csanchezj7 / iNaturalist A pesquisa concluiu que as capivaras não apenas emitem sons soltos, mas têm a capacidade de combinar notas. Assim como os humanos juntam palavras para formar frases, elas conseguem unir um "estalido" (som de contato) com um "assobio" ou "choro" para criar uma mensagem nova e mais complexa. Essa habilidade, chamada tecnicamente de "sílaba combinatória", demonstra que a inteligência social desses animais é comparável à de outros roedores complexos, permitindo que transmitam informações mais precisas sobre o ambiente e suas emoções. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
