Em clima de carnaval, foliões com tatuagens em homenagem ao Homem da Meia-Noite se encontram em Olinda

Published 15 hours ago
Source: g1.globo.com
Em clima de carnaval, foliões com tatuagens em homenagem ao Homem da Meia-Noite se encontram em Olinda

Foliões declaram amor ao Homem da Meia-Noite com tatuagens em homenagem ao calunga Um encontro de foliões, mas, em vez de orquestra de frevo, tatuagens em homenagem ao Homem da Meia-Noite. A segunda edição do evento "Paixão à Flor da Pele" reuniu, em Olinda, no Grande Recife, apaixonados pelo calunga que decidiram eternizar na pele o amor por um dos símbolos mais famosos e representativos do carnaval pernambucano (veja vídeo acima). Os foliões se reuniram no sábado (10) no esapço afetivo dedicado ao calunga dentro do Shopping Patteo, no bairro de Casa Caiada. Todo carnaval, o Homem da Meia-Noite desfila pontualmente à meia-noite do Sábado de Zé Pereira, simbolizando a tradição e o encantamento da festa de Momo. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Entre os tatuados presentes, estava a olindense Flaviane de Lima Costa, moradora do Largo do Amparo, no Sítio Histórico. Filha de uma bordadeira de estandarte e de um bonequeiro que carrega gigantes no carnaval, ela fez a tatuagem há três anos, por causa de um “namoro simbólico" com o calunga após o fim de um relacionamento. "Minha tatuagem foi feita porque eu sou muito olindense. Eu fui assistir ao Homem da Meia-Noite, na saída da sede, depois que me separei de um relacionamento de 13 anos. Na saída, minha prima disse que ele [o calunga] piscou para mim. Então, se ele piscou para mim, ele é meu namorado. Aí fiz a tatuagem dele", contou Flaviane. Neste carnaval, além de foliã, Flaviane vai viver a experiência de desfilar pela primeira vez como passista do balé Cia. Brasil por Dança, que acompanha o cortejo do Homem da Meia-Noite. Homem da Meia-Noite vira tatuagem entre foliões de Olinda Mariane Monteiro/g1 PE O rosto do calunga também está tatuado no braço do folião João Ronaldo de Souza Junior, outro morador de Olinda. Ao lado de vários símbolos do carnaval, como o Galo da Madrugada e o caboclo de lança, e o cantor Chico Science, a imagem representa uma paixão cultivada há gerações na família. “É um prazer homenagear a nossa cultura e a nossa história. Quando eu era pequeno, meu pai me levava para ver o Homem da Meia-Noite. Hoje, eu continuo esse legado levando minha filha”, afirmou João. Lígia Constantino também carrega um amor antigo pelo Homem da Meia-Noite. Ela lembrou que viu o calunga pela primeira vez em 1978. A tatuagem foi feita pela filha, Liliane Arruda, quando decidiu seguir a profissão de tatuadora e fez os primeiros traços há 16 anos. “Minha tatuagem foi um presente da minha filha. Ela quis ser tatuadora, abriu um estúdio e fez a tatuagem do Homem da Meia-Noite em mim. Eu sou muito molenga, chorei, doeu bastante. Depois, eu adoeci, a perna inchou e a tatuagem borrou. Mas, de todas as tatuagens que eu tenho, essa é a minha favorita, porque foi um presente dela para mim”, contou Lígia Tradição de Olinda Lígia Constantino, Flaviane de Lima Costa e João Ronaldo de Souza Junior são foliões apaixonados que decidiram eternizar na pele o amor pelo Homem da Meia-Noite Mariane Monteiro/g1 Em 2026, o Homem da Meia-Noite vai desfilar com o tema “Tambores Silenciosos”, em homenagem à ancestralidade afro-brasileira e à força dos maracatus, celebrando nomes como Mãe Beth de Oxum, Siba, Maciel Salú, o Grupo Bongar e o Maracatu Nação Pernambuco, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O cortejo acontece à meia-noite, entre os dias 14 e 15 de fevereiro, no Largo do Bonsucesso. Para Adolpho Alves, presidente do Homem da Meia-Noite, o crescimento do evento "Paixão à Flor da Pele", entre a primeira e a segunda edição, revela a força do bloco para além do carnaval. “Há oito anos, a gente fez o primeiro encontro, mas depois houve uma pausa e não conseguimos continuar. Na época, foram oito pessoas. Este ano, foram 70 inscritos, o que enche a gente de orgulho”, declarou Adolpho. O presidente do Homem da Meia-Noite também destacou que o encontro abre espaço para combater o preconceito sofrido por pessoas tatuadas. Adolpho lembrou a própria resistência quando o filho decidiu fazer uma tatuagem, motivada pelo receio do julgamento social. "Quando meu filho começou a dizer que ia fazer a tatuagem, eu disse: 'Meu filho, bote, mas bote com a camisa que encubra', devido à sociedade equivocada que a gente construiu. [...] E aí eu desmoronei quando ele chegou para mim, eu perdi minha esposa há dois anos, e ele mostrou a primeira tatuagem que ele fez no braço, que era eu beijando a mãe dele", disse Adolpho. Para o presidente do Homem da Meia-Noite, valorizar as histórias por trás das tatuagens também faz parte do papel do calunga. "Você começa a entender que tatuagem é memória, é afetividade, é ancestralidade, é sentimento, é o que a pessoa quer expressar. Algumas guardam no coração, outras expressam na pele. Então, isso precisa ser exaltado, essa paixão precisa ser valorizada, e é isso que o Homem da Meia-Noite está fazendo, levantando essa bandeira", afirmou Adolpho. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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