Vídeo do momento em que ativista é morta contesta versão do governo Trump de que polícia da imigração agiu em legítima defesa

Published 18 hours ago
Source: g1.globo.com
Morte de americana pela polícia de imigração causa protestos Nos Estados Unidos, a quinta-feira (8) foi de protestos contra a morte da cidadã americana pela polícia de imigração.   Renee Nicole Good, tinha 37 anos, era mãe de três filhos. Depois que o marido morreu, ela se mudou para Minneapolis, em 2025, para recomeçar. O plano foi interrompido nesta quarta-feira (8). O governo Trump têm dito que o agente do ICE, a polícia de imigração que matou Renee a tiros agiu em legítima defesa. Autoridades do estado e muitos americanos contestam essa versão. A cena foi gravada por várias testemunhas. São estes olhares que podem ajudar a esclarecer o caso. Em um vídeo é possível ver o carro de Renee parado bloqueando parcialmente a rua. Uma mulher manda os policiais irem embora. Diz “volte para Texas".  Dois agentes vão em direção a Renee e mandam ela sair do carro. Um deles tenta abrir a porta à força, e coloca a mão para dentro da janela.   Ela dá ré e tenta fugir. É quando outro agente dispara várias vezes. No vídeo pausado, é possível perceber que esse agente saca a arma ainda enquanto Renee está dando ré. Antes de ela avançar com o carro. Dá também para ver pelos pneus dianteiros do carro que ela virou a direção para a direita antes de acelerar – ou seja, para longe do agente. A imagem contesta a afirmação do presidente Donald Trump.   Pela rede social, nesta quinta-feira (8), o presidente Donald Trump afirmou que o carro atingiu o policial. Em um outro vídeo até parece que o carro acerta o agente. Mas segundo uma análise do jornal de New York Times, que comparou aquele exato momento porém de outro ângulo. Fica claro que ele não foi atingido, e que havia certa distância do carro. Depois dos disparos, os agentes do ICE continuam na cena. Uma testemunha pergunta se pode checar o pulso de Renee. Testemunha: Posso chegar o pulso dela? Agente: Não! Para trás, agora! Um dos agentes responde: não. O homem diz: eu sou médico. O agente responde: "Nós temos médicos". O Jornal Nacional ouviu o especialista em segurança pública Michael Alcazar, ex-policial de nova York, que analisou os detalhes da operação. Alcazar disse que os dois lados se colocaram numa situação de risco: a motorista por não obedecer à ordem policial. E o agente do ICE ao se colocar em frente ao veículo. Nesta quinta-feira (8), o vice-presidente JD Vance repetiu que o policial agiu em legítima defesa. E disse que a tragédia de Renee foi causada por ela mesma. “Ninguém quer que um cidadão americano seja morto. Mas é uma tragédia causada pela extrema esquerda, que radicalizou uma parcela da população, ensinando que os agentes do ICE estão violando os direitos das pessoas", disse Vance.     A polícia de imigração dos Estados Unidos, o ICE, foi criada após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O objetivo era aplicar leis de imigração dentro do território americano e investigar ameaças terroristas. São esses agentes que têm a autoridade para deter e deportar imigrantes. Desde que Trump voltou à Casa Branca, em 2025, com a promessa de deportar milhões de imigrantes, a demanda por novos agentes disparou. E começaram a surgir denúncias. Um delas publicada pelo canal NBC News, afirma que alguns desses novos recrutas estavam sendo admitidos “antes mesmo que a agência concluísse o processo de verificação do histórico dos candidatos - na pressa do presidente Trump para implementar a política de deportação em massa”. Na guerra de narrativas, a secretária de segurança interna, Kristi Noem, chamou o incidente de um ato de terrorismo doméstico. “Esses indivíduos usam seus veículos para tentar atropelar nossos policiais e colocar suas vidas em risco”. A coletiva foi marcada por outro motivo: para que a secretária falasse sobre uma operação que desarticulou uma gangue de criminosos da República Dominicana. Mas a morte de Renee Good foi o que dominou as perguntas dos jornalistas – e provocou a indignação de americanos. Do lado de fora da coletiva, nova iorquinos protestaram.     Laila é ativista em Nova York. Ela escreveu num cartaz: "eles atiraram e mataram ela.''   Nova York é uma das mais de dez cidades que desde ontem registraram manifestações, incluindo Minneapolis, local onde Renne foi morta.   Nesta quinta-feira (8), o governador do estado, Tim Walz, disse que apenas uma investigação minuciosa pode mostrar o que aconteceu. Mas que isso não deve acontecer, porque, segundo ele, a secretária de segurança interna atuou como juíza ao determinar que o agente agiu em legítima defesa. Não só em Nova York, mas também na Filadélfia, na capital Washington e também em Minneapolis, onde foi morta Renee Nicole Good, estão acontecendo protestos na noite desta quinta-feira (8). Um protesto começou no sul de Manhattan, em frente à sede da prefeitura e começou a se deslocar agora há pouco. Lembrando que na quarta-feira (7) o prefeito recém empossado de Nova York, Johan Mandani, condenou a ação do ICE. Os manifestantes criticam a versão do governo Trump de que o policial de imigração agiu em legítima defesa. Os cartazes fazem uma defesa da democracia e um deles faz um trocadilho com o sobrenome de Renee Good que quer dizer bem em inglês e diz a polícia de imigração matou o bem.

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