
ARQUIVO: acidente entre dois carros deixou uma pessoa morta e outra gravemente ferida em rodovia de Piracicaba, em agosto de 2025 Edijan Del Santo/EPTV Com 74 mortes, Piracicaba (SP) fechou 2025 no topo do ranking de mortes no trânsito por habitantes mantido pelo Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Infosiga-SP). Para especialista, a mudança passa por fatores como intervenções viárias pelo poder público, revisão de limites de velocidade, fiscalização mais rigorosa, além de campanhas educativas. Segundo as estatísticas, a cidade registrou 17 mortes a cada 100 mil habitantes no ano passado. O município aparece na lista à frente de outros mais populosos, como Jundiaí, São Bernardo do Campo, Sorocaba, Campinas e Guarulhos. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram As faixas etárias com mais registros são entre 40 e 44 anos, com oito mortes, e entre 50 e 54 anos, com nove. Já a moto foi o meio de transporte mais envolvido com acidentes fatais, com 35 óbitos. Como prevenir acidentes nas estradas? O que cabe ao poder público? 🔎 Professor no Departamento de Geotecnia, Geomática e Mobilidade da Unicamp, Luciano Aparecido Barbosa afirma que quando uma cidade aparece de forma recorrente no topo do ranking por taxa de mortalidade por habitante, isso indica um problema estrutural, não episódico. E que, com base nos dados apresentados, cabe ao poder público, pelo menos, quatro frentes de atuação: Gestão baseada em evidências Uso sistemático dos dados do Infosiga para identificar locais críticos, tipos de usuários mais vulneráveis (no caso, motociclistas e pedestres) e horários de maior risco; Priorização de intervenções viárias em trechos com maior recorrência de óbitos, e não ações genéricas ou apenas reativas. Engenharia de tráfego e desenho urbano Readequação geométrica de vias (redução de velocidade operacional, travessias elevadas, ilhas de refúgio, estreitamento visual de pistas); Infraestrutura específica para motociclistas, ciclistas e pedestres — os dados mostram claramente que eles concentram grande parte das vítimas; Revisão de limites de velocidade coerentes com o uso da via, não apenas com sua capacidade viária. Integração institucional Articulação entre prefeitura, Detran, Polícia Militar, Guarda Civil e setor de saúde. "A mortalidade no trânsito não é apenas um problema de trânsito, mas também de saúde pública", diz o professor. Continuidade de políticas Segundo o especialista, é necessário um plano municipal de segurança viária de médio e longo prazo, com metas mensuráveis. "O histórico de óbitos ao longo dos anos mostra que ações pontuais não sustentam resultados", explica. É preciso mais rigidez em fiscalizações? 🚨 Segundo o professor, no caso de Piracicaba, considerando a alta participação de motociclistas entre as vítimas e o crescimento recente no número de óbitos, faz sentido defender: Fiscalização mais rigorosa de velocidade, alcoolemia, ultrapassagens perigosas e uso de capacete; Uso intensivo de fiscalização eletrônica associada a engenharia viária (radares sozinhos não resolvem). "Não é punição por punição, é redução comprovada de risco", destaca o especialista. Educação no trânsito resolve a curto prazo? 🫱🏻🫲🏻 Sozinhas, não, na avaliação do docente. "Campanhas educativas são importantes para mudança cultural; têm efeito mais perceptível no médio e longo prazo; e funcionam melhor quando combinadas com fiscalização e mudanças físicas na via. Os próprios dados mostram que, mesmo com campanhas recorrentes ao longo dos anos, os óbitos voltaram a crescer recentemente", justifica. Segundo ele, educação é necessária, mas não suficiente. "Ela precisa estar integrada a fiscalização efetiva; infraestrutura segura; e mensagens direcionadas aos grupos de maior risco (no caso, motociclistas jovens e homens, que representam a maioria das vítimas)", acrescenta. O que cabe aos motoristas neste cenário? 