
Salva-vidas se afogou no brinquedo Water Bomb, do Wet'n Wild, em Itupeva (SP) TV TEM/Reprodução Uma funcionária do parque Wet’n Wild, em Itupeva (SP), afirmou que o brinquedo onde um salva-vidas morreu após ser sugado por um ralo estava fechado havia cerca de um mês devido a problemas na escada de acesso. A mulher, que não quis se identificar, contou ao g1 que a atração Water Bomb foi interditada depois que uma pessoa cortou o pé na escada utilizada para acessar o brinquedo. Segundo a funcionária, todas as atrações do parque passam diariamente por um checklist para verificar as condições de funcionamento e segurança. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "Uma pessoa cortou o pé lá, a gente retirou a escada, mas a escada voltou pro mesmo lugar. Demora para fazer a manutenção, quando fazem. A atração só é liberada, digamos assim, se essa manutenção for feita. Até a qualidade da água, se a água estiver mais turva, mais verde, a gente não pode abrir o brinquedo, que era uma situação que estava acontecendo no Water Bomb. Porém, a gente teve que abrir por reclamação de superior e acaba caindo a culpa no guarda-vidas", desabafa. Funcionários do Wet'n Wild denunciam falta de segurança e más condições de trabalho A funcionária explicou ainda que o Water Bomb, ou “bomba d’água”, é composto por três toboáguas, sendo que um deles possui menor vazão de água. Segundo ela, os visitantes que utilizam esse toboágua costumam sair do túnel em menor velocidade. "O de frente para a pista é o da esquerda. O da direita, é o mais rápido, mas é o mesmo que o da esquerda, e o do meio é extremamente rápido. Você cai muito rápido na água, cai um pouquinho para frente, não cai tão perto do borda. Tem 2,77 metros de profundidade. O Water Bomb é um brinquedo mais afastado dos outros. Fica no fundo", conta. De acordo com a funcionária, o checklist deve ser realizado em todas as atrações que serão utilizadas pelos visitantes. O procedimento é diário e protocolado. "A operação é dividida, tem a parte de operadores e a outra parte dos guarda-vidas. Cada um é responsável por uma parte do parque. Então, você tem essa possibilidade de começar dia fazendo esse checklist. A gente tem que colocar o que não está de acordo, como a estrutura das piscinas, equipamentos, qualidade da água, enfim, e se não estiver de acordo, a gente coloca no relatório e alguém precisa ir lá fazer a manutenção para que a atração seja aberta", detalha. O g1 questionou o Wet'n Wild sobre o caso e aguarda retorno. O acidente Após um turista pedir ajuda para localizar uma aliança que teria caído na piscina da atração, o salva-vidas Guilherme da Guerra Domingos, de 24 anos, entrou na água para procurar o objeto. Ele mergulhou algumas vezes até o fundo e retornou à superfície, mas, em um dos mergulhos, não voltou. Segundo o relato da funcionária, o acidente ocorreu por volta das 12h50. O parque havia sido aberto ao público às 10h. "Ele estava nadando, indo até o fundo e voltando para conseguir achar o anel. Como eu disse, tem um dos tobogãs que desce mais devagar. E a pessoa geralmente cai perto da saída do tobogã, que é perto da borda onde o Guilherme ficou preso", relata. Com a demora no retorno à superfície, outros salva-vidas mergulharam para retirá-lo da água. Equipes do Serviço de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde foram acionadas e prestaram os primeiros atendimentos no local. Em seguida, o jovem foi encaminhado ao Hospital Municipal Nossa Senhora Aparecida, mas não resistiu e morreu pouco tempo depois. Salva-vidas Guilherme da Guerra Domingos, de 24 anos, morreu no parque aquático Wet'n Wild, em Itupeva (SP), ao mergulhar para recuperar aliança de turista Reprodução Falta de EPI's Funcionários do parque denunciaram a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e más condições de trabalho. Em entrevista à TV TEM, uma funcionária, que também preferiu não se identificar, afirmou que, além das condições precárias de segurança, como estruturas de madeira apodrecida e equipamentos enferrujados, os funcionários enfrentam desvalorização no dia a dia. "A gente não têm aquele momento de lazer, não têm respeito, dignidade, não é tratado como um funcionário que faz seu papel e é reconhecido. Não interessa se você está bem, se está menstruada, com dor de cabeça, febre ou com gripe. A gente trabalha lá sem a menor noção se vai voltar vivo", contou a funcionária. Outra colaboradora afirmou que o Water Bomb estava em situação perigosa e sem grelha de proteção, o que, segundo ela, não atende aos critérios do checklist realizado pelos funcionários. O parque nega a falta da proteção. "Ele foi sugado e não saiu da piscina, mas não porque não sabe nadar ou não tem técnica, mas sim porque alguma coisa o impediu. Oito funcionários precisaram tentar tirar ele", contou a funcionária. SAIBA + SOBRE O CASO: 'ALEGRAVA A FAMÍLIA': irmã lamenta morte de salva-vidas sugado por ralo de piscina no Wet'n Wild RECUPERAR ALIANÇA: salva-vidas que morreu em parque aquático ao mergulhar para pegar joia de turista foi sugado por ralo O que diz o parque Em nota publicada nas redes sociais na quarta-feira (14), o Wet’n Wild lamentou a morte do colaborador, que atuava como líder dos salva-vidas, e informou que está prestando apoio à família e colaborando com as autoridades. O parque afirmou ainda que a piscina da atração Water Bomb não possui ralo. Segundo o comunicado, o sistema hidráulico é composto por drenos laterais, localizados em direção oposta à saída dos toboáguas, por onde os visitantes deixam a piscina. "As atrações e piscinas seguem normas rígidas que têm o objetivo de assegurar o bem-estar de colaboradores e visitantes. O parque passa por renovações frequentes e a checagem técnica das atrações é feita periodicamente por equipes internas e externas, conforme as normas em vigor", diz a nota. O parque ficou fechado nesta quarta-feira (14) e quinta-feira (15). A previsão é que as atividades sejam retomadas na sexta-feira (16). Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
