Aportes do Rioprevidência no Banco Master cresceram 7 vezes em um ano sem aval de comitê, diz testemunha

Published 3 hours ago
Source: g1.globo.com
Aportes do Rioprevidência no Banco Master cresceram 7 vezes em um ano sem aval de comitê, diz testemunha

Aportes do Rioprevidência no Banco Master cresceram 7 vezes em um ano sem aval de comitê, diz testemunha Um depoimento prestado à Polícia Civil por um ex-integrante do Comitê de Investimentos do Rioprevidência levantou dúvidas sobre a forma como foram feitas as aplicações do fundo de previdência do estado do Rio no Banco Master. Segundo o relato, os aportes cresceram cerca de sete vezes de um ano para o outro, sem novo aval do comitê responsável por analisar os investimentos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O caso envolve recursos do Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores inativos do estado, e o Banco Master, que entrou em liquidação em novembro do ano passado por determinação do Banco Central, sob suspeita de gestão fraudulenta. As informações prestadas à polícia acenderam um alerta nos investigadores sobre possíveis fragilidades na governança e no processo decisório das aplicações. Aportes do Rioprevidência no Banco Master cresceram 7 vezes em um ano sem aval de comitê, diz testemunha Reprodução TV Globo Aumento de 7 vezes em um ano O depoimento foi dado por Robson Luiz Barbosa, que afirmou ter sido membro do Comitê de Investimentos do Rioprevidência entre 2023 e 2025, com direito a voto. Segundo ele, a proposta inicial apresentada pelo Banco Master previa um investimento de cerca de R$ 120 milhões, em dezembro de 2023. De acordo com Robson, não houve apresentação de análise técnica de risco nem de parecer econômico-financeiro sobre a proposta, mas, ainda assim, o investimento acabou aprovado. No ano seguinte, segundo o depoimento, o valor aplicado pelo Rioprevidência no banco deu um salto e chegou a cerca de R$ 960 milhões em 2024. Sede do Rioprevidência Divulgação O que chamou a atenção dos investigadores é que, conforme o relato, essas novas aplicações teriam ocorrido de forma automática, sem um novo aval do Comitê de Investimentos e sem aprofundamento técnico das decisões. Robson afirmou que, nos meses seguintes, a diretoria de investimentos entendeu que o negócio era vantajoso e continuou aplicando recursos de forma sucessiva. Segundo o depoimento, essa escalada não passou pelo crivo do comitê. Robson declarou que a decisão partiu da diretoria de investimentos, na figura de Eucherio Lerner Rodrigues, então diretor de investimentos, e de Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de investimentos. Ele afirmou que ambos entenderam que a aprovação inicial deixava subentendido que novos aportes poderiam ser feitos sem nova deliberação formal. Sem acesso aos estudos No depoimento, Robson Barbosa disse que, em todas as reuniões do Comitê de Investimentos, as propostas apresentadas pela diretoria eram discutidas de forma argumentativa, mas sem a apresentação e o embasamento de estudos técnicos, laudos ou planilhas. Segundo ele, nunca houve acesso integral aos processos e aos estudos técnicos que fundamentaram as apresentações feitas pela diretoria, e que as informações disponíveis se limitavam ao que era apresentado em reuniões e no site institucional. As aplicações do Rioprevidência no Banco Master foram feitas por meio de letras financeiras, um tipo de investimento de renda fixa no qual o investidor, na prática, empresta dinheiro à instituição financeira com a promessa de receber o valor acrescido de juros. Esse tipo de título não tem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que significa que, em caso de problemas, o investidor pode perder integralmente o valor aplicado. Alerta do TCE e liquidação do banco Em maio do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) emitiu um alerta aos gestores do Rioprevidência apontando “graves irregularidades” nos aportes feitos no Banco Master. Rioprevidência investiu R$ 2,6 bilhões em fundos do grupo do Banco Master Em outubro, o tribunal voltou a criticar as aplicações e determinou que o fundo previdenciário fosse impedido de realizar novas transações com a instituição. No mês seguinte, em novembro, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, sob suspeita de gestão fraudulenta. Após a medida, o Rioprevidência recorreu à Justiça para tentar recuperar os recursos investidos e obteve uma decisão liminar que permitiu o bloqueio de parte dos valores. O montante inicialmente recuperado não foi divulgado. Em meio à crise, Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal deixaram os cargos na diretoria de investimentos. Quem permaneceu na cúpula do fundo foi o diretor-presidente, Deivis Marcon Antunes. Os três foram ouvidos no fim do ano passado na investigação que apura possíveis irregularidades. O que dizem os envolvidos Em nota, o Rioprevidência afirmou que o investimento junto ao Banco Master “foi realizado em conformidade com todas as regras vigentes à época, com a legalidade atestada pelo Ministério da Previdência e em acordo com o Plano Anual de Investimentos aprovado pelo Conselho de Administração da autarquia”. O órgão declarou ainda que “não cabe ao Comitê de Investimentos definir valores de alocação, nem deliberar sobre o montante financeiro de cada operação”. Por fim, informou que está resguardado por decisão judicial que reteve valores no total de R$ 970 milhões, mais juros e correção monetária, que seriam repassados ao Banco Master. Já a defesa de Eucherio Lerner Rodrigues informou que ele está colaborando com as autoridades competentes e que, em razão do sigilo legal da investigação, está impedido de se manifestar sobre o conteúdo do caso. A reportagem não conseguiu contato com Pedro Pinheiro Guerra Leal.

Categories

G1