Cantora pop criada por inteligência artificial ganha espaço no streaming e chama atenção fora do país

Published 5 hours ago
Source: g1.globo.com
Cantora pop criada por inteligência artificial ganha espaço no streaming e chama atenção fora do país

Cantora italiana Marani Maru foi criada por IA, por artista de Divinópolis Rodrigo Ribeiro/Divulgação Uma artista pop italiana que nunca existiu fisicamente, mas já tem músicas tocando no Brasil, na Europa e até nos Estados Unidos. Essa é Marani Maru, cantora virtual criada integralmente com o uso de Inteligência Artificial (IA) pelo compositor, designer e diretor de arte Rodrigo Ribeiro, conhecido artisticamente como Dingo, natural de Divinópolis. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste no WhatsApp O projeto nasceu do zero. Identidade visual, voz, repertório, clipes e narrativa artística foram concebidos a partir de ferramentas de IA, sempre sob a direção do artista divinopolitano. Em menos de um mês de lançamento, as músicas de Marani Maru passaram a circular em plataformas como Spotify, Apple Music, YouTube Music e TikTok, com execução em diferentes países e entrada em playlists algorítmicas das plataformas de streaming. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma italiana criada a partir da memória afetiva A escolha de fazer de Marani Maru, uma artista italiana, não foi aleatória. Segundo Rodrigo, a origem do projeto está profundamente ligada à memória afetiva e à relação pessoal com a linguagem. “Uma das minhas lembranças favoritas da infância é assistir à novela Terra Nostra com a minha avó. Eu imitava o sotaque, achava aquilo teatral, bonito. Anos depois, morando no Rio Grande do Sul, ouvi o talian, aquele dialeto misturado com português, e aquilo voltou a me provocar”, contou. O interesse se aprofundou com o cinema italiano. Após assistir a uma mostra dedicada ao diretor Federico Fellini, no Palácio das Artes, Rodrigo decidiu estudar italiano de forma autodidata, um processo que acabou sendo incorporado diretamente ao projeto musical. Hoje, ele escreve as letras em português, traduz para o italiano, revisa gramática e fluidez e só então parte para a criação musical e visual. “A linguagem é central nesse trabalho. Eu estudo italiano todos os dias, entro em lives com italianos, divulgo o álbum em italiano. Isso acelera meu aprendizado real da língua”, explicou. Marani Maru ao lado de Rodrigo - imagem criada por Inteligência Artificial Rodrigo Ribeiro/Divulgação Música, imagem e técnica Apesar de ser um projeto feito com inteligência artificial, Rodrigo reforçou que o processo está longe de ser automático ou simples. A criação das imagens e dos clipes de Marani Maru envolve conhecimento técnico de fotografia, enquadramento, iluminação, figurino e direção de arte. “Não é digitar qualquer coisa e esperar que a IA entregue algo bom. Se você não tiver repertório, não souber pedir, a ferramenta não entrega. Eu escolho lente, câmera, luz, composição. A IA é uma ferramenta, não o cérebro do projeto”, afirmou. A provocação, segundo ele, é justamente questionar a ideia de que a arte feita com IA é fácil ou descartável. “Isso vem como resposta à desvalorização de vários tipos de arte e também ao cansaço de ouvir músicas recicladas, que parecem todas iguais”, disse. LEIA TAMBÉM: Cantora faz 'festa do divórcio' e comemora separação com carreata em MG; VÍDEO Em música autoral, artista de MG usa cantos de pássaros em extinção como forma de manifesto Números que chamam atenção Marani Maru é cantora pop italiana criada por IA por artista de Divinópolis Rodrigo Ribeiro/Divulgação Mesmo sendo um projeto independente e recém-lançado, Marani Maru já aparece em playlists algorítmicas de plataformas musicais — um processo que costuma levar meses para novos nomes. Em menos de 30 dias, faixas do álbum passaram a ser recomendadas automaticamente pelas plataformas, segundo o criador. “Há registros de ouvintes no Brasil, Itália, Estados Unidos e Hungria, país onde uma das faixas chegou a ser executada sem que eu tivesse qualquer contato local. O algoritmo simplesmente levou”, resumiu. Entre as músicas já divulgadas estão “Motel Astrale”, faixa de abertura do álbum, e “Dare”, que tem se destacado em número de replays. O projeto também enfrenta desafios comuns a artistas independentes, como entraves com distribuidoras para liberação das músicas em redes sociais como o Instagram. IA na música O surgimento de artistas virtuais e músicas criadas com inteligência artificial não é um caso isolado. O debate ganhou força recentemente com “A Sina de Ofélia”, canção criada integralmente por IA que viralizou nas redes ao simular as vozes de Luísa Sonza e Dilsinho. A faixa chegou a circular no Spotify antes de ser removida e reacendeu discussões sobre direitos autorais, autoria e os limites do uso da tecnologia. Especialistas apontam que o setor vive um momento de transição. Ao mesmo tempo em que a IA amplia possibilidades criativas e reduz barreiras de entrada, também desafia modelos tradicionais da indústria fonográfica. Para Rodrigo, o caminho não é substituir o humano, mas expandir o que é possível. “Enquanto muitos artistas reais são pressionados a repetir fórmulas, eu prefiro arriscar o novo. A IA, para mim, é uma ferramenta de libertação criativa”, concluiu. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas O

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