🚗 Segundo Barbosa, o comportamento individual "importa muito" e cabe aos motoristas, especialmente: Respeitar limites de velocidade (velocidade excessiva aumenta drasticamente a letalidade); Não dirigir sob efeito de álcool ou drogas; Motociclistas utilizarem corretamente equipamentos de segurança; Reduzirem comportamentos agressivos e disputas por espaço viário. "A maioria das vítimas fatais não está 'protegida' por uma carroceria. Isso impõe ao condutor de automóvel uma responsabilidade ainda maior na convivência com pedestres, ciclistas e motociclistas", ressalta o professor. ARQUIVO: acidente envolvendo carros e moto deixou 5 pessoas mortas em rodovia de Piracicaba, em agosto de 2025 Fiscalizações, comitê e campanha 📋 Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Pública, Trânsito e Transportes de Piracicaba, houve aumento da frota de veículos de 357 mil em 2024 para 366 mil em 2025, e avaliou que isso impacta diretamente na quantidade de acidentes. Também afirmou que tem intensificado as ações de fiscalização e prevenção no trânsito em conjunto com a Guarda Civil Municipal, a Polícia Militar e o Detran, especialmente em pontos de grande movimentação de pedestres e nas vias com maior registro de acidentes. "Desde o início de 2025, está em andamento a Operação Hércules, realizada em parceria com a Polícia Militar (10º BPM/I), a Polícia Militar Rodoviária e o Detran-SP. A iniciativa tem como objetivo fiscalizar as condições dos veículos, inibir irregularidades e reduzir os índices de acidentes, com atenção especial aos motociclistas", exemplificou. A cidade também conta com a fiscalização por meio de radares, que monitoram velocidade de veículos e outras infrações, como avanço no sinal vermelho. A pasta também citou que, em abril do ano passado, foi oficializado o Comitê de Trauma, que reúne representantes das áreas de saúde, segurança e atendimento de emergência, com a missão de integrar ações voltadas à redução da mortalidade e das sequelas evitáveis decorrentes de acidentes de trânsito. E acrescentou que, no início de setembro, lançou a campanha "Luz, Câmera e Proteção!", voltada à conscientização da população sobre a importância do sistema de câmeras de monitoramento na promoção da segurança viária e na inibição de infrações. ARQUIVO: carro envolvido em acidente fatal em Piracicaba Reprodução/EPTV DER elenca melhorias viárias e radares 🛣️ Já o Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP), responsável pelas vias estaduais, informou que o trabalho para reforçar a segurança é permanente e inclui melhorias na infraestrutura viária, recuperação de pavimento, reforço da sinalização horizontal e vertical, intervenções em pontos críticos e ampliação da fiscalização eletrônica. O órgão também citou que desenvolve ações educativas, como o programa “Jovens Motociclistas”, voltado à conscientização de condutores de 20 a 29 anos, faixa etária que concentra maior exposição a acidentes graves. "Na região de Piracicaba, estão em fase de contratação de obras de conservação especial e reabilitação da sinalização horizontal da Rodovia SP-304, entre o km 120,8 e o km 160, abrangendo Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba, com investimento estimado em R$ 51 milhões. Já na Rodovia SP-147, entre o km 152 e o km 210,5, estão previstos projetos de recuperação e melhorias, incluindo a duplicação de trechos, com investimento superior a R$ 319,5 milhões", detalhou. O órgão ainda lembrou que, desde agosto de 2025, vem ampliando a implantação de radares de fiscalização eletrônica de velocidade para reduzir a gravidade dos acidentes. E elencou que, atualmente, já estão em funcionamento os seguintes equipamentos em Piracicaba: SP-304: km 167,5 (leste/oeste); km 168 (oeste); km 152,7 (leste/oeste); km 150,2 (leste/oeste) SP-135: km 13,6 (leste/oeste); km 18 (leste/oeste); km 18,95 (leste/oeste); km 18,9 (leste/oeste) SP-147: km 155,6 (leste/oeste) Há ainda equipamentos previstos para o município nos seguintes trechos: SP-135: km 17,5 (leste/oeste) SP-304: km 168 (leste/oeste) Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba
