
Em Davos, Trump insiste em compra da Groenlândia e diz que não fará uso da força, mas ameaça Europa e Otan O príncipe Harry criticou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não chegaram a atuar na linha de frente durante a campanha dos EUA no Afeganistão. Nesta sexta-feira (23), Harry afirmou que os sacrifícios das tropas “merecem respeito”. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump tem reclamado com frequência da suposta falta de apoio da aliança militar aos interesses dos EUA. Na quinta-feira (22), em entrevista à Fox News, ele voltou a criticar o papel dos aliados no Afeganistão. “Nunca precisamos deles. Na verdade, nunca lhes pedimos nada”, disse. “Eles vão dizer que enviaram algumas tropas para o Afeganistão, e enviaram mesmo, mas ficaram um pouco mais atrás, um pouco afastadas da linha de frente”, afirmou. 👉 Os Estados Unidos acionaram a Otan após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Tropas da aliança atuaram ao lado das forças americanas na chamada Guerra ao Terror. Harry, que esteve no Afeganistão em duas ocasiões enquanto servia ao Exército britânico, criticou as declarações de Trump em um comunicado enviado à imprensa. “Eu servi lá. Fiz amigos para a vida toda. E perdi amigos. Só o Reino Unido teve 457 militares mortos. Milhares de vidas foram transformadas para sempre. Mães e pais enterraram filhos e filhas. Crianças ficaram sem um dos pais. Famílias tiveram que arcar com as consequências.” “Esses sacrifícios merecem ser mencionados com sinceridade e respeito, porque todos permanecemos unidos e leais à defesa da diplomacia e da paz.” O príncipe foi enviado secretamente ao Afeganistão pela primeira vez em 2008. Ele ficou no país por dez semanas e deixou a missão após reportagens revelarem a localização de Harry. O filho do rei Charles voltou ao Afeganistão em 2012, quando atuou como copiloto e artilheiro de helicóptero. Em sua biografia, Harry revelou ter matado 25 combatentes do Talibã. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também criticou os comentários de Trump. Segundo ele, as falas do presidente dos EUA são "ofensivas" e "deploráveis". "Não me surpreende que [as falas] tenham causado tanta dor aos familiares daqueles que foram mortos ou feridos", disse Starmer a jornalistas nesta sexta-feira. O príncipe britânico Harry prepara-se para missão no Afeganistão em 31 de outubro de 2012 AFP Otan na fronteira Em uma postagem em uma rede social, Trump afirmou que os EUA poderiam invocar o Artigo 5 do tratado da aliança militar — que prevê defesa coletiva em caso de ataque — para forçar os aliados a ajudarem na proteção da fronteira. “Talvez devêssemos ter colocado a Otan à prova: invocado o Artigo 5 e forçado a Otan a vir até aqui proteger nossa fronteira sul contra novas invasões de imigrantes ilegais, liberando assim um grande número de agentes da Patrulha de Fronteira para outras tarefas”, escreveu. O Artigo 5 da Otan nunca foi usado para lidar com imigração e é tradicionalmente associado a ataques armados contra países-membros. As declarações de Trump foram feitas em meio a tensões entre os norte-americanos e a Europa. O presidente tem pressionado países aliados ao defender que os EUA assumam o controle da Groenlândia, que é um território autônomo da Dinamarca. Na quarta-feira (21), durante o Fórum Econômico Mundial na Suíça, Trump afirmou que nenhum outro país além dos EUA é capaz de garantir a segurança da Groenlândia. Ele disse ainda que não pretende usar a força para tomar o território, mas voltou a ameaçar a Otan com retaliações. “Nunca pedimos nada à Otan e nunca ganhamos nada da aliança. E provavelmente não teremos nada, a menos que eu decida empregar força excessiva”, afirmou. “Cuidamos das necessidades da Otan durante anos e anos e somos tratados de forma muito injusta pela aliança”, acrescentou. Mais cedo, na quinta-feira, Trump afirmou que avançou nas negociações com a Otan sobre a Groenlândia. Segundo ele, os Estados Unidos buscam acesso total à ilha. LEIA TAMBÉM Trump volta a ameaçar o Irã e diz que 'grande força' está a caminho do Oriente Médio Em recado aos EUA, União Europeia diz que vai se defender de ‘coerção’ e anuncia investimentos militares no Ártico Na Ucrânia, falta de aquecimento por causa de ataques da Rússia faz famílias buscarem abrigo; VÍDEO O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1
