
Aeronaves são vistas voando baixo durante explosões em Caracas A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, convocou ministros e a população venezuelana neste sábado (3) a resistir a uma intervenção dos Estados Unidos no governo do país. Em um pronunciamento transmitido na televisão pública, ela pediu calma e afirmou que a Venezuela "nunca será colônia de nenhuma nação". Disse ainda que Nicolás Maduro continua sendo o único presidente do país e classificou sua captura como um “sequestro” promovido pelos EUA. 🔴 AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias em tempo real ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O pronunciamento foi feito em Caracas, ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidente, além do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e dos titulares das pastas das Relações Exteriores e da Defesa. ➡️ Após meses de especulações e operações marítimas perto da costa da Venezuela, os Estados Unidos atacaram neste sábado diversos pontos de Caracas e capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa. Eles foram levados a Nova York em um navio de guerra norte-americano. "A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro", disse Rodríguez. A declaração ocorreu após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Washington pretende assumir interinamente o controle do país até a realização de uma transição, depois da captura de Maduro na madrugada deste sábado. Rodríguez é apontada como possível interina Fontes ouvidas pelo jornal "The New York Times" afirmaram mais cedo que Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina em uma cerimônia secreta. Rodríguez, no entanto, não mencionou a suposta posse em seu pronunciamento. ➡️Figura central do chavismo, Delcy Eloína Rodríguez Gómez nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969. É filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, partido marxista, morto em 1976 enquanto estava sob custódia policial, e de Delcy Gómez. É irmã de Jorge Rodríguez Gómez, ex-vice-presidente da Venezuela e ex-prefeito de Caracas, um dos principais articuladores políticos do regime. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que os EUA vão "administrar" a Venezuela de forma interina, anunciou a entrada de petroleiras norte-americana em solo venezuelano e disse que ampliará "o domínio americano no Hemisfério Ocidental". Trump afirmou que os EUA assumirão o governo da Venezuela através de um "grupo" que está sendo designado até que haja uma transição de poder, mas não informou nem como nem quando isso ocorreria. Ele disse apenas que informará em breve os integrantes do grupo. "Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela", declarou Trump em pronunciamento feito nesta tarde em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, para detalhar a operação de captura de Maduro. O presidente norte-americano indicou que o grupo será formado por membros do alto escalão de seu governo e indicou que não incluirá a líder oposicionista María Corina Machado. Mais cedo, Machado pediu que a oposição tomasse o poder de forma imediata. Mas Trump afirmou que a oposicionista, vencedora do Nobel da Paz de 2025, "não tem apoio interno nem respeito" para governar. "É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela", declarou Trump, que disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, vem dialogando com a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, que "está disposta a fazer o que for preciso". Ele invocou ainda em sua fala a Doutrina Monroe, a política que os EUA estabeleceram há 200 anos para ampliar influência na América Latina e reivindicar a soberania de Washington sobre o Ocidente. E disse que "o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado". "Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado. Não vai acontecer. (...) Sob a administração Trump, estamos reafirmando o poder americano de uma forma muito poderosa em nossa região", declarou. Na nova estratégia de política externa que lançou no início de dezembro, o governo Trump já falava em resgatar a Doutrina Monroe. 'Vamos fazer o petróleo fluir' Trump fala sobre ataque à Venezuela Reuters/Jonathan Ernst No pronunciamento, Trump também anunciou que petroleiras norte-americanas começarão a atuar na indústria petrolífera da Venezuela, que o presidente dos EUA alegou ter sido "roubada" dos EUA pelo governo venezuelano. "Vamos fazer o petróleo fluir". "Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", disse. "Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós (...). Uma enorme infraestrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças". Questionado sobre se o Congresso norte-americano havia sido previamente informado sobre a operação — como prevê a Constituição dos EUA —, ele disse que o secretário de Estado informou membros do Congresso após a ação porque, caso contrário, "eles a vazariam. Sempre há vazamentos no Congresso". Sobre o destino de Nicolás Maduro, ele disse que o presidente venezuelano "será levado a Nova York em um futuro breve", mas não detalhou quando. Trump afirmou ainda que a Justiça decidirá onde Maduro ficará preso enquanto aguarda julgamento nos EUA. LEIA MAIS: SANDRA COHEN: Com intervenção na Venezuela e prisão de Maduro, Trump consolida hegemonia dos EUA na América Latina TREINO EM RÉPLICA DE BUNKER, INFORMANTE, PLANEJAMENTO DE MESES: como foi a captura de Maduro na Venezuela REAÇÃO CHINESA: China condena ataque à Venezuela e diz que EUA ameaçam a paz na América Latina Novas ofensivas na Venezuela No pronunciamento, Trump indicou ainda que os EUA podem fazer uma nova ofensiva em solo venezuelano. Ele disse não ter medo de colocar "tropas na Venezuela" e falou que "os maus elementos" do regime Maduro ainda estão no país latino-americano. O presidente norte-americano afirmou ainda que a operação de captura de Maduro, que segundo ele durou apenas 47 segundos, foi a maior ação militar dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial: "(...) Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo, para lançar um ataque espetacular, um ataque como não se via desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou Trump. Mais cedo, em entrevista à rede de TV Fox News que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela, após forças dos EUA capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na última madrugada. Trump disse ainda que Maduro e a esposa estão a caminho de Nova York, a bordo de um dos navios da Marinha norte-americana posicionados no Caribe desde o fim de 2025 (leia mais abaixo). Até então, o paradeiro do presidente venezuelano era desconhecido. Em entrevista à rede de TV Fox News, Donald Trump também afirmou que os EUA passarão a estar "fortemente envolvidos" com a indústria petroleira da Venezuela. Ele não detalhou qual será o envolvimento, mas disse que a China "continuará recebendo petróleo venezuelano". Questionado se a líder opositora venezuelana, María Corina Machado, seria colocada no poder pelos EUA, Trump disse: "ainda estou decidindo sobre o futuro da Venezuela". "Tem a vice-presidente (Delcy Rodríguez) também", afirmou. Transmissão 'ao vivo' da captura Mapa mostra locais dos ataques dos EUA à Venezuela em 3 de janeiro de 2025. arte/ g1 Na entrevista, Trump disse ainda que assistiu ao vivo à captura de Nicolás Maduro, transmitida por agentes que participaram da missão em Caracas. "Foi como ver um programa televisivo", afirmou. O presidente norte-americano declarou ainda que o ataque dos EUA à Venezuela estava previsto para ocorrer quatro dias atrás, mas foi adiado por causa de condições climáticas. Acrescentou que chegou a falar com Maduro uma semana atrás, quando o venezuelano supostamente tentou negociar uma saída pacífica do poder. "Eles quiseram negociar no final, mas eu não queria", disse ele na entrevista. Transporte por navio Navio anfíbio USS Iwo Jima, que Trump diz ter transportado Maduro e esposa após captura, navegando no mar do Caribe em 28 de agosto de 2025. Logan Goins/Marinha dos Estados Unidos Segundo Trump, Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados em Caracas pelos agentes que participavam do ataque dos EUA à Venezuela. Ambos foram então levados por um helicóptero das Forças Armadas dos EUA até o Iwo Jima, um dos navios de guerra da Marinha dos EUA que estavam posicionados no mar do Caribe desde o fim do ano passado. ➡️ Um dos principais navios da frota da Marinha dos EUA, o Iwo Jima é um navio de assalto anfíbio da classe Wasp, equipado para operar aeronaves de decolagem curta e pouso vertical (como o F-35B), além de realizar operações de desembarque anfíbio com tropas e veículos. A embarcação tem ainda grande capacidade para projetar poder aéreo e terrestre em operações combinadas, contando com helicópteros, aviões e fuzileiros a bordo. Ataque à Venezuela Mais cedo, o próprio Trump anunciou o ataque em suas redes sociais: "Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, capturado com sua esposa, e retirado do país por via aérea." De acordo com Trump, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente não informou para onde Maduro e a mulher foram levados. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, diz não saber onde Maduro está e exigiu uma prova de vida para o governo americano. Uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela, na madrugada deste sábado. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude. LEIA TAMBÉM Lançadores de mísseis, navios para desembarque terrestre e submarino: o arsenal militar dos EUA na Venezuela; INFOGRÁFICO INFOGRÁFICO: como os EUA cercaram a Venezuela em operação que ameaça Maduro Venezuela declara emergência após ataque dos EUA 'Agressão imperialista' Trump e Maduro AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez Logo após o início da ofensiva, o governo da Venezuela publicou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. Caracas disse que o presidente venezuelano convocou forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização. "O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada", diz o texto. "O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista." O governo venezuelano afirmou ainda que o objetivo da operação americana seria tomar recursos estratégicos do país, principalmente petróleo e minerais. No comunicado, Caracas disse que os EUA tentam impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”. Por fim, a Venezuela declarou que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país. Maduro na mira Nicolás Maduro discursa durante manifestação na Venezuela Stringer/AFP ➡️ A pressão sobre o governo venezuelano começou em agosto, quando os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro. À época, o governo norte-americano reforçou a presença militar no Mar do Caribe. Inicialmente, a Casa Branca afirmou que a mobilização militar tinha como objetivo combater o narcotráfico internacional. Com o tempo, autoridades americanas passaram a dizer, sob anonimato, que o objetivo final seria derrubar o governo Maduro. Trump e o presidente venezuelano chegaram a conversar por telefone em novembro. No entanto, segundo a imprensa americana, os contatos terminaram sem avanços, já que Maduro teria demonstrado resistência em deixar o poder. No mesmo mês, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista. O governo americano acusa Maduro de liderar o grupo. Ainda em novembro, a imprensa internacional informou que os EUA estavam prestes a iniciar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela. Além disso, de acordo com o jornal The New York Times, os Estados Unidos têm interesse em assumir o controle das reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo. Nas últimas semanas, militares americanos apreenderam navios petroleiros da Venezuela. Trump também determinou um bloqueio contra embarcações alvos de sanções e acusou Maduro de roubar os EUA. VÍDEOS: mais assistidos do g1
