
Will Bank liquidado nesta quarta (21) já estava sob intervenção Além da dificuldade para movimentar o dinheiro, correntistas afetados pela liquidação do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), enfrentam outro problema: a cobrança de faturas do cartão de crédito mesmo com as contas bloqueadas. O aplicativo ainda permite a visualização de saldos, limites e faturas, mas operações como transferências, PIX e pagamentos não estão sendo concluídas. 🔎 Na prática, o sistema permanece ativo, mas “congelado”: os valores aparecem na tela, porém não podem ser utilizados, já que só serão liberados pelo liquidante do banco ao longo do processo. (saiba mais abaixo) Cassandra Mendes, de 29 anos, foi pega de surpresa. Cliente do banco há dois anos, ela afirma que tem dinheiro disponível na conta, mas não consegue usá-lo para pagar a fatura do cartão. “Hoje de manhã consegui pagar a fatura de dezembro. Agora, a de janeiro segue em aberto.” Ao acessar o aplicativo, Cassandra se deparou com o seguinte aviso: “Devido à liquidação determinada pelo Banco Central, as operações estão suspensas. Caso você possua saldo, em breve traremos mais informações sobre como terá acesso aos seus recursos.” Cassandra Mendes, de 29 anos, afirma que tem dinheiro disponível na conta, mas não consegue usá-lo Reprodução LEIA MAIS BC decreta liquidação extrajudicial de banco digital ligado ao conglomerado Master Will Bank cresceu com foco em clientes de baixa renda; conheça a instituição Liquidação atinge banco digital: o que acontece com contas, cartões e CDBs Por que a liquidação do Will Bank veio só dois meses após o caso Master Clientes relatam falhas para realizar movimentações após intervenção do BC Falhas para realizar movimentações financeiras Já na noite de terça-feira (20), usuários passaram a relatar instabilidades no aplicativo do Will Bank nas redes sociais. Segundo o Downdetector, cerca de 500 notificações de erro foram registradas por volta das 20h, com novo pico de reclamações na manhã desta quarta, após a liquidação. Entre os principais problemas estão a recusa de compras no cartão de crédito, a impossibilidade de realizar transferências via PIX e falhas no internet banking. Relatos indicam que, apesar de o aplicativo exibir limite disponível, nenhuma operação é efetivada. As instabilidades começaram após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pela Will Financeira, do grupo Banco Master. Com a medida, as atividades da instituição são interrompidas, afetando diretamente os serviços digitais para todos os clientes. Mesmo com a fatura baixa e limite disponível, Rayssa Santos, de 26 anos, relata frustração. Desde terça-feira, antes mesmo do anúncio oficial, ela diz que não consegue usar o cartão de crédito. “Tem limite, por isso a fatura até está baixa, porque não consigo usar. Tentei fazer compras ontem na Shein, mas não aprovou. Tive que cadastrar outro cartão que eu deixava só para compras online. Cheguei a parcelar, mas não adiantou”, relata. Segundo o Banco Central, os problemas do Will Bank com a Mastercard estão ligados à paralisação do processamento dos cartões de crédito, fator decisivo para o agravamento da situação financeira da instituição e para a decisão de decretar a liquidação extrajudicial. O banco digital acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e mantinha aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes vinculadas à bandeira Mastercard. Quando os clientes terão acesso ao dinheiro? Com a liquidação, os valores mantidos pelos clientes passam a integrar o processo conduzido por um liquidante nomeado pelo Banco Central, responsável por apurar os saldos e organizar os pagamentos conforme a legislação. Quem tinha dinheiro em conta ou aplicações elegíveis conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF, considerando o conjunto de depósitos e produtos garantidos na instituição. O pagamento, no entanto, não é imediato e depende dos trâmites formais da liquidação. O BC não informou um prazo para a liberação dos recursos. O g1 procurou a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Banco Central (BC), o Fundo Garantidor de Créditos e o Will Bank para comentar as cobranças e os prazos para acesso ao dinheiro. Em nota, a Febrabran informou que não comenta assuntos de instituições específicas e que o Will Bank não faz parte do quadro de associados da instituição. Já o FGC informou que os ressarcimentos aos clientes do banco digital serão feitos conforme o regulamento do fundo, com base nos dados e valores apurados pelo liquidante nomeado pelo Banco Central. O fundo destaca que, nesse período inicial, é importante que depositantes e investidores do Will Bank realizem o cadastro básico no aplicativo do FGC e aguardem as notificações sobre as próximas etapas. (veja aqui o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC) O Will Bank e o Banco Central não se manifestaram até a atualização desta reportagem. O que muda para quem tinha conta e cartão de crédito Com a liquidação extrajudicial, contas, cartões e demais serviços deixam de operar normalmente. A instituição é retirada do sistema financeiro, e os clientes passam a figurar como credores no processo, respeitada a ordem legal de pagamento e as garantias existentes. A liquidação, porém, não extingue automaticamente as dívidas dos clientes. Valores já lançados na fatura do cartão de crédito continuam sendo devidos e podem ser cobrados, inclusive com aplicação de juros e eventual negativação em caso de inadimplência. Sou cliente, e agora? Segundo advogados consultados pelo g1, os clientes que tinham recursos no banco terão os montantes garantidos pelo FGC até o teto de R$ 250 mil por CPF, mas precisarão esperar a disponibilização dos recursos por parte do fundo. "Mesmo sendo uma conta salário ou alguém que tivesse dinheiro em conta, o acesso a esses recursos vai depender do liquidante [a ser nomeado pelo BC]. Ele é quem vai avaliar a lógica de prioridade para esses pagamentos, mas não é algo que acontece de forma automática, infelizmente", diz Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados. Os especialistas destacam, ainda, que aqueles consumidores que destinavam grande parte dos recursos para o Will Bank precisarão ter outro banco como instituição financeira principal, além de adotar providências essenciais. "É necessário guardar extratos, comprovantes de saldo e registros das movimentações existentes na data da decretação da liquidação, pois esses documentos servem como prova de crédito", afirma a sócia da Poli Advogados Associados, Daniela Poli Vlavianos. "Também é importante acompanhar as comunicações oficiais do Banco Central, do liquidante e do Fundo Garantidor de Créditos, que informará quando e como será feito o pagamento dos valores garantidos", completa a advogada. Ela destaca ainda que não é recomendável tentar movimentações ou transferências após o decreto, pois os atos podem ser bloqueados ou invalidados. Aplicativo do Will Bank Will Bank/Divulgação
