Thiaguinho oxigena o pagode com balanço bem black, mas esbarra nos limites do repertório de álbum ao vivo

Published 13 hours ago
Source: g1.globo.com
Thiaguinho oxigena o pagode com balanço bem black, mas esbarra nos limites do repertório de álbum ao vivo

Thiaguinho celebra o pioneirismo de Cassiano (1943 – 2021) e Tim Maia (1942 – 1998) com regravações de 'Primavera' e 'Coleção'' no álbum 'Bem black' André Nicolau / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Bem black Artista: Thiaguinho Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ “Bem black”, álbum ao vivo que Thiaguinho lança hoje, 9 de janeiro, é desdobramento mais popular de um disco lançado pelo artista há onze anos, “Hey, mundo!” (2015), com incursões pelo R&B e o soul, mas sem se afastar do samba, gênero ao qual o cantor é associado no imaginário nacional. Em “Bem black”, o samba é o mote do repertório composto por 14 músicas inéditas e por sete regravações, mas está junto e misturado com toques de gêneros da música black em arranjos pautados pelos sopros. Entre as regravações, há abordagem do funk “Olhos coloridos” (Macau, 1982), brado de resistência e orgulho do povo negro que Thiaguinho reaviva com suingue em feat com a intérprete original do tema, Sandra de Sá, cantora que cunhou um lema, Música Preta Brasileira, para designar a música popular do Brasil, preta pela própria natureza miscigenada. Sim, o samba sempre foi negro. O que Thiaguinho faz no álbum “Bem black” é revestir o gênero com um balanço evocativo dos bailes black, com um certo charme. Esse é o tom de sambas como “Conversa nova” (Vitão), “Me balançou” (Billy SP e Pierrot Jr.) e “A rua não tá facil” (Rodriguinho e Thiaguinho), mais moldados para um baile da pesada dos anos 1970 do que para a roda de “Tardezinha” na forma como foram formatados no álbum “Bem black”. Esses pagodes de alma soul abrem o álbum gravado ao vivo em 6 de novembro, em evento fechado no Club Homs, na cidade de São Paulo (SP), com produção musical orquestrada pelo próprio Thiaguinho com Wilson Prateado. A dupla de produtores também assina a composição que dá nome ao álbum “Bem black”, tema que expõe as boas vibrações de gravação alto astral, de tom festivo, exemplificado pela faixa “Entra no clima” (Bombozinho, Joey Mattos e Milthinho). “Bem black”, tanto o álbum como sobretudo a música, também pode ser entendido como um manifesto de união e paz do povo negro. No mosaico black das 11 faixas do primeiro volume do álbum (a segunda metade será lançada em meados deste ano de 2026), faz todo sentido a participação do grupo paulista Sampa Crew no R&B “Vai me ver feliz” (Thiaguinho e Wilson Prateado). Afinal, o Sampa Crew marcou época na década de 1990 com som pautado pelo R&B e pelo soul, mas com um toque de pagode romântico, fazendo lá atrás o caminho inverso que Thiaguinho segue em 2026. Partindo do samba, Thiaguinho tenta ecoar o balanço da Pilantragem de Wilson Simonal (1938 – 2000) em “Da nossa maneira” (Gabriel Barriga e Thiaguinho) e presta tributo a dois pioneiros do funk e do soul brasileiros, Cassiano (1943 – 2021) e Tim Maia (1942 – 1998), celebrados com as regravações de “Primavera” (Cassiano e Silvio Roachel, 1970) e “Coleção” (Cassiano, 1975), pérolas do soul nacional unidas em medley por Thiaguinho com base de samba, quase como se estivesse na roda popular do “Tardezinha”. E aí, por mais que as releituras estejam distantes da beleza das gravações originais, o álbum evidencia a supremacia do repertório antigo com o cancioneiro inédito reunido por Thiaguinho em “Bem black”. Essa é a limitação desse bom álbum oxigenado em que Thiaguinho vai além das fórmulas básicas do pagode sem se afastar do samba. Capa do álbum 'Bem black vol. 1', de Thiaguinho André Nicolau

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