'Carrossel financeiro': como grupo alvo da polícia usou jogo do bicho, construtoras e bets para movimentar quase R$ 100 milhões

Published 1 hour ago
Source: g1.globo.com
'Carrossel financeiro': como grupo alvo da polícia usou jogo do bicho, construtoras e bets para movimentar quase R$ 100 milhões

Operação apreende veículos de luxo de grupo que movimentou R$ 97 milhões com jogos de azar Alvo de uma operação da Polícia Civil nesta semana em cinco cidades do estado de São Paulo, um grupo é suspeito de movimentar aproximadamente R$ 97 milhões com exploração de jogos de azar. As investigações apontam que a organização exercia atividades criminosas complexas e estruturadas, denominadas pela polícia de "carrossel financeiro". O grupo atuava há décadas em um esquema que envolvia jogo do bicho e diversas empresas, como construtoras, de importação e exportação, até chegar a uma plataforma de apostas on-line, as chamadas "bets". Durante as investigações, a Polícia Civil também revelou que a quadrilha usava pessoas de origem humilde para não chamar atenção. Um dos homens investigados, por exemplo, atua como operador de caixa com salário declarado de R$ 1,8 mil, mas movimentou milhões em transações via Pix nos últimos meses. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Relatórios do Setor de Inteligência da polícia apontam que o esquema de lavagem de dinheiro funcionava da seguinte maneira: Grupo angariava valores através de jogos de azar, em específico do jogo do bicho, o que é proibido no país; Depois, os suspeitos movimentavam esse dinheiro através de negócios com diversas empresas, como construtoras, empresas de importação e exportação, comércios, empresas ligadas a comércios de peixes, agropecuárias; Os valores, após a circulação, iam parar em uma empresa de bet com sede em Ribeirão Preto; Por fim, os recursos retornavam diretamente para o CPF do líder o grupo. Responsável pelas investigações, o delegado Ivan Luis Constâncio, da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba (SP), afirmou ao g1 que detalhes sobre o fluxo de entrada e saída dos valores ainda estão sendo apurados. No entanto, a polícia já tem certeza de que as movimentações financeiras dos investigados são incompatíveis com as rendas declaradas. "O esquema funciona como um 'carrossel financeiro': os recursos ilícitos transitam por empresas como construtoras e incorporadoras. Posteriormente, o capital é injetado na empresa de apostas on-line, por meio de transferências concentradas, retornando então à cúpula da organização com aparência de licitude", afirma. Dinheiro em espécie apreendido durante operação contra grupo suspeito de exploração de jogos de azar em SP Polícia Civil Valores milionários Segundo a polícia, o grupo contava com gerentes e operadores financeiros que pulverizavam milhões de reais por meio de transferências e depósitos fracionados, prática conhecida como "smurfing". Também como parte da estratégia de esconder a origem dos valores, a quadrilha utilizava-se de transações imobiliárias em espécie e aquisição de ativos em nome de terceiros, apontou a apuração. Um dos alvos, por exemplo, adquiriu um imóvel de cerca de R$ 800 mil, pago em dinheiro, sendo que recebeu quase R$ 40 milhões de uma única pessoa investigada em Mogi Mirim (SP). Com a prática, o líder da quadrilha chegou a movimentar mais de R$ 25 milhões apenas em um único semestre de 2024. De acordo com o delegado, com a aquisição de bens pelos investigados, a movimentação pode chegar a R$ 500 milhões. A operação A operação de terça-feira (13), nomeada de "Quebrando a Banca", mirou o líder da organização criminosa e ao menos outros sete integrantes, além do braço empresarial, que servia como destino para as transferências bancárias. Ao todo, 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Ribeirão Preto (SP), Santa Rosa de Viterbo (SP), São João da Boa Vista (SP), Mogi Mirim (SP) e na capital paulista. Ninguém foi preso. Dentre as apreensões estão dispositivos eletrônicos, instrumentos de apostas, valores em espécie, joias, relógios de luxo, um cofre, documentos e dez veículos, entre eles modelos de luxo, como Porsche 911, Porsche Cayenne GTS, BMW X1, caminhonetes RAM e SUVs. Com base nas apreensões feitas, a polícia busca identificar elementos de fraude no destino do dinheiro arrecadado. Os investigados devem responder por lavagem ou ocultação de bens, associação criminosa e exploração de jogos de azar. Os nomes deles não foram divulgados. Veículos de luxo apreendidos na Operação 'Quebrando a Banca', contra exploração de jogos de azar em SP Polícia Civil Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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