
Homem fica preso por engano por 30 dias em Araguaína Depois de passar um mês preso por engano, Osmar Sousa Figueiredo tenta "botar a mente no lugar". O vendedor ambulante foi levado para a cadeia após a Justiça confundir o nome dele com o de um suspeito de assassinato em Goiás. Para Osmar, a própria imagem ficou marcada e por isso tem sido difícil retomar a vida depois de tudo o que passou. "Em primeiro lugar, botar a mente no lugar, que não está no lugar ainda. Restabelecer de novo minha área de trabalho, com venda nas ruas. Minha imagem está suja, né? Vai ser um pouco difícil para mim retornar minha rotina de trabalho. Ainda bem que eu sou um pouco conhecido na cidade, o pessoal sabe que realmente eu não cometi esse fato que aconteceu, mas a rotina não tá sendo fácil, não", contou em entrevista à TV Anhanguera. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Conforme o advogado do vendedor, Fabrício Martins, um criminoso usou os dados pessoais do Osmar ao se apresentar à Polícia Civil em Rio Verde (GO) e, por isso, o mandado de prisão foi emitido no nome dele. O documento foi expedido no final de 2019. Osmar Sousa Figueiredo tenta reconstruir a vida após ser preso por engano em Araguaína Reprodução/TV Anhanguera O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás afirmou que determinou o arquivamento do processo do pedido de exceção de ilegitimidade, já que a prisão preventiva foi revogada e diligências para identificar o verdadeiro acusado foram deferidas. A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) afirmou que não realiza novas investigações sobre pessoas procuradas pela Justiça de outro estado e o procedimento legal consiste em cumprir o mandado e comunicar a autoridade competente (veja nota completa abaixo). O g1 pediu posicionamento para a Secretaria de Segurança Pública de Goiás, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM Vendedor ganha liberdade após ser confundido e ficar um mês preso por engano no TO, diz advogado ‘Destruidora de lar’: saiba o que a mulher que criou perfil falso para difamar ex-colega falava em mensagens O vendedor foi preso no dia 11 de dezembro de 2025, suspeito de um homicídio em Goiânia (GO). Osmar é natural de Araguaína e afirma que nunca conheceu a cidade em Goiás. No dia do cumprimento do mandado, ele havia acabado de chegar em casa quando a polícia bateu na porta de sua casa. "Tinha acabado de chegar de mais um dia de rotina, do meu trabalho, quando bateram no portão. A viatura já estava atrás desse outro carro. Aí falaram que eu estava preso e eu sem entender por que eu estava indo preso, porque não me falaram. Nunca tinha sido preso na minha vida. Como é que não fica assustado? A pessoa assusta bastante. Aí me levaram para a delegacia civil e, de lá, me levaram para a CPPA [Casa de Prisão Provisória de Araguaína]". Osmar foi solto no dia 10 de janeiro de 2026 e busca justiça pelo equívoco que levou à privação de sua liberdade. "Não tenho como explicar como está a minha mente. O que eu passei nesses 30 dias lá dentro, só eu sei. Agora a pessoa que fez a coisa está em liberdade? É muito complicado a pessoa engolir essa coisa da justiça, né? Mas eu estou aguardando o que a justiça vai fazer agora". Para o advogado, o que aconteceu com o vendedor foi um erro grotesco, que provocou uma situação humilhante para o seu cliente. "O Osmar, ele suportou o degradante, o humilhante, o aviltante sistema carcerário brasileiro. Um sistema que acaba com o ser humano. E o seu Osmar, ele está mal psicologicamente. Ele para sempre vai lembrar desse momento na vida dele e as pessoas vão lembrar disso na vida dele. E evidentemente vai ter sempre aqueles que não vão acreditar no Osmar. Quando eu analisei, eu demorei cair a ficha de que cometeram um erro tão grotesco", explicou. Íntegra da nota da Secretaria de Segurança Pública A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) esclarece que quando uma pessoa procurada pela Justiça de outro estado é localizada no Tocantins, a Polícia Civil do Tocantins não realiza novas investigações sobre o caso. O procedimento legal consiste em cumprir o mandado de prisão existente e comunicar imediatamente a autoridade responsável pela investigação e pela emissão do mandado. Eventuais divergências, inconsistências ou dúvidas referentes aos dados inseridos no Banco Nacional de Mandados de Prisão devem ser tratadas diretamente junto ao órgão que cadastrou o mandado, uma vez que somente a autoridade responsável pela investigação original pode retificar ou atualizar essas informações no sistema. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
