
Ministro da Defesa diz que fronteira com Venezuela está aberta A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, confirmou neste sábado (3) que não há brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, durante a madrugada. A declaração foi dada após reunião ministerial de emergência, convocada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro foi coordenado por videoconferência pelo presidente, que está em viagem de férias no Rio de Janeiro. Após meses de especulações e operações marítimas perto da costa da Venezuela, os Estados Unidos atacaram nesta madrugada diversos pontos de Caracas e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a ação militar de inaceitável e disse que ela abre um "precedente perigoso" para a América Latina (veja mais abaixo). Imagem mostra movimento do Exército na fronteira do Brasil com a Venezuela Fernando Maracaipis/Arquivo pessoal Participaram da reunião o Ministro das Relações Exteriores, o Ministro da Defesa, o Ministro-Chefe da Casa Civil, o Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que neste momento não há qualquer movimentação anormal na fronteira, mas que o governo segue acompanhando a situação (veja no vídeo acima). A passagem, no entanto, foi fechada nesta manhã pelo governo venezuelano. Do lado brasileiro, o espaço segue aberto e as atividades estão regulares, segundo Múcio. Mais cedo, o Ministério da Justiça publicou uma nota afirmando que se prepara para um eventual aumento do fluxo de refugiados. Uma nova reunião foi marcada para o fim desta tarde, também no Itamaraty. Segundo a ministra Maria Laura da Rocha, o governo brasileiro está em contato com autoridades venezuelanas e acompanha a situação interna. Lula chamou ataque de 'inaceitável' Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nas redes sociais sobre o ocorrido e afirmou que a ação militar ultrapassa a linha do que é aceitável na relação entre países. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional." Lula também afirmou que a ação militar desta madrugada é uma flagrante violação do direito internacional e abre espaço para um mundo de "violência, caos e instabilidade". O petista também defendeu que "a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz". "A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação." Maduro capturado O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela, após forças dos EUA capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na última madrugada. Trump disse ainda que Maduro e a esposa estão a caminho de Nova York, a bordo de um dos navios da Marinha norte-americana posicionados no Caribe desde o fim de 2025 (leia mais abaixo). Até então, o paradeiro do presidente venezuelano era desconhecido. Em entrevista à rede de TV Fox News, Donald Trump também afirmou que os EUA passarão a estar "fortemente envolvidos" com a indústria petroleira da Venezuela. Ele não detalhou qual será o envolvimento, mas disse que a China "continuará recebendo petróleo venezuelano".
