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Em meio a polêmicas, CPI da Saúde de Sorocaba chega ao fim sem ouvir investigados
g1.globo.com
Thursday, February 12, 2026

Em meio a polêmicas, CPI da Saúde de Sorocaba chega ao fim sem ouvir investigados A Câmara dos Vereadores de Sorocaba (SP) encerrou, nesta quinta-feira (12), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde sem ouvir nenhuma das pessoas investigadas no caso. A CPI havia sido aberta para apurar ...

Em meio a polêmicas, CPI da Saúde de Sorocaba chega ao fim sem ouvir investigados A Câmara dos Vereadores de Sorocaba (SP) encerrou, nesta quinta-feira (12), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde sem ouvir nenhuma das pessoas investigadas no caso. A CPI havia sido aberta para apurar escândalos de corrupção no setor, e o encerramento foi comunicado pelo relator, Cristiano Passos (Republicanos). Apesar de algumas oitivas terem sido realizadas, todas ocorreram a portas fechadas, sem a presença da imprensa e sem transmissão pela TV Câmara. Os trabalhos da comissão também não se aprofundaram em ouvir as instituições envolvidas nas denúncias de corrupção, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Éden e a Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da Zona Norte. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Apesar da falta de depoimentos dos investigados e de análises aprofundadas, o relatório final será encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). O documento foi alvo de protestos da oposição. Comunicado de encerramento de CPI, em Sorocaba (SP), foi feito nesta quinta-feira (12), em leitura pelo relator Cristiana Passos (Republicanos) Reprodução/TV Câmara de Sorocaba O ex-secretário de Saúde de Sorocaba, Vinicius Rodrigues, citado na investigação e um dos denunciados pelo MPF, chegou a se oferecer para depor nas redes sociais, mas nunca foi chamado. Ele chegou a questionar a quem interessava o fato de ele não ser ouvido. Veja abaixo a lista de votação: A favor do encerramento Alexandre da Hora (Solidariedade); Caio Oliveira (Republicanos); Cícero João (Agir); Cláudio Sorocaba (PSD); Cristiano Passos (Republicanos). Fábio Simoa (Republicanos); Fernando Dini (PP); Fausto Peres (Podemos); Henri Arida (MDB); João Donizeti (União); Rafael Militão (Republicanos); Rodolfo Ganem (Podemos); Rogério Marques (Agir); Silvano Jr. (Republicanos); Contra o encerramento Dylan Dantas (PL); Fernanda Garcia (Psol); Iara Bernardi (PT); Izídio de Brito (PT); Raul Marcelo (Psol). Ausentes Jussara Fernandes (Republicanos); Tatiane Costa (PL); Toninho Corredor (Agir); Ítalo Moreira (União). A CPI foi instalada em novembro de 2025, após forte pressão popular e em decorrência de uma investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Sorocaba. Essa investigação levou ao afastamento do então prefeito Rodrigo Manga (Republicanos). A comissão era composta, em sua maioria, por nomes da base de apoio de Manga. A cronologia No dia 6 de novembro de 2025, Rodrigo Manga foi afastado do cargo de prefeito de Sorocaba por 180 dias após uma decisão judicial durante a segunda fase da Operação Copia e Cola da Polícia Federal. Na primeira sessão após o afastamento de Manga, no dia 11 de novembro, vereadores voltaram a discutir a abertura da CPI da Saúde. Cartazes pedindo investigação foram colocados nas mesas e depois retirados. Naquele momento, apenas sete vereadores haviam assinado o pedido — eram necessárias nove assinaturas. Partidos da base divulgaram nota afirmando que não apoiariam a CPI, alegando que o caso já era investigado pela Polícia Federal. No dia 12 de fevereiro, após a divulgação de detalhes do relatório da Operação Cópia e Cola, 16 vereadores assinaram o pedido de abertura da CPI em menos de duas horas. Com isso, a comissão foi instaurada. Ao todo, 24 vereadores assinaram — apenas o presidente da Câmara não participou. No dia seguinte, foram escolhidos os integrantes da