Enel admite à Aneel que apagão de dezembro atingiu o dobro de consumidores na Grande SP

Published 4 hours ago
Source: g1.globo.com
Enel admite à Aneel que apagão de dezembro atingiu o dobro de consumidores na Grande SP

Em documento, Enel reconhece que número de pessoas afetadas por apagão em dezembro foi muito maior e que nem todas as equipes de manutenção estavam nas ruas de madrugada Um mês após o apagão provocado pelo vendaval dos dias 9 e 10 de dezembro de 2025, a Enel reconheceu que divulgou informações incompletas sobre o alcance do problema e sobre a atuação das equipes durante a crise na Grande São Paulo. A concessionária é a responsável pelo abastecimento de energia da capital paulista e de 23 municípios da região metropolitana. Em documento enviado em 19 de dezembro à Superintendência de Fiscalização Técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a própria distribuidora admitiu que o número de clientes afetados pela falta de energia foi maior do que o informado oficialmente durante o evento climático extremo. Na época, a Enel divulgou que cerca de 2 milhões de consumidores ficaram sem luz, número que foi reiterado em entrevistas e comunicados oficiais. Em entrevista ao Bom Dia São Paulo, na manhã de 11 de dezembro, o diretor regional da empresa afirmou que este havia sido o pico de clientes desligados. Cidade de São Paulo durante apagão da Enel em dezembro de 2025 Reprodução/TV Globo No entanto, a concessionária informou à Aneel que a consolidação posterior dos dados permitiu chegar a um total aproximado de 4,4 milhões de clientes interrompidos ao longo do dia 10 de dezembro de 2025 — mais da metade dos 8,5 milhões de consumidores atendidos pela empresa na Grande São Paulo. Segundo a Enel, parte do sistema de contagem de clientes ficou fora do ar durante a tarde do dia 10, o que impactou o acompanhamento em tempo real do número de desligamentos. Além disso, os dados enviados à agência reguladora mostram que nem todas as equipes trabalharam de forma contínua, como havia sido informado anteriormente. Gráficos encaminhados à Aneel indicam que, na madrugada do dia 10, o número de equipes em atuação era próximo de zero. Atuaram em campo: Dia 10, 1.688 equipes; Dia 11, 1.768 equipes; Dia 12, 1.775; Dia 13, 1.409. A quantidade de equipes se concentrou principalmente durante o dia, dada a natureza do evento e para que fosse amplificada a produtividade das equipes. Ainda na madrugada do dia 11, período em que havia o maior número de clientes sem energia, não havia equipes leves (com moto) em campo, e o número de equipes pesadas (com caminhões) era de cerca de 200 em toda a região metropolitana. LEIA TAMBÉM: Semana de caos em SP: ventania histórica derruba energia, afeta aeroportos e gera prejuízo bilionário Enel: entenda quem tem poder de encerrar contrato de concessão da empresa de energia na Grande SP Clientes da Enel em SP ficam quase 10 vezes mais tempo sem luz do que os da Itália Diretor da Aneel descarta possibilidade de intervenção na Enel SP Esses dados contrastam com declarações feitas pela empresa durante a crise, quando a Enel afirmou que havia equipes trabalhando 24 horas por dia, com sobreposição de turnos. Procurada, a Enel informou em nota que o número de 2 milhões de clientes impactados não estava errado e correspondia ao pico simultâneo registrado em tempo real. A empresa afirmou ainda que, como os ventos fortes se estenderam por cerca de 12 horas, enquanto alguns clientes tinham o fornecimento restabelecido, outros eram afetados ao longo do dia. A concessionária disse também que o número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior, conforme revelado por análises posteriores. Sobre a atuação das equipes, afirmou que o trabalho seguiu um padrão considerado normal para eventos desse porte, com atuação conforme o plano de atendimento a emergências da empresa. Em nota, a Aneel informou que as informações enviadas pela Enel serão analisadas por equipes técnicas da agência e que as apurações seguem em andamento. Fim do contrato da Enel Governos federal, estadual e prefeitura da capital pedirão fim do contrato com a Enel Em 16 de dezembro, representantes dos governos federal, estadual e municipal decidiram, após reunião, iniciar o processo de extinção do contrato com a Enel. "Não há outra alternativa senão a medida mais grave que existe, que é a decretação de caducidade. Nós estamos mandando elementos para o Ministério de Minas e Energia. Vamos mandar isso também para a agência reguladora", afirmou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em entrevista após o encontro. 🔎 Considerada uma medida extrema, a caducidade (ou extinção do contrato) pode ocorrer quando confirmado que a concessionária descumpre obrigações contratuais e não tem condições de manter a prestação de serviços à população. Procon multa Enel em 14 milhões de reais "Vamos instar a agência, a gente está falando de uma união importante, que é do governo federal, estadual e Prefeitura de São Paulo, na mesma página, para que o processo de caducidade seja instaurado", completou. Alexandre Silveira, ministro de Estado de Minas e Energia, disse que a Enel perdeu as condições de estar à frente do serviço de concessão de energia elétrica na capital e na Grande São Paulo. Na segunda (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que órgãos do governo federal apurem falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica pela Enel. O despacho, publicado no Diário Oficial da União da segunda, também determina a investigação de eventual responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), após reiterados pedidos do Ministério de Minas e Energia para abrir processos administrativos. Em nota, a Enel informou que "vem cumprindo suas obrigações contratuais e regulatórias, assim como o Plano de Recuperação apresentado em 2024 à Aneel, que registrou avanços consistentes em todos os indicadores de qualidade do serviço. Esses resultados foram comprovados pelas fiscalizações recentemente realizadas pela agência reguladora. Ao longo de 2025, a companhia manteve uma trajetória contínua de melhoria, demonstrando que as ações implementadas e acompanhadas mensalmente pelo regulador são estruturais e permanentes".

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