
O novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, disse nesta quinta-feira (15), em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, que o combate ao crime organizado será elevado a uma "ação de Estado". Segundo ele, na prática, a iniciativa visa envolver outros segmentos no combate, como é o caso do Ministério Público e do Judiciário. Esse foi o primeiro pronunciamento de Lima e Silva depois de ser anunciado como novo ministro. A expectativa é que ocorra ainda nesta tarde, de forma reservada, a cerimônia de posse. A informação foi confirmada pelo Planalto, que detalhou que o ex-ministro da Justiça estará presente. Wellington substitui Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo na semana passada. "Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada de todos esses atores, de elevar a ação do Estado em combate ao crime organizado. De maneira que a relevância que o crime organizado assumiu, neste momento impõe, na percepção do presidente de todos esses atores, a necessidade de uma atuação conjunta de todos os órgãos do Estado", afirmou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "De maneira que cada um dos órgãos do Estado, no âmbito das suas competências e atribuições, estará empenhado em desenvolver uma ação articulada para combater o crime organizado", prosseguiu o novo ministro. O novo ministro afirmou que a Receita Federal e a Polícia Federal já adotam iniciativas no combate a determinados segmentos do crime organizado, mas ressaltou que a efetividade dessas ações "ultrapassa os limites da ação apenas do Executivo ou de assuntos de governo." Ainda segundo ele, a PF e a Receita não conseguem, sozinhos, viabilizar resultados concretos para produzir efeitos reais no enfrentamento ao crime. "A Polícia Federal, a Receita Federal, elas, por si só, não podem viabilizar sozinhas resultados concretos de medidas que precisam passar pelo Ministério Público, chegar no Judiciário para que tenham a efetividade necessária para combater o crime", explicou. O g1 entrou em contato nesta tarde com a assessoria de comunicação do Palácio do Planalto e do Ministério da Justiça para receber mais detalhes sobre as mudanças anunciadas, mas até a última atualização desta reportagem não tinha recebido retorno. Lula e o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, após encontro no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (13). Ricardo Stuckert/PR Reunião com Lula Nesta manhã, Lima e Silva participou de uma reunião no Planalto para tratar sobre o tema. A reunião envolveu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também participou do encontro o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que avaliou que ações de cooperação mais coordenadas podem ampliar a descapitalização do crime organizado. “O enfrentamento da descapitalização do crime organizado passa por atingir o poder econômico, o andar de cima do crime, com estratégia, inteligência e planejamento, para que tenhamos resultados efetivos e duradouros”, disse o diretor-geral. Lima e Silva citou também que o caso recente envolvendo fraudes no Banco Master foi um dos eixos da reunião com o presidente, e destacou que o "Estado não se furtará a enfrentar esse tipo de situação". Desde que Ricardo Lewandowski deixou o cargo, o debate sobre a divisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi reacendido. Segmentos pressionam pela criação do Ministério da Segurança Pública. Quem é o novo ministro? Wellington César Lima e Silva já ocupou, por um breve período, o cargo de ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff. Mais recentemente, foi secretário de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, entre 2023 e julho do ano passado, quando assumiu a advocacia-geral da Petrobras. Ele também foi indicado procurador-geral de Justiça da Bahia pelo então governador Jaques Wagner, período em que teve atuação destacada no combate ao crime organizado. Além de procurador-geral de Justiça do Estado da Bahia, Lima e Silva foi procurador-geral de Justiça adjunto para Assuntos Jurídicos. É mestre em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Cândido Mendes (RJ) e concluiu os créditos do doutorado na mesma área pela Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, na Espanha. Também atuou como professor de Direito Penal em cursos de graduação e pós-graduação.
