
Três são presos por esquema milionário em golpe do falso investimento A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realiza ofensiva nos estados de São Paulo e Goiás contra um golpe do falso investimento que teria feito ao menos 40 vítimas em todo o país. Estão sendo cumpridos, na manhã desta terça-feira (13), cinco mandados de prisão preventiva, 13 de busca e apreensão e mais de 100 bloqueios de conta. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp De acordo com a investigação, o grupo tem conexões no Camboja e um operador chinês que atuava a partir de São Paulo. O prejuízo às vítimas é milionário. Até a mais recente atualização desta reportagem, três suspeitos haviam sido presos. Eles não tiveram os nomes divulgados. Um dos capturados é um homem do estado de SP, conhecido como "chinês". Segundo a polícia, ele atuaria na habilitação das linhas telefônicas utilizadas no golpes. Também foram detidos dois operadores financeiros que eram sócios de empresas em Goiânia. "Para viabilizar a utilização de chips com números brasileiros pelos estelionatários [que se encontravam no Camboja], o chinês chegava a habilitar cerca de mil novos números de telefone celular por dia", afirma a Polícia Civil gaúcha. O grupo era estruturado em quatro núcleos especializados, com clara divisão de funções. Veja abaixo: Núcleo de Captação de Vítimas: Os criminosos utilizavam linhas telefônicas registradas em nome de terceiros, mas operadas a partir do mesmo dispositivo celular. A investigação identificou que as linhas eram ativadas remotamente a partir do exterior, utilizando dados cadastrais vazados na internet. Núcleo de Ativação de Linhas Telefônica – O "chinês" atuava como "chipeiro" da organização, responsável pela habilitação das linhas telefônicas utilizadas nos golpes. A análise de dados em nuvem revelou imagens de milhares de caixas de chips e canhotos de recarga, configurando a típica utilização de "linhas fantasmas" para dificultar o rastreamento dos responsáveis. Núcleo de Gestão e Lavagem de Capitais: As empresas beneficiárias dos valores transferidos pelas vítimas foram, em sua maioria, constituídas recentemente, com capital social elevado incompatível com a capacidade financeira de seus sócios formais, muitas delas sem sequer possuírem sede física identificável, observam os investigadores. Uma única empresa de fachada apresentou movimentação de mais de R$ 2,2 milhões em menos de um mês. Núcleo de Conversão em Criptoativos: Os valores obtidos ilicitamente eram rapidamente convertidos em criptomoedas estáveis e transferidos para terceiros, dificultando o rastreamento. A investigação identificou transferências superiores a R$ 7 milhões para compra de criptoativos em um único dia. Os crimes investigados são estelionato com fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. "Os protagonistas do esquema, a partir do estado de Goiás, terceirizaram parcelas do esquema e contrataram operadores com a expertise desejada em São Paulo e no Camboja para fornecerem os meios necessários para que o golpe funcionasse e fosse altamente lucrativo", diz o diretor da Divisão de Repressão aos Crimes Cibernéticos, delegado Filipe Bringhenti. Polícia Civil do RS cumpre ordens judiciais em SP e GO Divulgação/Polícia Civil A investigação As investigações começaram após a identificação de uma vítima do RS relatar que foi alvo de uma organização criminosa que se apresentava como empresa de consultoria especializada em investimentos. O primeiro contato se deu por meio de um anúncio patrocinado nas redes sociais que prometia alta rentabilidade em operações no mercado de ações. A vítima foi direcionada a um grupo de WhatsApp que contava com pelo menos 65 participantes. No espaço virtual, supostos investidores experientes e professores compartilhavam dicas de investimentos. Uma pessoa se passava por um americano com formação acadêmica na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Conforme a polícia, inicialmente, os criminosos forneciam orientações legítimas sobre as ações negociadas em plataformas nacionais, gerando ganhos reais para conquistar a confiança da vítima. A partir daí, induziam a migração para operações com criptomoedas, direcionando-a uma plataforma fraudulenta de investimento. "O capital da vítima era aportado, via transferências PIX, para contas de diversas empresas e, na sequência, supostamente convertido em criptoativos na plataforma dos golpistas, cujos saldos e lucros eram artificialmente inflados para encorajar novos aportes. Após ciclos de lucro fictício, perdas súbitas e inexplicadas ocorriam, sempre atribuídas a supostos erros operacionais da própria vítima", detalha a polícia. A investigação apurou que havia manipulação para que novos depósitos fossem realizados, sob falsas garantias contratuais e promessas de rentabilidade que chegavam a 6.000%. Um dos operadores adquiriu, em um único dia, mais de R$ 7 milhões em criptoativos. VÍDEOS: Tudo sobre o RS