comissão. Cláudio Sorocaba foi eleito presidente e Cristiano Passos, relator — ambos da base. A oposição criticou a escolha. A votação ocorreu no plenarinho, sem presença da imprensa. A CPI iniciou os trabalhos administrativos no dia 14 de novembro, quando foi definido o cronograma: prazo de 90 dias, interrompido pelo recesso de fim de ano. A previsão para conclusão do relatório era 1º de abril de 2026. No dia 18 de novembro, ocorreu a primeira reunião oficial. A maioria decidiu começar pela análise de documentos da Polícia Federal antes de definir as oitivas. A reunião ocorrida no dia 27 de novembro foi marcada por impasse sobre convocações e pedidos de documento. Ficou definido, então, que os encontros seriam às quintas-feiras. No dia 4 de dezembro foi aprovada a convocação de fiscais de contrato para depor. A oposição tentou priorizar a convocação de ex-secretários de Saúde, mas a maioria da casa rejeitou. O depoimento aconteceu poucos dias depois, em 11 de dezembro, a portas fechadas e sem transmissão. Na ocasião, três servidores foram ouvidos. Com o recesso a partir de 15 de dezembro, os trabalhos ficaram suspensos até o dia 1º de fevereiro. Onze dias depois, a decisão de encerrar a CPI foi tomada. Manobra da base possibilitou comando da CPI A CPI da Saúde só foi aberta após manobras dos parlamentares da base de Rodrigo Manga, a exemplo do que ocorreu no primeiro mandato do prefeito afastado. LEIA TAMBÉM: Vereadores negam abertura de duas CP's contra Rodrigo Manga dias após denúncia do MPF Presidente da CPI da Saúde em Sorocaba xinga oposição e reclama de cobranças: 'Quero que a esquerda se f*da' Dinheiro para novos assessores na Câmara daria para comprar 20 ambulâncias UTI, 66 apartamentos ou construir 5 creches em Sorocaba Em novembro, vários dias após o pedido de investigação, e com o voto de mais dois parlamentares, a base do prefeito, que até então negava a CPI, aderiu em um movimento de manada, com a assinatura de 24 dos 25 vereadores. Com isso, o grupo passou a comandar os trabalhos, ocupando cargos-chave como a presidência e a relatoria. Na primeira gestão de Manga, houve ao menos duas movimentações semelhantes, com uso de artimanhas políticas. Um dos casos envolvia verbas da educação. Na época, a oposição tentou apresentar um pedido de CPI, mas, antes do protocolo, a base do então prefeito se adiantou, protocolou o pedido e assumiu a investigação. Da mesma forma que ocorreu na CPI finalizada nesta quinta-feira, os parlamentares encerraram os trabalhos e repassaram a responsabilidade da apuração a órgãos como o Ministério Público. Áudio vazado e atrito Na terça-feira (10), um áudio vazado durante a transmissão da TV Câmara revelou uma conversa em que o vereador Cláudio Sorocaba (PSD), presidente da CPI, demonstra menosprezo por outros parlamentares. No diálogo com o presidente da Casa, Luis Santos, Sorocaba, que sempre apoiou o prefeito afastado Rodrigo Manga, afirma ter sido traído por colegas e, ao falar da oposição, declara: “Quero que a oposição se foda. Sou o presidente da comissão.” 5º assessor aprovado Mais cedo, a câmara aprovou a proposta de criação de 25 novos cargos de assessor na Câmara de Sorocaba. A votação terminou em 20 votos a favor e cinco contra (veja abaixo como votou cada vereador). O projeto prevê a criação de um quinto cargo de assessor para cada um dos vereadores, com salário que pode chegar a R$ 12 mil. Com a aprovação, o número total de assessores passa de 100 para 125. A nova medida deve custar mais de R$ 16 milhões aos cofres públicos nos próximos três anos. O g1 levantou que, com esse valor, seria possível construir duas novas unidades de saúde ou, até mesmo, comprar 34 UTIs móveis. Clique aqui para ver como cada vereador voto. Vereadores aprovam projeto que cria 5º assessor parlamentar em Sorocaba (SP) Fábio Modesto/TV TEM/Arquivo Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
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