Vilas Reencontro: em três anos, Prefeitura de SP já investiu R$ 259 milhões para acolher população em situação de rua

Published 2 hours ago
Source: g1.globo.com
Vilas Reencontro: em três anos, Prefeitura de SP já investiu R$ 259 milhões para acolher população em situação de rua

Prefeitura já investiu R$ 259 milhões nas Vilas Reencontro em SP Em três anos, a Prefeitura de São Paulo investiu R$ 259 milhões nas Vilas Reencontro, segundo levantamento obtido com exclusividade pela TV Globo via Lei de Acesso à Informação (LAI). Especialistas consideram o programa como um importante passo na assistência às pessoas em situação de rua, mas apontam que ainda há muitos desafios no suporte dedicado a elas. No total, já são 11 unidades em funcionamento na capital, todas elas no formato de habitações modulares. A primeira foi inaugurada em dezembro de 2022 no Canindé, na região central, e a mais recente está em operação há um mês, em Cidade Tiradentes, na zona leste. Segundo a Prefeitura, a meta é chegar a 20 unidades até 2028. Atualmente, 1.715 pessoas estão acolhidas e há capacidade para até 2.632 pessoas. O custo médio mensal por pessoa é de R$ 2.117,05. Interior de casa modular na Vila Reencontro Cruzeiro do Sul Reprodução/TV Globo “É um processo que a gente precisava para recomeçar, porque a gente precisava de um lar. Poder dar um lar para os nossos filhos. Poder estar num ambiente em que a gente pudesse voltar a sonhar”, diz Jéssica Viana, acolhida na Vila Reencontro junto com o marido Bruno, após deixar o interior de Minas Gerais em busca de uma vida melhor na capital. O acolhimento é temporário: a permanência prevista é de um ano, com possibilidade de prorrogação por mais um ano, período em que é oferecido suporte para as pessoas conquistarem estabilidade e independência financeira. Porém, dados da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) apontam que 80 pessoas já estão há mais de dois anos e seguem recebendo suporte. Saídas qualificadas e suporte assistencial Casas modulares da Vila Reencontro Cruzeiro do Sul Renata Bitar/g1 Se por um lado há a expectativa de que o tempo de permanência não ultrapasse dois anos, não há prazo mínimo para ficar na Vila Reencontro: se o morador demonstrar que alcançou autonomia e recursos para prover sua subsistência, ele pode obter a chamada “saída qualificada”. Desde 2022, 888 pessoas conseguiram a saída, com emprego e aluguel próprio. A Prefeitura de SP explica que após a saída há um acompanhamento realizado por assistentes sociais e psicólogos durante pelo menos um ano, porque pode haver dificuldades de acesso a direitos e outras da própria rotina social, como por exemplo documentos, capacitações e educação formal. Ao saírem, os moradores podem receber o benefício Auxílio Reencontro Moradia – uma ajuda financeira para arcar com o valor de aluguel de um imóvel. Há ainda o Auxílio Reencontro Família, que pode ser pago quando a pessoa retorna ao convívio familiar, reestabelecendo os vínculos que foram rompidos quando esteve em situação de rua Na modalidade solo (beneficiário sem acompanhante/dependente), o valor do benefício é de R$ 600, enquanto na modalidade núcleo familiar (beneficiário conta com acompanhante/dependentes) é de R$ 1200. Dados de outubro do ano passado mostram que 73 benefícios Auxílio Família e 616 benefícios Auxílio Moradia estavam sendo pagos. Especialistas apontam desafios do acolhimento Apesar dos números, especialistas alertam para a complexidade do problema. Luiz Kohara, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, destaca que a população de rua é heterogênea e exige abordagens diferenciadas: “Às vezes, alguns precisam de um cuidado muito intenso, principalmente quem está fazendo um trabalho de redução de danos e que tem dificuldades de convivência. Quem chega na situação de rua, chega com muita fragilidade, em um processo de muitas perdas. Essas pessoas precisam ter uma dinâmica para poder conquistar a autonomia, enquanto outras precisam de um cuidado muito mais intensivo.” Kohara destaca a importância de acompanhar as famílias após a saída, pois existe o medo de precisarem voltar para a situação de rua. O g1 já conversou com famílias acolhidas sobre esta insegurança. “Para ter efetividade, é preciso apoio processual por um tempo longo, em que toda a questão da saúde seja acompanhada e que a pessoa tenha depois garantia de renda", afirma Kohara. Pessoas em situação de rua debaixo do Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão, no Centro de São Paulo NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO Critérios para ingresso no programa De acordo com a Prefeitura, há dois critérios fundamentais para o atendimento na Vila Reencontro: ter condições de autocuidado compatíveis com a moradia autônoma e registro em sistemas de informação da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Satisfazendo os dois critérios, há uma ordem de priorização para conseguir a vaga: presença de criança na primeira infância (0-6 anos); presença de mulher vítima de violência; presença de mulher trans ou homem trans ou travesti; presença de mulher chefe de família. O programa também oferece suporte a imigrantes: 809 já foram acolhidos desde o início do programa. 11 unidades em funcionamento A Prefeitura diz que não há planos para desativar as Vilas Reencontro por enquanto, já que há uma demanda reprimida para ocupação dos módulos. Pelo contrário, o plano é a expansão do Programa com 20 Vilas Reencontro até 2028. Confira o endereço das unidades: Cruzeiro do Sul - Rua Paulino Guimarães, 108, Canindé Anhangabaú - Ladeira da Memória, República Pari - Avenida Projetada Canindé Pari, 279, Pari Santo Amaro - Praça Dom Francisco de Sousa, s/n, Santo Amaro Guaianases I - Rua Mte Valentim, 281, Guaianases Jabaquara I - Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 4433, Jabaquara Canindé - Rua Monsenhor Maximiano Leite, 70, Canindé Jabaquara II - Rua Conception Arenal, 164, Jabaquara Guaianases II - Avenida José Higino Neves, 355, Guaianases Sapopemba - Rua Manhã de Sol, 94, Sapopemba Tiradentes - Rua dos Têxteis, 2155, Cidade Tiradentes

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