França inicia julgamento que define se líder da extrema-direita Marine Le Pen poderá concorrer à eleição em 2027

Published 2 hours ago
Source: g1.globo.com
França inicia julgamento que define se líder da extrema-direita Marine Le Pen poderá concorrer à eleição em 2027

Marine Le Pen concede entrevista à TV TF1, da França, após ser declarada inelegível, em 31 de março de 2025 Thomas Samson/Pool via Reuters A líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen inicia nesta terça-feira (13) num tribunal de apelações de Paris uma nova etapa de uma disputa judicial que será determinante para seu futuro político. Em março de 2025, o Tribunal Criminal de Paris considerou Le Pen culpada em primeira instância por uso indevido de recursos do Parlamento Europeu na época em que foi eurodeputada. A corte determinou que ela está proibida de concorrer a eleições por um período de cinco anos. Os juízes consideraram provado que ela herdou de seu pai e impulsionou um esquema de desvio de fundos do Parlamento Europeu para financiar seu partido. Caso a sentença seja mantida, a atual líder da bancada do RN na Assembleia Nacional será impedida de concorrer pela quarta vez à presidência da França, em 2027. Le Pen era uma das favoritas ao cargo antes de se tornar inelegível. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O objetivo dela é garantir sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Eliseu, após ter sido derrotada no segundo turno nas duas últimas eleições. Seu partido, o ultradireitista Reunião Nacional (RN), é considerado um forte candidato à vitória nas eleições do próximo ano. As pesquisas mostram que mais eleitores franceses preferem uma candidatura de Le Pen ou do líder do RN, Jordan Bardella, do que a de qualquer outro candidato das demais legendas. Inelegível por cinco anos Ela também foi condenada a quatro anos de prisão, sendo dois anos com o uso de tornozeleira eletrônica e outros dois com suspensão da pena. O julgamento diz respeito à suposta fraude envolvendo assistentes parlamentares entre 2004 e 2016. No total, mais de 4,4 milhões de euros teriam sido desviados entre 2004 e 2016 para pagar, sob o título de assistentes parlamentares, funcionários que trabalhavam para o partido, como seu próprio guarda-costas. Naquela época, o partido de Le Pen ainda se chamava Frente Nacional (FN). Em 2018, trocou de nome, para Reunião Nacional. LEIA TAMBÉM: Marine Le Pen, líder da extrema direita na França, se torna inelegível após condenação por desvios públicos Le Pen classifica veredito como político Le Pen sempre negou as acusações. "Não acho que tenha cometido a menor irregularidade, a menor ilegalidade", disse durante o julgamento inicial. Posteriormente, ela classificou o veredito como sendo de motivação política. Apenas metade dos 24 condenados em março, entre parlamentares europeus e assistentes, recorreu da sentença, enquanto os demais a aceitaram, o que enfraquece os argumentos da defesa. O partido, que foi condenado a pagar uma multa de pelo menos 1 milhão de euros, também contesta na Justiça a decisão do tribunal. O tribunal de apelação pode confirmar o veredito de primeira instância, o que encerraria as opções eleitorais de Le Pen, ou manter a culpabilidade sem decidir pela aplicação preventiva da inelegibilidade, permitindo que ela dispute o pleito de 2027. Ainda não se sabe exatamente quando uma decisão será proferida pelo tribunal no processo que deve durar até 12 de fevereiro. Observadores esperam que isso ocorra na metade do ano, quando a campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 2027 na França já estará em andamento. LEIA TAMBÉM: Sucessor político definido O partido já possui um plano B na figura de Bardella, o herdeiro político de Le Pen. Aos 30 anos, ele também aparece como favorito nas pesquisas, embora críticos ressaltem sua falta de experiência política num momento em que a França exige uma liderança forte diante de crises internacionais. Bardella aguarda o desenrolar dos fatos; ele sabe que, se Le Pen puder concorrer, deverá recuar, mas tenta se posicionar como um homem de Estado para assumir o posto caso a Justiça barre sua mentora. Bardella, que preside o Reunião Nacional desde novembro de 2022, garantiu a Le Pen seu total apoio. "Seria extremamente preocupante para a democracia se o Judiciário privasse o povo francês de uma candidata que já disputou o segundo turno duas vezes e é claramente a favorita", disse. A candidatura dela não significará uma ruptura com as propostas de Le Pen, afirmou o líder da RN. "Temos personalidades diferentes, mas não há divergências em nossas linhas políticas", declarou.

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