
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (15) o sigilo da decisão que autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quarta (14), que investiga fraudes financeiras do Banco Master. De acordo com o documento, as investigações da Polícia Federal apontam que o grupo investigado se aproveitou, de forma sistemática, "de vulnerabilidades do mercado de capitais" para realizar fraudes, utilizando fundos de investimento e elos societários, familiares ou funcionais. Para a PF, há indícios de que o grupo investigado, formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao Master, teria cometido, pelo menos, cinco crimes: organização criminosa gestão fraudulenta de instituição financeira induzimento ou manutenção em erro de investidor uso de informação privilegiada e manipulação de mercado lavagem de dinheiro Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os investigadores identificaram operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de indivíduos com ligações societárias ou familiares com o Banco Master. O esquema teria contado com laranjas e sócios ocultos. Uma das situações que chamou a atenção da Polícia Federal foi a da Clínica Mais Médicos, que captou milhões em notas comerciais sem garantias e com capital social zero. Para os investigadores, a presidente dessa empresa, Valdenice Pantaleão, era uma "laranja" que recebia auxílio emergencial. Valdenice tem como procurador Fernando Alves Vieira, que, de acordo com as apurações, possui vínculos com familiares de sócios do Banco Master. A Clínica Mais Médicos, conforme as investigações, teria emitido R$ 361 milhões em notas comerciais "sem quaisquer garantias, sendo que seu capital social integralizado era zero e sua receita operacional bruta anual de R$ 54 mil". "O que demonstra uma alavancagem manifestamente incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica", diz a investigação. Sócio oculto O documento também cita o empresário Nelson Tanure, que, segundo as investigações, seria um sócio oculto do Banco Master. Nelson Tanure foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero nesta quarta-feira (14). Ele teria exercido, no esquema, "influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas". Nesta quarta, Tanure teve bens bloqueados por ordem judicial. Caso do Banco Master está tendo grandes repercussões no sistema financeiro e também no mundo político brasileiro Reuters via BBC
