
Cavalo se despede de estudante que morreu em acidente de moto no RS Uma cena comovente marcou a despedida do estudante de Agronomia Gabriel Oliveira, de 25 anos, morto em um acidente de moto em novembro, em Porto Alegre. O cavalo dele, chamado de "Cebetófolis", participou do velório realizado em Esteio, na Região Metropolitana, onde Gabriel morava com a família. Os dois eram companheiros havia nove anos e dividiam a rotina em rodeios pelo Rio Grande do Sul. “Ele cheirava o caixão, parecia entender que estava se despedindo do Gabriel. Eles eram inseparáveis”, contou a mãe, Carla Andréia Lehmkuhl, de 51 anos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Gabriel laçava desde os quatro anos de idade e acumulou dezenas de troféus em competições. Entre amigos, era conhecido pelos apelidos de “Catarina”, por ter nascido em Blumenau (SC), e “Sorriso”, pela facilidade em se divertir e fazer amizades. “A paixão dele era o rodeio. Laçar, que ele fazia desde pequeno. São muitos e muitos troféus. Mas o cavalo, para ele, vinha sempre em primeiro lugar. Depois, ele tinha muita paixão pela Agronomia, pela faculdade, pelo curso”, disse a mãe, emocionada. O cavalo seguirá sob os cuidados da família, na mesma hotelaria onde ficam os outros animais. O pai de Gabriel, Admilson Jair de Oliveira, de 51 anos, também praticante do laço, afirma que manter o animal é uma forma de preservar o legado do filho. A despedida do jovem foi marcada por um cortejo no dia 20 de novembro, com amigos e familiares acompanhando o trajeto montados a cavalo. Acidente Gabriel era estudante de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e também trabalhava como motoboy. Ele morreu após bater a motocicleta em um caminhão guincho parado na faixa da esquerda da Avenida Dom Pedro II, no cruzamento com a Cristóvão Colombo, enquanto se deslocava para fazer uma prova na universidade. “Ele bateu naquele caminhão e não resistiu. Mas ele não estava rápido. O caminhão estava na esquerda, quando deveria estar na direita, e não havia sinalização adequada”, relatou a mãe. “Ele era amigo dos amigos, era feliz, sorridente. A gente dizia que o sorriso dele era igual ao do cavalo. Amava viver, amava o rodeio e era apaixonado pelo curso de Agronomia que fazia”, completou. Carla Andréia disse que, apesar de respeitar as escolhas do filho, tinha receio da rotina sobre duas rodas. “Todo dia eu dizia para ele: ‘meu filho, não vejo a hora de tu te formar e largar essa moto’”, relembrou. Aumento de mortes no trânsito Segundo dados da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), 30 pessoas morreram em acidentes envolvendo motocicletas em Porto Alegre nos oito primeiros meses de 2025. No mesmo período do ano passado, foram 23 mortes. O número de feridos também aumentou. Entre janeiro e agosto deste ano, foram 2.848 pessoas feridas em acidentes com motocicletas na capital — um crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2024. A maioria das vítimas, cerca de 2.300, era condutora de motocicleta. Em média, 423 acidentes com motos são registrados por mês nas ruas de Porto Alegre. Isso significa que, a cada uma hora e quarenta minutos, um motociclista se envolve em uma ocorrência de trânsito, na maioria das vezes com feridos. Autoridades apontam que não há uma única causa para os acidentes, mas fatores como imprudência, pressão por prazos curtos nas entregas e o crescimento da frota contribuem para os números. No Rio Grande do Sul, o total de motocicletas passou de 1,18 milhão em 2019 para mais de 1,34 milhão em 2025, segundo o DetranRS. A EPTC informou, por nota, que tem intensificado ações de fiscalização, educação para o trânsito e engenharia viária, com o objetivo de coibir condutas irregulares e aumentar a segurança nas ruas da capital. Sobre o acidente que resultou na morte de Gabriel, a empresa disse que "uma viatura que passou pelo local, onde se encontrava um caminhão em pane mecânica, deslocava-se para atendimento de outra ocorrência e constatou que o veículo estava devidamente sinalizado com o triângulo de segurança, de modo a alertar e prevenir os demais usuários da via, conforme orientação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB)". Cavalo participou do velório do companheiro Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS
