
Reencontro com o herói Em janeiro de 2011, o resgate de um bebê de seis meses comoveu o país. Foi durante a tragédia das chuvas na região serrana do Rio. Quinze anos depois, o adolescente reencontrou o bombeiro que salvou a vida dele e do pai. Wellington e Nicolas têm uma ligação muito forte. Mais do que pai e filho, eles são parceiros de sobrevivência. Um abraço simboliza tudo isso. Os dois permaneceram unidos por 15 horas, abraçados, soterrados por toneladas de escombros da própria casa. "Eu não tenho como falar do que a gente viveu sem falar de fé. Eu falo isso há quinze anos. Ele me salvou. A vida dele”, diz Wellington Guimarães. Em janeiro de 2011, uma das maiores tragédias climáticas da história do país deixou 918 mortos, o maior número já registrado no Brasil. Nem as equipes de resgate acreditavam que alguém ainda pudesse estar vivo no ponto onde Wellington e Nicolas foram encontrados, em Nova Friburgo. Nicolas não tem lembranças daquele dia. Era apenas um bebê de seis meses. "Conforme eu fui amadurecendo ele foi me contando as histórias, as coisas. Foi mostrando fotos, vídeos", diz Nicolas. Wellington recorda cada instante. “Eu comecei a dar saliva para hidratá-lo. É um instinto de sobrevivência”, diz. A mãe e a avó de Nicolas não sobreviveram. Wellington e Nicolas estiveram no quartel central do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Um encontro marcado, uma forma de demonstrar respeito por quem atuou no resgate. Wellington: Ah, que bom te encontrar, cara Bombeiro: quanto tempo, né cara. Nicolas: quanto tempo. Bombeiro: quinze anos.... foi um trabalho te tirar de lá. "Ouvi o choro dele. e achei que fosse um gato. falei, acho que tem um gato aqui. A gente chegou próximo ali e era o choro de uma criança", conta o bombeiro. O coronel Luciano Sarmento foi um dos primeiros bombeiros que saíram do Rio para ajudar nos resgates. "A gente foi lá para trabalhar, tirar três bombeiros que estavam soterrados, que estavam trabalhando na casa de vocês. E aí tivemos essa, presente da minha vida. Salvar vocês com vida. Muito bom, bom te ver". O coronel Sarmento pegou Nicolas dos braços do pai. “Foi uma liberação de adrenalina tão grande no meu corpo que eu sai daquilo ali, entreguei na mão do outro bombeiro. Não tinha força para fazer nada. Foi eu acho que o maior salvamento da minha vida. Um reencontro de 15 anos. Eu vi esse bebê saindo da minha mão, saiu nos meus braços, estou vendo ele aqui hoje sadio. Para mim acho que é a consagração da minha trajetória, da minha carreira. Conseguimos cumprir a missão. Eu e os bombeiros que lá estavam". "Eu acho serviço militar em si muito nobre, você servir pra ajudar as pessoas, então, acho muito importante essa carreira, quem segue ela, muito respeito", destaca Nicolas. "A gente só acaba dando valor aquilo que a gente passa partilhar esse momento, então, a gente tem uma eterna gratidão nossa. Toda vez que sai um carro de bombeiro e passa na frente da nossa casa, a gente está ouvindo uma sirene, a gente está em oração por eles. Somos uma história de fé e de muito amor, sempre ", relata Welligton. Quinze anos depois, adolescente reencontra bombeiro que o salvou quando era bebê em tragédia na região serrana do Rio Reprodução/TV Globo
