
Ataque dos Estados Unidos à Venezuela mexe com o mercado de petróleo O ataque dos Estados Unidos à Venezuela mexeu com o mercado de petróleo. O maior impacto foi nos contratos futuros do óleo tipo Brent, que subiram 1,66%. Uma reação ao anúncio de que empresas americanas vão voltar a produzir petróleo na Venezuela. Multinacionais que atuavam no país tiveram seus bens expropriados pelo ex-presidente Hugo Chavez, em 2007. A estatal PDVSA assumiu a produção e os investimentos. "Ela dispensou pessoas, ela ficou, por isso, sem acesso à tecnologia, e ficou sem acesso a financiamento. E aí uma empresa que produzia mais de 3 milhões de barris por dia hoje produz menos que 1 milhão", explica David Zylbersztajn Professor do instituto de energia/ PUC- Rio. A economia da Venezuela depende quase exclusivamente do petróleo. Chegou a ser um dos maiores produtores do planeta. Apesar das reservas - com mais de 300 bilhões de barris - a falta de investimentos fez a indústria encolher. É agora 30% do que já foi um dia. "A Venezuela, já nos últimos 15 anos, foi retirando os incentivos e as condições, do ponto de vista institucional e regulatório que favoreciam a permanência e a participação de empresas estrangeiras, notadamente norte-americanas", diz Helder Queiroz, professor do Instituto de economia da energia da UFRJ. Mas por que os Estados Unidos - maiores produtores de petróleo do mundo - estariam interessados no óleo venezuelano, que é mais pesado e viscoso? Segundo especialistas, grandes refinarias - principalmente na costa do golfo do México - são equipadas para refinar exatamente esse tipo de matéria prima. "As refinarias precisam de um determinado mix de petróleo que às vezes não têm no país. Que é o caso dos Estados Unidos, eles não têm produção de petróleo ultra pesado como o da Venezuela. Eles têm que importar do Canadá, do México e da Venezuela também", explica Edmar de Almeida Professor do Instituto de Energia da PUC-Rio. Na Venezuela, as empresas já sabem onde tem petróleo e o retorno do investimento pode ser mais rápido. "Tem lugares que já podem aumentar muito rapidamente. Até uma eficiência operacional você já aumenta a produção, porque hoje você tem uma imensa ineficiência na Venezuela. Então você pode já ter impactos positivos em dois anos, em três anos, então é muito pouco tempo", afirma David Zilberstein. No Brasil, a Petrobras informou que não tem operações na Venezuela e permanece acompanhando o mercado. As ações da empresa caíram nesta segunda-feira (5). Os especialistas dizem que ainda é muito cedo para arriscar cenários. É preciso aguardar os desdobramentos das negociações entre os dois países. E lembram que não dá para produzir petróleo sem criar o ambiente para os investimentos. "Estados Unidos sempre buscou exercer a sua influência geopolítica aqui na região, mas nunca foi feito de uma forma tão explícita e direta como foi feito na Venezuela. Então isso muda o paradigma geopolítico em relação ao papel da nossa região em relação aos Estados Unidos e isso vai ter que fazer todo mundo repensar o nosso futuro e o nosso posicionamento geopolítico", diz Helder. Ataque dos Estados Unidos à Venezuela mexe com o mercado de petróleo Reprodução/TV Globo
